Categoria: Cinema

“Vitória” é a maior bilheteria da carreira de Fernanda Montenegro, que pode voltar ao Oscar

Foto: Sony Pictures

Não assistiu Vitória ainda? Olha que o Major Messias vai atrás de você, hein… O filme segue firme como um fenômeno de bilheteria, mesmo diante da forte concorrência de grandes lançamentos como Branca de Neve, em sua nova versão live-action, e o aguardado Minecraft, adaptação do popular jogo que acabou de estrear. Com uma trama envolvente, direção sensível e atuações marcantes, o longa conquistou não apenas o público brasileiro, mas também vem despertando atenção internacional.

Em meio a blockbusters recheados de efeitos visuais, Vitória brilha ao apostar na emoção, no roteiro bem construído, realista e em uma narrativa profundamente humana. O filme foi visto até agora por mais de 585 mil pessoas e arrecadou 12 milhões em bilheteria, se tornando a maior da carreira da protagonista da produção, Fernanda Montenegro. A atriz que entrega uma das atuações mais potentes de sua trajetória, já foi indicada ao Oscar em 1999 por Central do Brasil, mas acabou perdendo para Gwyneth Paltrow (conhecida como viúva do Tony Stark).

Agora, a “dama da dramaturgia brasileira” retorna aos holofotes da crítica com chances de uma merecida “vingança”. Sua performance em Vitória tem sido amplamente elogiada pela crítica especializada e a produção do filme já começou a trabalhar para o caminho até o Oscar. O filme conta a história real de Joana da Paz, uma mulher que enfrentou um sistema muito bem articulado entre tráfico e milícia para se libertar de todo perigo que presenciava pela janela de seu apartamento.

A narrativa dialoga com temas urgentes como a violência, a dignidade e a redenção, sem cair em clichês. Essa combinação tem encantado plateias diversas, emocionando desde jovens cinéfilos até espectadores mais experientes, muitos dos quais acompanham Fernanda Montenegro há décadas. O longa foi muito fiel aos principais pontos descritos no livro “Dona Vitória – Joana da Paz”, escrito por Fábio Gusmão, vivido no filme por Alan Rocha.

Mesmo com o apelo comercial de Minecraft, que atrai o público infantojuvenil em massa, e com o fascínio visual de Branca de Neve, que aposta em nostalgia e magia, Vitória vem se mantendo no topo do ranking de ingressos vendidos. O filme prova que ainda há espaço para dramas adultos e sensíveis em meio ao domínio dos grandes estúdios e efeitos especiais. Esse feito é literalmente uma vitória para o cinema nacional e para os fãs de histórias contadas com o coração.

A possível indicação de Fernandona ao Oscar 2026 já é tratada como uma reparação histórica. Se for indicada, a atriz poderá encerrar sua carreira com a estatueta que muitos consideram ter-lhe sido injustamente negada há 26 anos. Vitória é mais do que um filme de sucesso — é um símbolo da força do cinema brasileiro, da resistência dos grandes artistas do elenco e da arte que, mesmo em tempos digitais, ainda emociona e transforma nossas vidas.

O que esperar do estrelado elenco de “Avengers: Doomsday”? Doutor Estranho e Dogpool ficaram fora

Foto: Marvel Studios

Vingadores: Doomsday”, programado para estrear em 1º de maio de 2026, promete ser um marco no Universo Cinematográfico da Marvel (MCU), reunindo um elenco estelar que combina rostos familiares e novas adições. Entre os retornos notáveis estão Chris Hemsworth como Thor, Anthony Mackie como Capitão América e Tom Hiddleston brilhando em seu papel como Loki. Surpreendentemente, Robert Downey Jr. retorna ao MCU, desta vez interpretando o icônico vilão Doutor Destino.

