Autor: Opina Babi

Jornalista | Social Media, 31 anos.

“A Queda de P. Diddy” promete revelações inéditas sobre os horrores que o rapper cometia

Assinou a Max pra ver o Globo de Ouro ou vai assinar pra ver o Oscar? Tem um lançamento imperdível pra você aproveitar até lá na plataforma. A série documental “A Queda de P. Diddy” vai estrear em 1º de fevereiro, com produção composta por quatro episódios. O doc deve oferecer uma análise aprofundada das acusações de comportamento violento e atividades ilegais que envolvem o magnata da música Sean “P. Diddy” Combs, ou Puff Daddy pra nós da geração que o conheceu assim.

A série apresenta mais de 30 entrevistas exclusivas com uma variedade de pessoas que tiveram contato próximo com P. Diddy ao longo de sua carreira. Entre os entrevistados estão acusadores, ex-amigos, colegas de trabalho e funcionários que compartilham suas experiências e observações sobre o comportamento do artista que movimentou o mundo pop com sua influência desde os anos 90. Destacam-se depoimentos de:

• D. Woods: Integrante do grupo Danity Kane, que relata suas experiências nos bastidores ao lado de P. Diddy;

• Danyel Smith: Ex-editora-chefe da VIBE Magazine, que discute incidentes de comportamento agressivo por parte do artista;

• Rodney ‘Lil Rod’ Jones: Ex-produtor que alega ter sido assediado sexualmente durante a produção do “The Love Album”;

• Thalia Graves: Afirma ter sido violentamente estuprada por P. Diddy no verão de 2001 e ameaçada para manter silêncio;

• Jourdan Cha’Taun: Chef pessoal de P. Diddy entre 2007 e 2010, que compartilha detalhes sobre sua experiência trabalhando para ele;

• Natania Griffin: Vítima de um tiroteio em uma boate em 1999, que sofreu ferimentos no rosto;

• Wardel Fenderson: Ex-motorista pessoal de P. Diddy, que testemunhou uma tentativa de suborno.

Além desses depoimentos, a série utiliza imagens de arquivo inéditas para traçar um retrato abrangente de P. Diddy, desde seus anos na Howard University até o auge de sua carreira na Bad Boy Records, explorando as alegações de abusos e o impacto de suas ações na indústria musical e na cultura pop. Querendo ou não, ele foi um dos nomes mais importantes desse meio revelando grandes artistas e também sendo responsáveis por hits atemporais do rap americano.

“A Queda de P. Diddy” foi produzida pela Maxine Productions, em parceria com a Rolling Stone Films. Na data de lançamento, todos os episódios estarão disponíveis na plataforma Max, enquanto o canal ID exibirá os dois primeiros episódios a partir das 22h10, com os episódios subsequentes sendo transmitidos semanalmente no mesmo horário. 

Essa série promete ser uma análise reveladora e detalhada das controvérsias que cercam uma das figuras mais influentes da música contemporânea. Além desse documental, o rapper 50 Cent também está produzindo algo na mesma linha, que vai abordar também todo lamaçal que envolve a vida de P. Diddy. Preparem o estômago, pois se já era difícil ver notícias desse caso, agora vamos mergulhar nas profundezas obscuras que Puff promovia por trás do glamour de Hollywood que o disfarçava até então.

Com céu colorido, Avellaneda assiste estreia do Independiente na temporada

O céu nublado logo abriu espaço no fim da tarde para a estreia do Independiente na temporada 2025. O time rojo conquistou a primeira vitória suada e emocionante contra o Sarmiento por 2×1 na noite de hoje, no lendário Estádio Libertadores da América. Em um jogo intenso, os diabólicos vermelhos abriram o placar no primeiro tempo, fazendo ainda no primeiro tempo 2×0. O Sarmiento descontou no segundo tempo, mas o time da casa manteve sua vantagem levando a torcida ao delírio em Avellaneda com a vitória na primeira rodada do Apertura. A atmosfera pulsante da casa do “Rey de Copas” foi fundamental para impulsionar o time a buscar os três pontos nesse início de campeonato, provando mais uma vez por que jogar ali é tão especial.

Avellaneda é um lugar mágico para os amantes de futebol. O bairro, conhecido por abrigar dois gigantes times porteños de rivalidade máxima – Independiente e Racing – se transforma em dias de jogo. O clima é único, com as ruas tomadas por torcedores vestindo vermelho, e o pôr do sol é um espetáculo à parte, como o de hoje. Tingindo o céu com tons alaranjados e lilás de algodão doce, a beleza do fim de tarde se misturam às bandeiras e faixas da torcida, junto com o dominante vermelho do estádio que leva o nome de Ricardo Bochini. É como se o bairro inteiro conspirasse para criar o cenário perfeito para o futebol voltar a ser o centro das atenções para os argentinos na temporada que se inicia.

