Categoria: Famosos

George Foreman não era só um grill

Foto: HBO Sports

Muitos conheceram George Foreman na PolishopTV, vendendo seu grill que revolucionava o mercado na época. Mas ele não era apenas um grill como parte de uma geração conheceu. Ele foi uma das maiores lendas do boxe no auge dos pesos-pesados. Foreman nos deixou aos 76 anos, nessa sexta-feira (21). Nascido em 10 de janeiro de 1949 em Marshall, Texas, o boxeador teve uma infância marcada por dificuldades financeiras e problemas com a lei. Aos 16 anos, ingressou no Job Corps, onde começou sua trajetória no boxe.

Sua carreira amadora foi coroada com a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1968 na Cidade do México. Em 1973, conquistou o título mundial dos pesos-pesados ao derrotar Joe Frazier. No entanto, em 1974, perdeu o cinturão para Muhammad Ali na histórica luta “Rumble in the Jungle”. Após uma experiência de quase morte em 1977, Foreman se aposentou temporariamente e tornou-se ministro religioso.

Em 1987, retornou aos ringues e, aos 45 anos, tornou-se o campeão mundial dos pesos-pesados mais velho da história ao derrotar Michael Moorer em 1994. Em 1990, Foreman enfrentou o brasileiro Adílson “Maguila” em Las Vegas. Maguila, conhecido por sua determinação e força, era um dos principais nomes do boxe brasileiro. No entanto, Foreman venceu a luta por nocaute técnico no segundo round, demonstrando sua superioridade técnica e física. Mesmo com a derrota, a luta foi importante para reforçar o nome de Maguila no cenário internacional.

Junto à sua bem sucedida carreira no boxe, Foreman se destacou como empreendedor, especialmente com a popularização da “George Foreman Grill”, que vendeu mais de 100 milhões de unidades. Ele também atuou como pastor em Houston, Texas, e escreveu livros sobre sua vida e carreira. Chegou a participar como churrasqueiro e seu grill de um episódio do programa “The Contender”, apresentado por Silvestre Stallone em 2005. Foreman deixa um legado notável no esporte e nos negócios, sendo lembrado por sua resiliência, fé e capacidade de reinvenção.

Era um dos astros mais acessíveis do boxe, atendendo a imprensa sempre que podia em lutas importantes que era convidado, como no duelo “Mayweather vs Pacquiao” em 2015. Uma vez falei com ele pelo Twitter, dizendo que eu era do Brasil e que o admirava muito, mandando um feliz aniversário no dia em que ele completava 68 anos. Ele agradeceu e respondeu que amava o Brasil. Nunca esquecerei de suas lutas no ringue que assisti dos arquivos da Band, mas principalmente me lembrarei de toda sua gentileza fora das quadro cordas.

Galvão Bueno precisa parar de meter Ayrton Senna em tudo

Foto/Reprodução: Gazeta Esportiva

Galvão Bueno tem muitas marcas registradas além da voz marcante. O “haja coração”, o “é tetra!”, a voz embargada de emoção… E a mania de comparar todo piloto que aparece com Ayrton Senna. Não importa se é um novato promissor ou um veterano consagrado: se fez algo marcante, lá vem o Galvão com o inevitável “Ai, me lembrou o Senna”. A Fórmula 1 muda, os tempos mudam, mas o fantasma de Senna segue sendo convocado em toda oportunidade.

O caso mais recente foi a ida de Lewis Hamilton para a Ferrari. Bastou sua estreia para Galvão soltar que isso “lembra Senna” em seu comentário no Jornal da Band. Antes disso, quando Charles Leclerc venceu em Monza pela primeira vez, a reação foi a mesma: “Ai gente, preciso falar que ele me lembrou Senna caminhando pro pódio”. Já aconteceu com Verstappen, já aconteceu com Alonso, já aconteceu até com Norris em um dia de chuva e com o Kimi Antonelli que acabou de chegar. A questão é: todo piloto talentoso precisa, obrigatoriamente, ser comparado com Ayrton Senna? O piloto brasileiro faleceu tem 31 anos, nunca terá sossego em ter o nome mencionado em vão, não só por Galvão, mas por todo mundo?

É compreensível que Senna tenha esse impacto no esporte até hoje. Ele foi um dos maiores da história e sua morte precoce congelou sua imagem no imaginário popular. Mas essa necessidade de colocá-lo como referência para tudo e todos acaba até desvalorizando seu próprio legado. Senna era único, tinha um estilo de pilotagem particular e um carisma que não se repete. Ficar tentando enxergar Senna em cada piloto que surge não apenas soa forçado, mas também tira o brilho da individualidade de cada um. Outro ponto, mencionar Senna em coisas fúteis também enche o saco.