Além disso, o filme contará com a participação de Patrick Stewart e Ian McKellen, reprisando seus papéis como Professor X e Magneto, respectivamente, integrando os X-Men ao enredo. Novos membros do elenco incluem Vanessa Kirby como Sue Storm e Pedro Pascal como Reed Richards, do Quarteto Fantástico. Com o elenco estrelado, a Marvel entra em um momento decisivo, e “Vingadores: Doomsday” precisa ser um grande acerto para reacender o entusiasmo dos fãs. Além dos 27 nomes já anunciados, outros tão bons quanto ainda podem surgir nos próximos meses.

A ausência do Doutor Estranho, interpretado por Benedict Cumberbatch, chamou a atenção da crítica. Cumberbatch revelou que seu personagem não aparecerá em “Vingadores: Doomsday” devido a mudanças na narrativa após a saída de Jonathan Majors, que originalmente interpretaria Kang. O ator mencionou que o Doutor Estranho “não se alinha com esta parte da história”, mas garantiu que o personagem terá um papel significativo em “Vingadores: Guerras Secretas”, previsto para 2027. 

Sem o ‘Mago Supremo’ até o momento, o roteiro levanta questões sobre como a trama lidará com as ameaças multiversais. No entanto, a inclusão de Loki, o deus mor da atualidade, sugere que o filme explorará as complexidades das linhas do tempo e do multiverso sob uma nova perspectiva. Loki tem sido a figura central nas narrativas relacionadas ao multiverso, especialmente após os eventos da série “Loki”, onde ele desempenhou um papel crucial na compreensão e manipulação das realidades alternativas.

Agora, uma ausência super sentida é a de Dogpool. Como assim a protagonista de “Deadpool & Wolverine” não vai encarar o Doutor Destino? Brincadeira à parte, os nomes de Ryan Reynolds e Hugh Jackman também são sondados para estarem presente na trama, já que o filme de 2024 dos dois parceiros foi fenômeno de bilheteria e agora eles fazen oficialmente parte do MCU. MAS DEVERIAM LEVAR A DOGPOOL TAMBÉM, NEM QUE FOSSE PRA COMER SHAWARMA NO PÓS-CRÉDITO.

Foto: Variety

Além disso, a introdução do Doutor Destino como principal antagonista adiciona uma camada de profundidade a história que vai se desenrolar. Conhecido por sua inteligência estratégica e domínio de tecnologias avançadas, Dr. Destino representa uma ameaça formidável que não depende necessariamente de elementos místicos, permitindo que a narrativa se concentre em conflitos de poder, ciência e domínio interdimensional. Não espero menos do que un encontro dele com o Homem Aranha adolescente da voz fina dizendo com sotaque carioca: SENHOR STARK SENHOR STARK – Victor von Doom respondendo: SENHOR STARK É O CARALHO! AQUI É DOUTOR DESTINO PORRA!! (diálogo inspirado em Cidade de Deus…).

Enfim, o que importa é que com essa combinação de personagens icônicos e a promessa de uma história envolvente, “Vingadores: Doomsday” tem o potencial de expandir ainda mais os horizontes do MCU, explorando novas dinâmicas e preparando o terreno para futuros confrontos épicos. Após uma recepção mista de algumas produções recentes, a Marvel tem o desafio de entregar uma narrativa coesa e impactante. O sucesso de “Doomsday” será crucial não apenas para estabelecer um novo rumo para a franquia, mas também para pavimentar o caminho até “Guerras Secretas”, que promete ser um dos maiores eventos da história do cinema de super-heróis.

