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Bira Haway será insubstituível no pagode

Produtor musical que revolucionou o gênero formou a trindade das produções, ao lado de Saccomani e Prateado

Foto: DVD Revelação – 30 anos

Bira Haway é um daqueles nomes que talvez não tenham sido sempre estampados na linha de frente dos palcos, mas sem os quais o pagode simplesmente não teria se tornado o que é hoje. Produtor musical lendário e intérprete de escola de samba, Bira foi um verdadeiro arquiteto de sonoridades. Morreu no dia 25 de janeiro deste ano, aos 74 anos, deixando um vazio difícil — para não dizer impossível — de ser preenchido. O pagode perde um de seus pilares mais sólidos, e o samba se despede de um artista completo, que entendia o gênero por dentro e por fora. Bira formou a grande tríade dos produtores do pagode, ao lado de Arnaldo Saccomani e Prateado.

Como produtor, Bira foi visionário. Ele ajudou a moldar a identidade sonora de grupos que se tornaram gigantes do pagode nacional, como Exaltasamba, Molejo, Soweto e Samprazer. Mais do que hits, ele criou caminhos: modernizou arranjos, trouxe balanço, identidade e profissionalismo a um gênero que ainda lutava por espaço e respeito no mercado musical brasileiro. Seu trabalho foi determinante para que o pagode deixasse de ser apenas um fenômeno de nicho e se tornasse um produto forte, popular e sustentável.

Talvez um de seus legados mais simbólicos seja a “revelação” — no sentido mais literal da palavra — do Grupo Revelação. Bira acreditou, apostou e ajudou a construir a trajetória de um dos grupos mais importantes do gênero. Não por acaso, esteve à frente da produção do DVD de 30 anos do grupo, lançado no ano passado, fechando um ciclo histórico com quem ajudou a colocar no mapa do pagode nacional. É aquele tipo de participação que atravessa décadas e permanece relevante do começo ao fim.

Um outro feito de Bira como produtor foi encontrar o grande sucesso do Soweto, enquanto selecionava repertório para o Exaltasamba. Ele ouviu “Farol das Estrelas”, fez Péricles gravar a guia e passado uns dias colocou a música para Belo gravar na banda. A música de Altay Veloso e Paulo Cesar Feital, deu nome ao disco e se tornou um dos maiores hinos do pagode 90. Coisas assim, só um felling apurado como o dele conseguiria ser capaz.

Fora dos estúdios, Bira Haway também brilhou como cantor e intérprete de escola de samba. Foi a voz da Estácio de Sá no primeiro ano de Mestre Ciça como mestre de bateria, mostrando que sua musicalidade não conhecia fronteiras entre samba e pagode. Seu trabalho foi inestimável para a consolidação do gênero no Brasil. Bira não foi apenas importante — ele foi essencial. E por tudo o que construiu, influenciou e deixou, pode-se dizer sem exagero: Bira Haway é insubstituível. Fique com a entrevista especial que ele concedeu para o Leandro Brito no principal podcast de pagode do país.