A verdade é isso cansa. Vale lembrar que cada piloto tem sua própria história, óbvio. Hamilton é um fenômeno por méritos próprios. Leclerc venceu em Monza pelo talento e pela garra dele, não porque “parece Senna”. Verstappen domina a Fórmula 1 com um estilo muito diferente. Cada um constrói seu caminho, e forçar paralelos com Senna apenas cria expectativas irreais e comparações injustas.

No fundo, essa insistência em lembrar Senna o tempo todo diz mais sobre Galvão do que sobre os pilotos. Ele narrou a era Senna, viveu aquele auge e nunca conseguiu realmente desapegar. Seu entusiasmo é genuíno, mas chega um momento em que isso se torna cansativo. A Fórmula 1 segue em frente, novos ídolos surgem, mas Galvão continua preso ao passado. O verdadeiro viúvo de Senna é ele, nem é a Galisteu.

O mais curioso é que, se estivesse vivo, Senna provavelmente ficaria incomodado com essa mania de associá-lo a tudo. Ele queria ser lembrado como um grande piloto, mas também sabia que o automobilismo é uma evolução constante. Talvez seja hora de fazer o mesmo. Ayrton Senna foi uma lenda viva, um ícone, mas já passou da hora de deixá-lo descansar em paz. Aliás, feliz aniversário, Senninha. Hoje foi minha vez de colocar seu nome em vão, mas no intuito disso diminuir ou acabar de vez. Descanse e mande abraços aí em cima para o Gugu, outro que tem zero dias de paz.

Eduardo Costa é o único que mantém o legado de Piska no sertanejo

Foto/Reprodução

Nos últimos anos, Eduardo Costa tem se consolidado como um dos poucos artistas que mantém viva a tradição do sertanejo em sua forma mais autêntica. Em uma indústria que frequentemente se reinventa e se moderniza, ele segue um caminho distinto: resgatando a essência do gênero por meio de projetos acústicos que valorizam a música de qualidade, a melodia e a profundidade das letras, além dos arranjos fiéis de guitarras e violão que Eduardo também manteve em seus trabalhos. Esse compromisso não é por acaso. O cantor carrega consigo uma herança musical de enorme peso, sendo o único artista atual a manter vivo o legado do lendário produtor, compositor e multi-instrumentista Carlos Roberto Piazzolli, o Piska.

Para quem conhece a história da música sertaneja, Piska não precisa de introduções. Considerado o multi-instrumentista mais importante e relevante do gênero, ele deixou uma marca indelével nas canções que moldaram a identidade sertaneja ao longo das décadas. Sua genialidade musical ultrapassava os limites de um único instrumento – ele dominava diversos e contribuía diretamente para o som característico que definiu gerações. Seu trabalho não se restringia apenas à execução; Piska era um maestro dos bastidores, criando arranjos, produzindo discos icônicos e ajudando a dar vida às canções que se tornariam hinos para o público.

Músicas como “Pra Não Pensar Em Você”, “Minha Estrela Perdida”, “Antes de Voltar Pra Casa”, “Mentira Que Virou Paixão”, “Preciso Ser Amado”, entre tantos outros sucessos reconhecidos pela emblemática guitarra, fizeram história. O sertanejo moderno muitas vezes se distancia dessa riqueza instrumental e emotiva, apostando em produções eletrônicas e letras voltadas para o entretenimento. No entanto, Eduardo Costa se mantém fiel à escola de Piska, preservando a musicalidade artesanal e a profundidade interpretativa que marcaram a era de ouro do sertanejo. E não é de hoje que Eduardo tem se dedicado a projetos acústicos que são verdadeiras obras de arte.

Desde o início de sua carreira, quando seu disco era vendido como “Zezé di Camargo Acústico” nos camelôs, o artista se destaca por fazer o simples bem feito. Ao despir suas músicas dos excessos da produção contemporânea e apresentá-las em versões mais puras, ele consegue destacar o que realmente importa: sua voz, seu sentimento e os instrumentos básicos para um arranjo tocar o coração do público. Seu trabalho nesse formato não apenas resgata a nostalgia dos tempos áureos do sertanejo e de seu próprio trabalho, mas também serve como um tributo ao legado deixado por Piska. Aliás, o melhor disco ao vivo de Eduardo, competindo com seu primeiro DVD em Belo Horizonte (2007), é o Acústico de 2013 feito no Brook’s Bar.