Confira o elenco completo:

  • Robert Downey Jr.
  • Pedro Pascal
  • Chris Hemsworth
  • Vanessa Kirby
  • Anthony Mackie
  • Sebastian Stan
  • Channing Tatum
  • Letitia Wright
  • Paul Rudd
  • Wyatt Russell
  • Tenoch Huerta Mejia
  • Ebon Moss-Bachrach
  • Simu Liu
  • Florence Pugh
  • Kelsey Grammer
  • Lewis Pullman
  • Danny Ramirez
  • Joseph Quinn
  • David Harbour
  • Winston Duke
  • Hannah John-Kamen
  • Tom Hiddleston
  • Patrick Stewart
  • Ian McKellen
  • Alan Cumming
  • Rebecca Romijn
  • James Marsden

Major Messias de ‘Vitória’ deixa Rocha de ‘Tropa de Elite’ no chinelo

Foto: @marcioricciardi

No filme “Vitória”, a milícia também dá seu jeito de agir e estrelar o longa como típica vilã que é no dia a dia, além da ficção. Com o personagem Major Messias (Márcio Ricciardi), que opera como uma engrenagem invisível dentro do sistema, os milicianos garantem que os interesses do crime organizado sejam protegidos sob o manto da legalidade. Disfarçados de agentes da lei que combatem a violência urbana, os homens de Messias no batalhão da região onde vive Dona Nina (Fernanda Montenegro), estabelecem um império de terror e silêncio. Eles não apenas controlam comunidades inteiras com coerção e assassinatos seletivos, mas também se infiltram em órgãos oficiais para garantir que investigações contra traficantes aliados nunca avancem.

Dessa forma, eles transformam a própria estrutura policial em um escudo para criminosos, enquanto eliminam qualquer oposição com métodos brutais. A influência da milícia no filme pode ser vista principalmente quando Dona Nina vai fazer suas primeiras denúncias após ter seu apartamento atingido por tiros em uma noite de confronto no morro vizinho. Os policiais fazem corpo mole e exigem provas para que as coisas avancem para ela. Mas vemos também em suas gravações pela janela, os mesmos policiais do batalhão recebendo propina dos traficantes para que tudo ali continue como está. Até que numa bela tarde, o Major Messias vai buscar dinheiro e trocar armas de alto calibre com os traficantes que dominam a comunidade ao lado do prédio da senhora, em Copacabana.

Nesse momento do filme, sempre que um investigador independente ameaça expor o envolvimento de oficiais com o crime, Major Messias e seus homens entram em ação, utilizando desde a falsificação de provas até a intimidação direta. Quando necessário, assassinatos são encenados como confrontos legítimos, apagando qualquer rastro de suas operações ilícitas. Dessa maneira, a impunidade é mantida, e qualquer tentativa de investigação esbarra na própria estrutura corrompida da polícia.

Falando em intimidação, uma das cenas mais tensas do filme é quando Major Messias vai até o apartamento de Dona Nina dar um chega pra lá nela. Olha, onde já se viu hein, Major?? Vai mexer com alguém do seu tamanho, porra. Nada de pior acontece naquele momento porque o jornalista Flávio Godoy (Alan Rocha), chega para livrar Dona Nina do pior que o Major poderia fazer. Naquela hora, inclusive, ele estava trajado como um característico miliciano, tipo um Zé do Caroço em um dia comum. Ao assistir a atuação de Ricciardi como Major, nos lembramos de um outro personagem que poderia até ser super amigo de Messias: o Rocha de “Tropa de Elite”.

Vivido por Sandro Rocha, o Major que não tem tanta relevância no primeiro filme do Tropa, rouba a cena e o protagonismo para si no segundo longa. O que assemelha Rocha de Messias é o papel que fazem como milicianos, além das roupas cafonas que ambos usam para tocar o terror nas regiões que comandam. A diferença entre eles é que de alguma forma, Rocha mexeu com gente de igual pra igual, enquanto Messias foi bater de frente com uma idosa. No fim, Major Messias teve o que mereceu. Mas até achava digno ele ter a mesma conclusão de Rocha. Não acharíamos de todo ruim… Aliás, se você que está lendo ainda não foi conferir “Vitória” nos cinemas: VÁ LOGO, TÁ FAZENDO O QUÊ AQUI?!