O Estádio Libertadores da América não é apenas um lugar para ver partidas, mas também um templo repleto de história que vale a pena o passeio. O estádio exibe com orgulho a grandeza do clube que carrega em sua trajetória 7 Copas Libertadores. E há outra figura que merece destaque: José Omar Pastoriza, o treinador que ajudou a consolidar a fama do “Rey de Copas”. Suas pinturas no entorno do estádio, é uma parada obrigatória para quem quer entender a alma do Independiente. Durante o verão, melhor estação do ano; o Independiente abre a piscina para seus sócios. O lugar é muito tranquilo e tem espaço para aproveitar uma bela tarde no clube do coração.

A experiência em dias de jogos vai além do futebol. As ruas ao redor do estádio oferecem uma explosão de sabores gastronômicos. É impossível resistir ao cheiro do choripán grelhado nas barraquinhas, assim como as empanadas quentinhas e até o sanduíche de bondiola. Para os mais tradicionais, há opções de tamales e locro em pontos familiares. E, claro, não pode faltar uma Quilmes gelada para acompanhar. Para os que chegam cedo, vale a pena explorar o museu do clube, que conta a história das glórias do Independiente, com camisas emblemáticas, troféus, ídolos eternizados e painéis sobre os principais títulos conquistados pelo time rojo.

Estar em Avellaneda, no coração da maior rivalidade do futebol argentino, vivenciando tudo isso é uma experiência que transcende o esporte. Hoje, o Independiente venceu, mas quem realmente ganhou foi o torcedor, que pôde sentir na pele o que significa fazer parte dessa história e de quebra ter um cenário tão bonito para viver momentos especiais no fim de um dia corrido.

Que fique uma dica de viagem: Não visite só La Bombonera e Monumental. A visita em Avellaneda (do lado vermelho) é indispensável no seu guia de Buenos Aires, caso você seja realmente um amante do futebol raiz!

Paddington: Uma Aventura na Floresta – Fofura de filme com diversão e cultura peruana

Foto: Cinemark

“Paddington in Peru” ou para os brasileiros “Uma Aventura na Floresta”, marca o retorno do fofo urso nos cinemas. Ele chegou às telas de forma tímida, com pouca divulgação por parte da Sony, alteração de datas, mas quem se aventurar a assisti-lo será amplamente recompensado pela espera e má vontade da Sony de divulgar suas obras. Este é um filme encantador que merece um lugar especial no coração do público. A fofura de sempre foi mantida e descobrimos um novo lado de Paddington em meio à sua viagem ao Peru.

O adorável urso, tão querido pelos espectadores, está mais cativante do que nunca. Desta vez, sua nova jornada nos leva ao país latino mais recheado de mistérios e ancestralidade. A terra peruana que transborda beleza natural e riqueza cultural é o cenário do terceiro longa protagonizado pelo mascote londrino. E que delícia é ver o filme prestar uma homenagem tão bonita à cultura do Peru, mostrando suas tradições, cores vibrantes, música envolvente e paisagens de tirar o fôlego que só nosso continente tem. A direção soube traduzir essa riqueza cultural com sensibilidade, valorizando cada detalhe nas cenas.

O elenco também é um dos grandes pontos altos do filme. A participação super especial de Antonio Banderas é um presente para os fãs – ele rouba a cena com carisma, trazendo emoção e energia à trama ao interpretar um vilão que se revela durante o filme. É impossível não se apaixonar pelo trabalho do elenco como um todo, que entrega atuações cheias de química e calor humano, complementando perfeitamente a doçura de Paddington. Além de Banderas, Olivia Colman está icônica com uma personagem que se transforma durante a aventura do urso pela floresta amazônica.

Assista ao trailer!

Com belas paisagens, um humor leve e inteligente que a franquia sempre trouxe, “Paddington in Peru” se destaca pela sensibilidade de sua narrativa. A história fala sobre família, amizade, descoberta de raízes do protagonista, junto da importância de valorizar e respeitar outras culturas. É um filme que vai muito além do entretenimento, tocando o coração de crianças e adultos que forem assistir. Bom, vocês não imaginam a sorte que tive de comprar um ingresso e ganhar uma sessão exclusiva para viver essa experiência com o Paddington em terras peruanas. Amo o silêncio e a sensação de uma sala só para mim. Ao mesmo tempo, sem egocentrismo, isso também reflete a falta de divulgação que esse filme está tendo.