A sonoridade de Eduardo Costa nesses projetos é carregada de emoção e técnica trazendo a guitarra, a bateria e o violão como protagonistas, exatamente como Piska sempre defendeu. Eduardo ainda acrescenta a sanfona em músicas que foram determinantes em sua carreira e ganharam releituras como “Na Saideira”, sua composição com Maestro Pinocchio. Cada acorde, cada pausa e cada interpretação são pensados por Eduardo para transmitir verdade. Em um mercado onde a música sertaneja muitas vezes se dilui em batidas genéricas e modismos passageiros, ele se firma como um guardião da qualidade que ouvíamos nos anos dourados do gênero.

A importância de Eduardo Costa para a preservação da essência do sertanejo vai muito além de seus próprios sucessos. Ele carrega consigo a responsabilidade de manter viva uma história musical construída por mestres como Piska, que moldaram o sertanejo com talento e dedicação incomparáveis. Ao seguir essa linha, ele não apenas homenageia seu mentor indireto, mas também assegura que futuras gerações tenham acesso à verdadeira música sertaneja, aquela que fala à alma e ao coração. Hoje em dia é impossível deixar Eduardo fora das playlist’s.

Em um mundo musical de constante transformação e cada vez mais eletrônico cheio de autotune, Eduardo Costa segue firme como uma ponte entre o passado e o presente, mostrando que a essência do sertanejo pode e deve conviver com a modernidade. Sua música, em formato acústico e genuíno, é mais do que um resgate: é um testemunho da grandiosidade do sertanejo e da genialidade que Piska deixou. Eduardo parece ser o único artista atualmente que consegue manter o legado do maestro. Ele sabe regravar sem estragar, sabe mencionar a importância de Piska sem precisar de ocasiões especiais e mantém vivo o nome de um pioneiro que jamais deve ser esquecido ou comparado.

Confira os últimos projetos de Eduardo Costa no link a seguir: Canal Oficial

Leonardo segue recebendo críticas por seus shows

Muita bebida, pouca voz. Não seria hora de passar mais tempo com a Floflô na Talismã?

Foto: G1

Leonardo sempre foi sinônimo de alegria, irreverência e claro, boa música. Desde os tempos da dupla com Leandro, ele construiu uma trajetória sólida, cheia de sucessos que marcaram gerações. O álbum do sucesso “Talismã”, lançado em 1990, ainda ostenta o título de disco mais vendido da história da música sertaneja. Naquela época, o show da dupla no Canecão, no Rio de Janeiro, foi um divisor de águas levando o sertanejo para um público que antes torcia o nariz para o gênero. Seguiu uma carreira solo impecável após a perda do irmão que teve até uma fase pop onde ele vivia gravando clipes para a MTV e cantava parecendo o Ricky Martín nos programas de TV. Mas o tempo passa para todos, e, nos últimos anos, o cantor tem sido alvo de críticas que colocam em xeque sua permanência nos palcos.

Quem acompanha os vídeos dos últimos shows de Leonardo percebe que algo mudou. A voz, naturalmente desgastada pelo tempo e pelo estilo de vida, já não tem o mesmo brilho. Os deslizes nas letras e o esforço para alcançar certas notas deixam claro que os dias de auge vocal ficaram no passado. Mas o que mais tem chamado atenção – e causado preocupação – é o estado em que ele sobe ao palco. Em várias apresentações recentes, o cantor parece estar embriagado, tropeçando nas palavras, rindo sem motivo e, às vezes, até errando trechos inteiros das músicas. O que antes era visto como parte do seu carisma e descontração agora soa como exagero e descuido.

Leonardo nunca escondeu seu gosto por uma boa bebida. Sempre foi o mais brincalhão do sertanejo, aquele que faz piada de tudo, que transforma qualquer entrevista em um momento divertido. Mas existe uma linha tênue entre o bom humor e o descontrole, e, para muitos fãs, essa linha tem sido cruzada. Os comentários nas redes sociais refletem essa insatisfação: “Cadê aquele Leonardo que emocionava?”, “Ele está se tornando uma caricatura de si mesmo”, “Alguém da família precisa intervir”, são algumas das mensagens que se repetem.

Diante desse cenário, surge a inevitável pergunta: será que não é hora de parar? Leonardo tem uma carreira consolidada e já declarou no início desse ano que não pretende gravar músicas novas. Ele nem precisa, pelo grande repertório que ten. Inclusive, se fosse pra gravar música nova e fazer um estrago igual Bruno & Marrone, melhor viver das antigas mesmo. O cantor também tem um excelente patrimônio garantido e uma família linda. Sua neta, Maria Flor – carinhosamente chamada de Floflô – é um sucesso na internet e está crescendo rápido. Por isso, talvez seja o momento de Leonardo aproveitar mais essa fase da vida. A Fazenda Talismã, seu refúgio particular, parece o lugar ideal para isso. Lá, longe dos compromissos exaustivos da estrada, ele poderia se dedicar à família, curtir os filhos, os netos, os amigos, e viver com a tranquilidade que merece.