Sem spoilers, mas à medida que a trama avança, fica evidente que a corrupção na alta cúpula da polícia não é um problema isolado, e sim, um sistema interligado em que todos os envolvidos tiram algum benefício. Major Messias é retratado como alguém que, apesar da farda e do discurso de ordem, não se diferencia dos traficantes que diz combater. O longa mostra como essa dualidade entre lei e crime se dissolve quando a própria polícia se torna o braço armado do poder paralelo. Não há heróis na estrutura corrompida, apenas aqueles que aprenderam a jogar o jogo e os que tentam sobreviver a ele.

No desfecho de “Vitória”, as provas contundentes contra Messias vêm à tona. O filme até oferece um final confortante para seu enredo, que aconteceu na vida real como relatada na obra escrita pelo jornalista Fábio Gusmão vivida por Joana da Paz. Mas seu final na telona ainda causa uma reflexão amarga sobre como a corrupção não se limita aos criminosos visíveis nas ruas. Ela está entranhada nos corredores do poder, sustentada por aqueles que deveriam combatê-la. A milícia hoje tem uma nova estrutura, bem mais avançada que há de 20 anos. Saímos da sala de cinema exaustos e mexidos com a história que “Dona Vitória” viveu e é muito bem retratada em cena. Também saímos com um ranço enorme de Major Messias, que ao contrário de Rocha, não nos faz rir em nenhum momento com suas escrúpulas atitudes. Por essas e outras, ele deixa o miliciano de Rio das Pedras no chinelo.

Poucos países abominam a Ditadura Militar como a Argentina

Foto: Boca Jrs

Hoje é o Día Nacional de la Verdad y la Justicia, um feriado na Argentina celebrado neste 24 de março, em memória das vítimas da última Ditadura Militar que governou o país entre 1976 e 1983. A data marca o golpe de Estado que, em 24 de março de 1976, deu início a um regime autoritário responsável por graves violações dos direitos humanos, incluindo perseguições, torturas, desaparecimentos forçados e assassinatos de milhares de cidadãos. Criado oficialmente em 2002, o feriado tem como objetivo manter viva a memória das vítimas, promover a busca pela verdade e reafirmar o compromisso da sociedade argentina com a justiça.

Durante a ditadura, o governo militar implementou um sistema repressivo que eliminava opositores políticos, censurava a imprensa e utilizava métodos cruéis para silenciar qualquer forma de resistência. Estima-se que cerca de 30 mil pessoas tenham sido sequestradas e desaparecidas nesse período, muitas delas mantidas em centros clandestinos de detenção. Entre as vítimas estavam estudantes, intelectuais, trabalhadores e militantes políticos. O regime também foi responsável pelo roubo sistemático de bebês de prisioneiras grávidas, que eram entregues a famílias ligadas ao governo.

A Ditadura Argentina foi uma das mais violentas no mundo, com mortes brutais de inocentes e corpos jogados no Rio La Plata em aviões militares, com vítimas ainda vivas após muitas sessões de tortura. O tema da memória, verdade e justiça é um dos poucos capazes de unir todas as torcidas de futebol na Argentina, independentemente das rivalidades históricas entre os clubes. Nos dias que antecedem 24 de março, é comum ver faixas, bandeiras e manifestações nos estádios lembrando os desaparecidos da ditadura, muitos deles torcedores e até jogadores de diferentes equipes.

Com a redemocratização do país em 1983, começaram os esforços para julgar os responsáveis pelos crimes da ditadura e garantir que tais atrocidades nunca mais se repetissem. O Día de la Verdad y la Justicia reforça essa luta, destacando a importância de lembrar o passado para evitar que regimes autoritários voltem a se instaurar. Todos os anos, manifestações e atos públicos são organizados em diversas cidades argentinas, com a participação de organizações de direitos humanos, como as Madres y Abuelas de Plaza de Mayo, que continuam buscando informações sobre os desaparecidos e seus filhos.

