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Um Menottista e um Bilardista decidem o título do Apertura na Argentina

Eduardo Coudet e Ricardo Zielinski se enfrentam em duelo de tradicionais escolas do futebol argentino

Fotos: Clarín Deportes

A final do Apertura 2026 coloca frente a frente duas ideias muito diferentes de futebol argentino. De um lado, o River Plate de Eduardo Coudet, um técnico que chegou cercado de pressão para reconstruir um clube que viveu praticamente uma década sob a identidade de Marcelo Gallardo. Mesmo com aquele intervalo antes do retorno de Gallardo, o River continuou sendo associado ao estilo intenso, dominante e competitivo que marcou sua era mais vencedora. Coudet assumiu justamente a missão mais difícil possível: criar um novo River sem apagar completamente a herança deixada pelo antigo comandante. E, aos poucos, o time começa a ganhar os traços do treinador, ainda que existam ajustes técnicos importantes a serem encontrados.

O estilo de Eduardo Coudet conversa muito com a escola mais “menottista” do futebol argentino por conta de sua inspiração em Ramón Díaz. Não necessariamente no sentido ofensivo de jogo, mas na obsessão pela competitividade, pela intensidade e pela adaptação ao contexto do que faz em campo. O River atual é um time que pressiona baixo, tenta acelerar a circulação da bola e joga com muita agressividade sem ela. Ainda existe certa irregularidade, especialmente na organização defensiva e na definição do time ideal, mas o River já demonstra uma identidade em construção. E sem a pressão de disputar a Libertadores nesta temporada, já que está na Sul-Americana, o clube vê o Apertura como prioridade absoluta. Existe também um detalhe simbólico importante: Gallardo conquistou praticamente tudo pelo River, mas nunca levantou justamente o troféu do Apertura, algo que Martín Demichelis conseguiu em sua passagem pelo clube.

Do outro lado aparece o Belgrano, de Ricardo Zielinski, um técnico extremamente respeitado no futebol argentino pela capacidade de montar equipes competitivas e emocionalmente fortes. Zielinski já passou por clubes como Atlético Tucumán, Estudiantes de La Plata, Independiente, Lanús e o próprio Belgrano em outras oportunidades. Seu futebol se aproxima mais da escola “bilardista” no sentido de valorizar organização coletiva, leitura tática e inteligência emocional durante a partida mesmo colocando a defesa como principal protagonista no jogo. O Belgrano talvez não tenha o brilho técnico do River, mas compensa com entrega, disciplina e uma capacidade enorme de competir em qualquer cenário.

A campanha do Belgrano carrega também um peso simbólico dentro do futebol argentino. Durante boa parte do campeonato, o clube foi tratado como surpresa, quase como um intruso em meio aos gigantes de Buenos Aires. Mas a verdade é que a equipe de Córdoba construiu sua vaga com méritos absolutos. O time cresceu rodada após rodada, mostrou personalidade nos jogos decisivos e chega à final sem nenhum complexo de inferioridade. Existe no Belgrano uma representação muito forte do futebol do interior argentino, historicamente menosprezado pela centralização em Buenos Aires. E talvez isso transforme essa decisão em algo ainda maior para o clube e para sua torcida.

No domingo que vem, às 15h30 da tarde, no estádio Estádio Mario Alberto Kempes, a final promete ser também um choque de filosofias. O River de Coudet tentará impor intensidade, ritmo e pressão. O Belgrano de Zielinski apostará na competitividade, na concentração e na força coletiva. Mais do que uma disputa de elenco ou camisa, será uma decisão marcada pelo confronto entre duas maneiras muito argentinas de enxergar o futebol. E o Belgrano já mostrou ao longo deste Apertura que não chegou até aqui para apenas ser coadjuvante da decisão.

Fernanda Torres ou Demi Moore: Apenas!

Foto: Globoplay

Não menosprezando o trabalho de ninguém, mas o Oscar de Melhor Atriz deste 2025 precisa ser entregue a Demi Moore ou a Fernanda Torres. Hoje, a Academia nos presenteou com uma disputa que já nasce histórica!

Demi e Fernanda, duas atrizes que habitam universos tão distintos, encontram-se na mesma categoria, concorrendo ao Oscar de Melhor Atriz. Não é apenas um duelo de performances brilhantes – é um encontro entre estilos, culturas e formas de viver o cinema que nos prenderam em frente a grande tela.

Demi Moore ressurge nos holofotes como Elizabeth Sparkle em A Substância, uma obra carregada de simbolismos em um cenário distópico que utiliza o terror e a crítica ao mundo que vive buscando a beleza da juventude junto à inalcançavel perfeição. Elizabeth é uma personagem intensa, multifacetada, que traduz a fragilidade e a força de alguém que luta para sobreviver em um universo de glamour à beira do colapso.

Demi com sua atuação desconstrói sua imagem de estrela clássica de Hollywood, entregando uma interpretação visceral, crua e, ao mesmo tempo, profundamente delicada em relação a mulher que chega aos seus 50+. É uma daquelas atuações que permanecem conosco, ecoando muito depois que os créditos sobem. Caímos na real após processar tudo o que A Substância retrata. Não foi do dia pra noite que saímos dançando “Pump it Up” como a Sue…

Do outro lado da batalha pelo Oscar, temos Fernanda Torres em Ainda Estou Aqui, encarnando Eunice Paiva, uma figura real, profundamente ligada à história recente do Brasil em seus tempos obscuros de Ditadura Militar. Eunice carrega em si as dores e as lutas de um país inteiro, e Fernanda empresta sua sensibilidade única para traduzir isso em tela.