Claro, decidir encerrar uma carreira não é simples. A música está no sangue, e o palco é um espaço difícil de largar para qualquer artista. Mas há diferentes formas de seguir presente no universo sertanejo sem precisar se expor a apresentações em que a decadência acaba falando mais alto que o talento. Poderia apostar em participações especiais, projetos acústicos ou até mesmo apenas nos bastidores, ajudando a nova geração – como o próprio Zé Felipe, que, apesar de seguir um estilo diferente, ainda carrega o DNA do pai e seus artistas no escritório Talismã, como Thiago Carvalho, Valéria Barros e Cezar & Paulinho.

O que ninguém quer é ver um ícone da música sertaneja terminar sua trajetória de forma melancólica. Leonardo merece ser lembrado por sua voz inconfundível, sua história de superação após a perda de Leandro, seus sucessos que nunca sairão do repertório dos apaixonados por sertanejo. Mas, para isso, talvez seja hora de refletir sobre o próprio caminho e entender que, às vezes, saber parar também é um gesto de respeito à própria história. Deslizes no palco hoje em dia saem mais caro, pois a militância na internet está sempre pronta para atacar qualquer artista que erre uma nota.

Caso Irmãos Menendez sofre reviravolta

Foto: ABC News

O caso dos irmãos Erik e Lyle Menendez voltou a ganhar destaque nos últimos meses e recebeu uma onda de apoio muito positiva para que os irmãos pudessem ter a pena revista pela Justiça. No entanto, o procurador de Los Angeles, Nathan Hochman, rejeitou hoje a petição para um novo julgamento. Os irmãos, condenados à prisão perpétua pelo assassinato dos pais, Jose e Kitty Menendez, alegam que foram vítimas de anos de abuso sexual por parte do pai e que isso motivou o crime. Novidades no caso envolvendo crimes graves por parte de Jose Menendez vieram à tona recentemente, como nos depoimentos do ex-Menudo Roy Rosselló.

A recente tentativa de reverter a sentença ainda teve como base novas alegações de testemunhas que reforçam a narrativa do abuso, algo que já foi apresentado durante os julgamentos dos anos 1990, mas que não impediu a condenação por homicídio qualificado. No entanto, a história dos Menendez ganhou uma nova perspectiva nos últimos anos, especialmente após o lançamento da série documental da Netflix “The Menendez Murders: Erik Tells All” e o fenômeno nas redes sociais que se seguiu com a série baseada no caso, “Monstros: Irmãos Menendez: Assassinos dos Pais” que rendeu indicações ao Globo de Ouro ao elenco.

A série reacendeu a comoção pública em torno do caso, levando muitos a questionar se os irmãos receberam um julgamento justo ou se foram vítimas de um sistema que ignorou seu sofrimento. Campanhas nas redes sociais e um grande número de apoiadores vêm pedindo que suas sentenças sejam reconsideradas, argumentando que a justiça falhou ao desconsiderar o histórico de abusos na decisão final.

Apesar da nova onda de apoio, Hochman manteve a condenação, afirmando que as novas provas não são suficientes para justificar um novo julgamento. A decisão frustrou aqueles que acreditam que Erik e Lyle foram punidos de maneira desproporcional, enquanto outros defendem que o assassinato dos pais, independentemente das circunstâncias, foi um crime imperdoável.

O caso Menendez continua a dividir opiniões e a gerar debates sobre trauma, abuso e o funcionamento do sistema judicial. Para os irmãos, a luta por justiça ainda não acabou, e para o público, a questão permanece: foram eles assassinos frios ou vítimas desesperadas que não viram outra saída? Você no lugar deles teria feito o mesmo? Independente dessas questões, o caso merecia ser revisto. Mas a Justiça americana é complexa e não será fácil reverter uma pena a favor deles.

“Descancelamento” de Paula Fernandes ganha força nas redes

Foto: Reprodução

Ela é um dos nomes mais talentosos da música sertaneja e, sem dúvida, uma das artistas mais completas do gênero. Com uma carreira marcada por sucessos e prèmios, Paula Fernandes teve sua trajetória injustamente atravessada por críticas que, em muitos momentos, pareciam mais um linchamento virtual do que um debate justo sobre sua música ou comportamento nos bastidores. No entanto, o tempo tem mostrado que sua qualidade artística sempre falou mais alto, e aos poucos, ela vem sendo redescoberta e resgatada pelo público carente de músicas marcantes.