Se há uma crítica a ser feita, é justamente o fato de que uma obra tão linda tenha sido promovida de forma tão discreta pela preguiçosa Sony. Fizeram o mesmo com Kraven e muitos perderam a chance de ver grandes cenas de ação dele no cinema. É uma pena que um filme tão cheio de vida e de significado não tenha recebido o destaque que merece. Ainda assim, “Paddington – Uma Aventura na Floresta” é uma experiência imperdível pra você, seus amigos, filhos e família.

Esse é mais um daqueles filmes que nos fazem sair do cinema com o coração mais leve, um sorriso no rosto e, claro, uma enorme vontade de abraçar o fofíssimo Paddington. Não perca a chance de viver essa aventura. Ah, conselho… Leve lenços umidecidos pra limpar as mãos e secar as lágrimas, que o final é emocionante!

Foto: Arquivo pessoal

Atual campeão da Turismo Carretera, Julián Santero vai defender título por nova equipe

Foto: ACTC

Nascido em Mendoza, na Argentina, Julián Santero é um dos melhores pilotos da atualidade que alcançou destaque ao conquistar o título na Turismo Carretera em 2024. Sua trajetória nas pistas começou cedo, aos 14 anos, quando estreou no Campeonato Chileno de Fórmula 3 em 2008. Nos anos seguintes, competiu na Fórmula Renault Plus Argentina, sagrando-se campeão em 2010, e posteriormente na Fórmula Renault Argentina, onde conquistou o título em 2013. Nesse mesmo ano, foi vice-campeão no TC 2000, o que lhe abriu as portas para estrear no Súper TC 2000 em 2014, integrando a equipe Peugeot Argentina.

Em 2015, Santero conquistou o campeonato da TC Mouras e fez sua estreia na Classe 3 do Turismo Nacional. No ano seguinte, foi promovido ao TC Pista e participou como piloto convidado no Turismo Carretera, competindo ao lado de Mauricio Lambiris em uma corrida de longa duração. Sua estreia oficial na Turismo Carretera ocorreu em 2017, quando venceu em sua primeira corrida como piloto titular, repetindo o feito em outra ocasião no mesmo ano. Ele continuou acumulando vitórias na categoria, com triunfos em 2018 e 2020.

Em 2018, Santero juntou-se à equipe Toyota Gazoo Racing Argentina e retornou ao Súper TC 2000. Mas seu sonho era levantar o troféu da Carretera, categoria de máxima glória para qualquer piloto argentino. A consagração máxima de Santero ocorreu na temporada de 2024, quando, aos 31 anos, tornou-se o primeiro piloto da província de Mendoza a conquistar o título da Turismo Carretera em seus 87 anos de história.

Pilotando um Ford Mustang da equipe LCA Racing, ele assegurou o campeonato ao terminar em segundo lugar na corrida final realizada no Autódromo Roberto Mouras, em La Plata. Para a temporada de 2025, Santero anunciou a formação de uma nova equipe, adquirindo o Ford Mustang com o qual conquistou o campeonato.

A nova escuderia será a Fispa Corse e estará sediada em Don Torcuato, nas instalações anteriormente ocupadas pela LCA Racing, de Laureano Campanera. Aliás, a relação de Santero com a torcida da Ford é marcada por respeito e admiração mútuos. Ao optar por continuar competindo com o Ford Mustang, ele reforça seu compromisso com a marca e seus fãs, que o apoiam fervorosamente.

Para 2025, a expectativa é de que Santero continue demonstrando o talento e a determinação que o levaram ao topo do automobilismo argentino. Agora liderando sua própria equipe e defendendo seu título na Carretera diante de grandes rivais, deve enfrentar novos desafios para vencer inclusive muitos amigos que estarão na pista com ele competindo com as marcas concorrentes de seu Ford.

Bruno & Marrone deveriam seguir Leonardo e não gravar mais nada inédito

Foto: @iamluiz

Não dá pra agradar a todos, mas não agradar ninguém é complicado. Bruno e Marrone, sem dúvidas, são uma das duplas sertanejas mais icônicas do Brasil. Para muitos, a melhor voz e o melhor repertório do gênero vieram desses 30 anos que Bruno & Marrone estão na estrada. Eles têm uma carreira sólida, uma história incrível e músicas que atravessaram décadas tocando o coração de muita gente. Mas, nos últimos anos, a dupla parece ter entrado em um caminho perigoso, tentando conquistar um público jovem que, sejamos sinceros, nunca foi o público deles. E, nesse processo, estão desagrando quem sempre esteve lá, acompanhando cada passo da trajetória deles.