Além das manifestações, a data também é marcada por atividades educativas e culturais que promovem reflexões sobre a democracia, os direitos humanos e a memória histórica. Escolas, universidades e centros culturais realizam debates, exibições de filmes e exposições para conscientizar as novas gerações sobre os horrores da ditadura e a importância de defender as liberdades individuais. Dessa forma, o feriado se torna um momento de aprendizado coletivo e reafirmação dos valores democráticos.

O Día Nacional de la Verdad y la Justicia representa um compromisso da sociedade argentina com a memória, a verdade e a justiça. Ao recordar as vítimas e exigir a responsabilização dos culpados, a Argentina reforça sua posição contra o esquecimento e reafirma a necessidade de preservar a democracia. O feriado não é apenas um dia de reflexão sobre o passado, mas também um alerta para o presente e o futuro, garantindo que as lições da história não sejam ignoradas. E poucos países tratam o assunto com tanta seriedade como a Argentina.

Um dos marcos recentes na representação desse período da história argentina é o filme “Argentina, 1985”, dirigido por Santiago Mitre. O longa retrata o histórico Julgamento das Juntas, no qual os principais responsáveis pela ditadura foram levados a tribunal e condenados por crimes contra a humanidade. Protagonizado por Ricardo Darín no papel do promotor Julio Strassera, o filme destaca a importância da busca por justiça e o desafio de enfrentar um sistema ainda influenciado por remanescentes do regime militar. Argentina, 1985 recebeu grande reconhecimento internacional, sendo indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional em 2023, reforçando a relevância dessa história e a necessidade de manter viva a memória dos horrores da ditadura para que nunca mais se repitam.

Ditadura nunca mais! ¡Nunca más!

“Branca de Neve” tomba críticas e se mostra um excelente live-action

Foto: Disney Plus

Assim como a princesa do vestido azul e amarelo, arrumei meu cabelo preto e fui sem muita expectativa assistir sua estreia no cinema. Desde o anúncio de sua produção, o live-action de Branca de Neve gerou debates e expectativas. Controvérsias sobre escolhas de elenco e adaptações da história original dominaram as discussões pré-lançamento. No entanto, ao apagar das luzes na sessão, somos transportados para um mundo encantado onde a magia da princesa mais destemida e gentil do universo Disney comandado pelo Mickey se revela. Me emocionei em diversos momentos. Então já dou um conselho: Esqueça as polêmicas e vá se divertir!

Rachel Zegler, no papel de Branca de Neve, entrega uma performance que cativa pela doçura e carisma. Seu estilo angelical e presença em cena resgatam a essência da personagem clássica, ao mesmo tempo em que incorporam nuances modernas que a tornam mais relevante para os dias atuais. Suas interpretações musicais, especialmente em canções como “Waiting on a Wish” e “Whistle While You Work”, destacam-se durante os momentos musicais do filme.

Por outro lado, a interpretação de Gal Gadot como Rainha Má divide opiniões. Embora sua presença intimidadora seja notável, alguns críticos apontam que sua atuação tende à caricatura, faltando profundidade em certos momentos. Eu achei ela muito entregue ao papel e consegue causar aquele medo que assombra o filme. Sua performance na canção “All is Fair” é citada como um dos pontos menos impactantes do filme, mas tá ali fazendo parte do enredo.

Uma das escolhas mais ousadas desta adaptação foi a representação dos Sete Anões através de CGI. Embora a intenção fosse modernizar e evitar estereótipos, o resultado causou estranheza em parte do público, com os personagens parecendo artificiais em alguns momentos. No entanto, o filme se esforça para torná-los amáveis e fiéis ao espírito atrapalhado e divertido das versões anteriores. Ao final, convenceram.

A narrativa atualizada introduz novos elementos que enriquecem a trama sem desrespeitar o material original. O “príncipe” Jonathan, interpretado por Andrew Burnap, adiciona uma dinâmica interessante à história, oferecendo uma perspectiva fresca ao tradicional conto de fadas. As novas canções compostas por Benj Pasek e Justin Paul complementam a trilha sonora clássica, trazendo um equilíbrio entre o familiar e o novo. Visualmente, o filme encanta com cenários luxuosos, desde o majestoso castelo até a aconchegante cabana dos anões que é idêntica a do livro e do desenho.