Uma fase delicada de sua carreira começou quando virou alvo de piadas nas redes sociais, especialmente com o episódio do dueto de “Shallow”, na sua versão “Juntos e Shallow Now…”. O que deveria ser apenas uma versão nacional de um sucesso global, se transformou em um meme que reduziu sua trajetória a um episódio isolado. No entanto, quem conhece sua obra sabe que Paula Fernandes é muito mais do que isso. Dona de um repertório sofisticado, arranjos impecáveis e uma voz inconfundível, poucos artistas do sertanejo conseguem atingir o nível de excelência que ela sempre manteve.

Para além das redes sociais, críticas infundadas sobre sua personalidade também contribuíram para esse período na sua carreira. Paula sempre teve uma postura firme, algo que não deveria ser um problema, mas que, em muitos casos, acabou sendo interpretado como um traço negativo. Enquanto diversos artistas masculinos são elogiados por terem personalidade forte, mulheres ainda sofrem com julgamentos duros por esse fato. Tem artista homem que mal olha para o fã e sempre dãl a justificativa de “ah, ele tava com pressa…”.

O fato é que nunca houve provas concretas sobre qualquer tipo de comportamento problemático que justificasse o boicote que Paula sofreu, o que torna tudo ainda mais absurdo. Os fãs da cantora, por exemplo, sempre a elogiaram pela atenção dada a cada um. Ela já foi julgada até mesmo por cantar com Roberto Carlos usando um vestido curto. Mas ela cantou ao vivo, sem errar, isso não é mais importante do que a roupa?

A verdade é que, em termos de talento, Paula Fernandes se destaca como poucos de seu gênero musical. Ela é bicampeã do Grammy Latino na categoria de Melhor Álbum Sertanejo, um feito que raríssimos artistas da atual geração conseguiram. Além disso, suas composições são densas e carregadas de emoção, um diferencial absoluto nesse mercado cada vez mais pautado por produções rápidas e esquecíveis em uma semana. Seu dueto em “Jeito de Mato” com Almir Sater é um exemplo claro de sua sofisticação artística, pois não é qualquer intérprete que tem o privilégio e a capacidade de dividir canções com uma lenda como Almir. Sem contar em seu feat com Taylor Swift que marcou uma geração.

Foto: Rolling Stone

Infelizmente, dentro do próprio meio sertanejo, Paula também enfrenta críticas gratuitas de colegas. Roberta Miranda, por exemplo, tem um histórico de ataques à cantora, muitas vezes sem justificativa aparente. Até parece o “César Augusto de saias”, dando entrevistas somente para atacar. Outros artistas já passaram por situações semelhantes, mas a impressão que fica é que algumas mulheres enfrentam mais resistência do que os homens ao expressarem suas opiniões ou tomarem as rédeas de suas carreiras. No caso de Paula, isso foi usado como combustível para alimentarem uma rejeição que nunca teve base sólida.

O que precisa ser ressaltado é que a música fala mais alto do que qualquer rumor ou polêmica forçada. Paula Fernandes é uma artista respeitada dentro e fora do Brasil, com uma carreira consolidada e um repertório que resistiu ao tempo. Canções como “Se o Coração Viajar, “Voar”, “Pra que Conversar?”, “Pássaro de Fogo”, “Sensações”, entre outros tantos sucessos nunca saem da memória do público. Seu retorno ao centro das atenções não depende de modismos, pois ela nunca precisou disso para se manter relevante. Se houve um período de baixa, foi motivado mais por narrativas externas do que por qualquer deficiência em seu trabalho.

Contudo, o público sempre volta para aquilo que é de verdade. O “descancelamento” de Paula Fernandes tem movimentado a rede Tiktok. E isso não é um favor, mas sim um reconhecimento tardio de uma artista que nunca deveria ter sido reduzida a fofocas ou memes. Sempre bato na tecla de que nós consumimos o artista, não o CPF. O que a pessoa faz ou é fora dos palcos e dos estúdios não interessa a ninguém. A obra é o que precisa se sobressair nesse meio. E o sertanejo ainda precisa de vozes como a dela.

Por parte de quem realmente aprecia o gênero, sabe-se que sua presença entre os grandes é essencial para manter a qualidade e a profundidade que existem em suas canções. Paula carrega no seu violão e na voz inconfundível um sentimento que só ela consegue apresentar, graças a uma brilhante trajetória que construiu junto à essência e sensibilidade da grande artista que se tornou até aqui!

Video: Reprodução/Tiktok