É impossível falar de Bruno e Marrone sem lembrar do renomado Acústico, de 2001, gravado em Uberlândia. Ou da genialidade do AcústicoAmarelinho” feito no ano anterior. Ambos foram um marco na carreira da dupla, daqueles discos que você ouve do começo ao fim sem pular uma faixa. O Acústico de Uberlândia foi o trabalho que colocou a dupla em outro patamar, conquistando uma audiência nacional e eternizando músicas como “Vida Vazia”, “Um Bom Perdedor” e “Por Um Minuto”. Bruno & Marrone quebraram o monótono mercado sertanejo que vinha da hierarquia da tríade formada pelo “Amigos”. Não é exagero dizer que foi um divisor de águas no sertanejo toda sonoridade daquele disco. É uma obra que até hoje se tornou referência de qualidade, principalmente pelos violões de Marco Abreu.

Mantendo a áurea de Bruno & Marrone, outros discos como o Inevitável, de 2003, o Viagem produzido por Paulo Debétio em 1998 com um repertório impecável e canções que se tornaram trilha sonora de muitos romances e desilusões. Sucessos dali entraram na carreira de outras duplas anos depois, como “Mil Razões para Chorar” e “Tem Nada a Ver”. E quem teve o privilégio de assistir a um show deles no Olympia, em São Paulo, sabe do que eu estou falando. Aquela casa de shows, tão emblemática, foi palco de momentos inesquecíveis da música brasileira. Bruno & Marrone eram presença constante, sempre lotando o lugar e entregando apresentações emocionantes. Podemos ver isso no DVD ao vivo de 2004. Eram shows intimistas, com uma energia única, onde cada música era cantada em coro pelo público. Eles não precisavam de pirotecnia ou de grandes produções: era só a voz do Bruno, a sanfona do Marrone e aquelas letras que falavam direto ao coração tocadas pela banda de excelentes músicos. Como esquecer o grande álbum “De Volta aos Bares”, de 2009.

E é justamente por isso que é tão frustrante ver a dupla tentando se reinventar de forma tão desconectada do que sempre foram atualmente. É claro que todo artista tem o direito de experimentar, de buscar novos caminhos. Mas Bruno & Marrone já encontraram o deles há muito tempo. Eles são mestres no que fazem, e a fórmula sempre foi simples: Músicas boas, arranjos diferenciados das produções de Maluly e Dudu Borges, e aquela conexão única com o público. Hoje as pessoas saem do show reclamando dos arranjos em sertanejo universitário que algumas músicas já clássicas da dupla ganharam no último DVD de regravações. Se essas não agradaram por terem mexido com o que não precisava, o que dizer dos novos lançamentos? Uma música pior que a outra nos últimos anos, que dava pra fazer uma lista infinita de “Piores do Ano” como o Dudu Purcena faz.

Se a ideia é buscar inspiração em algo, que tal olhar pro Leonardo? Ele entendeu o jogo. Hoje, ele vive dos clássicos, lota shows, canta as mesmas músicas que o público ama desde os tempos de Leandro & Leonardo e de sua carreira solo que teve até momentos pop quando tentaram fazer dele o Ricky Martín brasileiro. Leonardo não grava nada novo e não tenta agradar um público que não é o dele. E sabe o que é mais interessante? Ninguém reclama, porque todo mundo sabe que é isso que se espera de um artista com uma carreira tão rica. Leonardo gravou um EP inédito em 2021. Mas alguém se lembra? Pois bem… Nem no repertório do show essas músicas devem ter entrado, porque ele tem repertório de sobra para horas de show sem ter que inventar moda. Recentemente, Leonardo declarou que não pretende gravar mais nada inédito em sua carreira. E ele está certo!

Bruno & Marrone têm um legado incrível, construído com trabalho duro e talento inquestionável. Não precisam correr atrás de tendências ou tentar agradar uma geração que provavelmente nunca vai se interessar pelo sertanejo deles. Músicas como “Namorando” ou “Nana” não fazem sucesso, nem quando vão pra rádio. O ouvinte liga nos programas pra pedir “Ligação Urbana”, de vinte anos atrás. O público fiel deles está ali, esperando por mais daqueles momentos mágicos que só eles sabem proporcionar nos shows com as guitarras do Márcio Kwen e o baixo do Giuliano Ferraz. As pessoas não querem hits descartáveis ou tentativas de viralizar no TikTok. O público de B&M quer as músicas que fazem parte da história que todos viveram ao som da dupla.