Há uma humanidade no olhar de Fernanda, uma entrega que transcende a técnica dirigida por Walter Salles. É impossível não sentir cada respiração, cada pausa, como se a dor e a resistência de Eunice fossem também as nossas. Fernanda diz muito no filme até mais com seu silêncio e expressões do que com suas falas. Isso é a essência de uma grande interpretação.

Embora venham de escolas diferentes – a grandiosidade do cinema hollywoodiano de um lado e a intensidade emocional do cinema brasileiro do outro – ambas atrizes exploraram temas universais: resistência, transformação, coragem para encarar seus desafios. Demi e Fernanda transcenderam suas próprias trajetórias, entregando interpretações que mostram o poder do cinema em nos fazer enxergar, refletir e sentir tudo que elas transmitem. Uma pena as duas estarem vivendo tudo isso no mesmo ano. Queríamos as duas com a estatueta mais desejada do cinema nas mãos.

Mas o Oscar nunca é apenas sobre quem vence; é sobre as histórias que ele traz à tona, as vozes que ele amplifica e coroa com sua nomeação. Hoje, Demi e Fernanda já escreveram seus nomes em uma página especial da história do cinema, independente do resultado. Mais do que uma disputa, o que temos aqui é a celebração de duas artistas em seu auge, cada uma, à sua maneira, nos lembrando por que amamos tanto a sétima arte.

Fernanda aos 59; e Demi aos 62, nos ensina tanto sobre viver um sonho no amadurecimento da vida, quando lá atrás diziam que se passar dos 30 sem conquistas estávamos acabados. Poxa, sério mesmo?! Nós, jovens, quando chegarmos lá, não teremos uma substância verde para aplicar e criarmos nossa melhor versão. A melhor versão que temos somos nós mesmos.

Por curiosidade, as duas trocaram telefone no Globo de Ouro. Já pensou se vem um trabalho internacional com essa dupla? Seja quem for a vencedora, o verdadeiro prêmio é nosso, por testemunhar tamanha genialidade no cinema e por termos a certeza que tudo tem seu tempo certo para acontecer!

Foto: TMZ

Oscar 2025 será no domingo de Carnaval: Programe-se!

Após a vitória de Fernanda Torres no Globo de Ouro, o Oscar 2025 é a edição mais aguardada dos últimos tempos pelos brasileiros. Neste ano, a maior festa do Cinema mundial vai acontecer no mesmo dia do Carnaval, a maior festa popular do país que arrasta multidões. E, se isso já seria curioso por si só, ainda temos outro ingrediente especial: a possibilidade de um filme brasileiro sair vencedor na premiação.

Ou seja, este é o tipo de domingo em que as paixões vão transbordar de todas as formas possíveis. Agora eu me pergunto: como é que a gente se prepara para isso? De um lado, temos as escolas de samba desfilando no auge de sua energia, com suas cores, histórias e ritmos pulsando no coração dos foliões. De outro, os fãs de cinema, vestidos de gala (ou pijamas), prontos para acompanhar cada premiação, torcer por seus favoritos e debater os discursos.

A torcida vai ser reforçada, pois além do filme “Ainda estou Aqui” concorrer nas mais importantes categorias, a atriz Fernanda Torres é uma das grandes favoritas para levar o Oscar. Mas o que fazer quando você é apaixonado por Carnaval e por Cinema? Bom, se tem uma coisa que brasileiro sabe fazer bem, é misturar as coisas e transformar em festa.

Hoje com os streamings nos ajuda a se dividir em uma programação que cai no mesmo horário. Quem quiser se dividir, vai conferir ao vivo o desfile das escolas de samba na Globo e no Globoplay. Já a premiação mais desejada do Cinema vai ser transmitida pelos canais Max e TNT.

No fundo, Carnaval e Oscar não são tão diferentes assim. Ambos contam histórias, emocionam, e refletem culturas. O Carnaval faz isso com seus sambas e enredos a cada ala das escolas. Enquanto o Cinema nos faz viajar com roteiros e performances nas telonas. Talvez o segredo seja aceitar que esse domingo será mesmo um espetáculo duplo, em que cada um escolhe sua forma de se emocionar.

E para compensar os domingos tediosos, 2025 nos presenteou com um domingo inusitado, uma espécie de mashup entre o Samba e o Cinema. Isso não podia ser mais brasileiro. Enquanto Hollywood aplaude, as baterias das escolas de samba também estarão ecoando. Seja nas arquibancadas do Sambódromo, seja no sofá de casa, esse dia promete ser histórico.

Aliás, o Carnaval de 2025 traz mudanças no regulamento das escolas de samba do Rio de Janeiro. Serão três noites de desfiles. No domingo junto ao Oscar, favoritas ao título como Viradouro e Imperatriz vão entrar na avenida.

A ordem dos desfiles do Rio de Janeiro será:

Domingo (2 de março):

1) Unidos de Padre Miguel

2) Imperatriz Leopoldinense

3) Unidos do Viradouro

4) Estação Primeira de Mangueira

Segunda (3 de março):

1)Unidos da Tijuca

2) Beija-Flor de Nilópolis

3) Acadêmicos do Salgueiro

4) Unidos de Vila Isabel 

Terça (4 de março):

1) Mocidade Independente de Padre Miguel

2) Paraíso do Tuiuti

3) Acadêmicos do Grande Rio

4) Portela 

Prepare a pipoca para o red-carpet e muita bebida para curtir esse domingo do maior espetáculo da terra, com uma pitada do glamour de Hollywood!

Foto: TurismoRJ