As cores vivas e o design de produção criam uma atmosfera que mescla o sombrio e o lúdico, capturando a essência do universo da delicada princesa. Portanto, apesar das controvérsias e desafios enfrentados antes de sua estreia, o live-action consegue surpreender e encantar. Quando a abertura clássica dos filmes Disney começa, somos convidados a deixar de lado as preocupações externas e nos permitir ser envolvidos pela magia de uma história atemporal, fiel à obra que nos inspira a ser melhores a cada dia, como a Branca de Neve ensina.

“Vitória”: Um filme que tira o fôlego com todo brilho de Fernanda Montenegro e Alan Rocha

Foto/Reprodução

Não tem um momento de respiro nesse filme. Sempre que assisto a uma trama nova busco algo que me prenda de verdade — seja pela história, pelo elenco ou pela intensidade das cenas. Vitória, dirigido por Andrucha Waddington, me entregou tudo isso e muito mais. É um daqueles filmes que fazem o coração acelerar, que me deixam sem piscar, torcendo a cada segundo pela protagonista, sentindo na pele cada reviravolta.

O que mais me impressiona é a força da personagem principal, Dona Nina, vivida por Fernanda Montenegro. Desde o primeiro momento, ela carrega um peso enorme nas costas, enfrentando o tráfico de maneira feroz, sem medo de encarar o perigo. Não é apenas uma história de sobrevivência, mas de coragem, de resistência, de uma mulher que não aceita ser engolida pelo sistema brutal que a cerca da janela de seu apartamento.

E o elenco? Um show à parte. A brilhante protagonista, como disse, entrega uma atuação visceral, cheia de nuances que me fez sentir cada angústia, cada desespero, mas também cada lampejo de esperança. Seus colegas de cena não ficam atrás. Cada um tem sua marca, seu momento de dar o tom no roteiro tornando a trama ainda mais intensa. Thelmo Fernandes, Linn da Quebrada, Sacha Bali, Jennifer Dias, o garoto Thawan Lucas – que se transforma durante o filme – estão muito bem integrados na história em cada fase que o filme acontece. E claro, Alan Rocha, que interpreta o jornalista Fábio Gusmão, faz toda trama acontecer graças ao seu gênio destemido e investigativo para enfrentar toda situação do tráfico e da corrupção policial envolvida na história.

É impossível assistir Vitória sem sentir um nó no estômago. Cada cena é um soco, cada decisão da protagonista parece uma roleta-russa, e a tensão cresce a cada minuto. É aquele tipo de filme que me faz segurar a respiração, que me faz mergulhar de cabeça na história e sair dela transformada. Se você ainda não assistiu, prepare-se: Vitória não é apenas um filme. É uma grande experiência no cinema.

A obra é mais um sucesso do cinema nacional que vive uma fase incrível, provando mais uma vez a força das produções brasileiras. Com uma narrativa crua e impactante, o filme não apenas entretém, mas também escancara uma realidade que muitos preferem ignorar: a violência que faz parte do cotidiano de tantas pessoas, que invade lares, que está literalmente à vista da janela de casa.

Isso é um retrato fiel e doloroso de um Brasil que luta para sobreviver, onde cada escolha pode ser uma questão de vida ou morte. Mais do que um enredo eletrizante, Vitória é um grito, uma denúncia e, acima de tudo, um filme necessário para nunca esquecermos do legado de Joana da Paz, que fez toda essa história acontecer na dura vida real. Além disso, o talento de Fernanda Montenegro transparece nos pequenos gestos, nos silêncios carregados de significado e na intensidade do olhar, tornando sua performance não apenas memorável, mas essencial para a força narrativa do filme.