A verdade é que a grandeza de Bruno & Marrone está justamente no que eles já fizeram. O sonho de muitos é um projeto dos boleros gravados pela dupla, ou uma regravação daquele Acústico, mas sem arranjos de sertanejo modinha. Aproveitar o repertório onde se tem composições da Fátima Leão, do Elias Muniz, da parceria Bruno e Felipe (Falcão), do Luiz Cláudio e do Giuliano. Às vezes, o melhor caminho é olhar pra trás, valorizar o que já se construiu e continuar emocionando o público que sempre esteve ao lado deles desde os tempos da barraca Abobrão nas exposições agropecuária de Rio Verde. Afinal, pra quê mexer no que já é perfeito?

Fernanda Torres ou Demi Moore: Apenas!

Foto: Globoplay

Não menosprezando o trabalho de ninguém, mas o Oscar de Melhor Atriz deste 2025 precisa ser entregue a Demi Moore ou a Fernanda Torres. Hoje, a Academia nos presenteou com uma disputa que já nasce histórica!

Demi e Fernanda, duas atrizes que habitam universos tão distintos, encontram-se na mesma categoria, concorrendo ao Oscar de Melhor Atriz. Não é apenas um duelo de performances brilhantes – é um encontro entre estilos, culturas e formas de viver o cinema que nos prenderam em frente a grande tela.

Demi Moore ressurge nos holofotes como Elizabeth Sparkle em A Substância, uma obra carregada de simbolismos em um cenário distópico que utiliza o terror e a crítica ao mundo que vive buscando a beleza da juventude junto à inalcançavel perfeição. Elizabeth é uma personagem intensa, multifacetada, que traduz a fragilidade e a força de alguém que luta para sobreviver em um universo de glamour à beira do colapso.

Demi com sua atuação desconstrói sua imagem de estrela clássica de Hollywood, entregando uma interpretação visceral, crua e, ao mesmo tempo, profundamente delicada em relação a mulher que chega aos seus 50+. É uma daquelas atuações que permanecem conosco, ecoando muito depois que os créditos sobem. Caímos na real após processar tudo o que A Substância retrata. Não foi do dia pra noite que saímos dançando “Pump it Up” como a Sue…

Do outro lado da batalha pelo Oscar, temos Fernanda Torres em Ainda Estou Aqui, encarnando Eunice Paiva, uma figura real, profundamente ligada à história recente do Brasil em seus tempos obscuros de Ditadura Militar. Eunice carrega em si as dores e as lutas de um país inteiro, e Fernanda empresta sua sensibilidade única para traduzir isso em tela.

Há uma humanidade no olhar de Fernanda, uma entrega que transcende a técnica dirigida por Walter Salles. É impossível não sentir cada respiração, cada pausa, como se a dor e a resistência de Eunice fossem também as nossas. Fernanda diz muito no filme até mais com seu silêncio e expressões do que com suas falas. Isso é a essência de uma grande interpretação.

Embora venham de escolas diferentes – a grandiosidade do cinema hollywoodiano de um lado e a intensidade emocional do cinema brasileiro do outro – ambas atrizes exploraram temas universais: resistência, transformação, coragem para encarar seus desafios. Demi e Fernanda transcenderam suas próprias trajetórias, entregando interpretações que mostram o poder do cinema em nos fazer enxergar, refletir e sentir tudo que elas transmitem. Uma pena as duas estarem vivendo tudo isso no mesmo ano. Queríamos as duas com a estatueta mais desejada do cinema nas mãos.

Mas o Oscar nunca é apenas sobre quem vence; é sobre as histórias que ele traz à tona, as vozes que ele amplifica e coroa com sua nomeação. Hoje, Demi e Fernanda já escreveram seus nomes em uma página especial da história do cinema, independente do resultado. Mais do que uma disputa, o que temos aqui é a celebração de duas artistas em seu auge, cada uma, à sua maneira, nos lembrando por que amamos tanto a sétima arte.

Fernanda aos 59; e Demi aos 62, nos ensina tanto sobre viver um sonho no amadurecimento da vida, quando lá atrás diziam que se passar dos 30 sem conquistas estávamos acabados. Poxa, sério mesmo?! Nós, jovens, quando chegarmos lá, não teremos uma substância verde para aplicar e criarmos nossa melhor versão. A melhor versão que temos somos nós mesmos.

Por curiosidade, as duas trocaram telefone no Globo de Ouro. Já pensou se vem um trabalho internacional com essa dupla? Seja quem for a vencedora, o verdadeiro prêmio é nosso, por testemunhar tamanha genialidade no cinema e por termos a certeza que tudo tem seu tempo certo para acontecer!

Foto: TMZ