Tag: Atemporal Calcinha Preta

“Atemporal” reposiciona Calcinha Preta como a maior banda de Forró do mundo

Foto: Reprodução

Calcinha Preta não é apenas uma banda, é um símbolo do Nordeste que conquistou o Brasil. Desde sua criação em 1995, o grupo tem marcado gerações e se consolidado como um verdadeiro patrimônio da música nacional. Com sua mistura inconfundível de talento, carisma e paixão, a banda elevou o patamar do forró a níveis nunca antes alcançados, conquistando o coração de milhões e se tornando, indiscutivelmente, a maior banda de forró do Brasil e do planeta.

Uma vez ouvi uma entrevista do Pinha Presidente, membro histórico do Exaltasamba. Ele foi perguntado pelo Leandro Brito em seu podcast sobre quem era a maior banda de pagode da história. Pinha explicou que o Fundo de Quintal é a escola de todos, mas a banda que mudou tudo foi o Raça Negra. Segundo Pinha, o pagode antes não era respeitado e não tinha estrutura para cantar nos eventos, o cachê ainda era baixo e todavia faziam gravações mais precárias devido a falta de investimento e atenção do mercado musical. O Raça Negra é a maior banda de pagode do mundo, pois conseguiu dar ao seu gênero a revolução e inovação que precisava para fazer história abrindo portas nunca imaginadas antes. Tudo isso, com a mesma importância e proporção, a banda Calcinha Preta fez no forró.

O DVD “Atemporal” lançado em 2024 é uma obra-prima que celebra todo esse legado. Mais do que um registro audiovisual, é uma experiência transformadora para cada fã que viu os auges e os momentos difíceis da banda em três décadas de história. Ele nos transporta para os grandes sucessos interpretados por Daniel Diau, Silvânia Aquino, Bell Oliver (meu crush) e Paulinha Abelha, agora com músicas muito bem interpretadas por O’hara Ravick, que com seu talento conquistou seu lugar sem roubar o de ninguém. O que deixa o “Atemporal” ainda mais especial são as participações de Marlus, Raied Neto e Berg Rabelo.

A energia da banda toma conta e cada nota é um convite à emoção. Relembramos composições de Chrystian Lima e Beto Caju nas vozes de cada intérprete que construiu esse legado da banda, abençoado pela màgica que acontece em Salvador. Lá foi onde tudo começou quando a banda em 2004 gravou o primeiro DVD ao vivo da história do forró. As referências ao primeiro ao vivo são icônicas, como o figurino do balé, inclusive aquele vermelho homenageando Paulinha na música “Furunfa”. Tinha que ser ali, vinte anos depois o capítulo que consolida a trajetória da Calcinha Preta. Nesse álbum, as vozes marcantes, as coreografias que todos sabem de cor e o poder do forró se unem para criar todo o momento atemporal que a banda vive hoje.

Com suas letras que narram histórias de amor, dor, romatismo, felicidade e celebração, a Calcinha Preta cravou seu nome como um patrimônio histórico. Além de seus feitos que dominaram o Brasil, momentos que na época foram de muita alegria para a banda, hoje se fazem inesquecíveis para o forró. Em 2010 a banda venceu o prêmio “Melhores do Ano” com a canção ‘Você não vale nada’, derrotando Maria Gadú e Victor & Léo no programa de maior audiência na TV daquela época: Domingão do Faustão. Olhar aquela vitória hoje em dia traz algo ainda mais significativo para o forró, para o Nordeste e para a história da Calcinha Preta.

Mais do que música, a Calcinha Preta é cultura, é resistência e é um movimento que carrega as raízes do Nordeste para o mundo. O DVD é a prova de que o legado da banda transcende o tempo, reafirmando seu papel como um fenômeno cultural capaz de unir gerações. O visual que vai do imenso palco às imagens incríveis, contrastando com os figurinos dos vocalistas e do balé deixou o projeto bilhante. Tudo isso ficou ainda melhor com o “Festival Atemporal” que a banda está levando para as capitais brasileiras.

Por tudo isso, a Calcinha Preta merece ser exaltada como o Pinha do Exalta exalta o Raça Negra – ficou redundante, eu sei. Não sou tão boa com as palavras como Chrystian Lima que escreve “Cobertor” depois de um sonho. A história da Calcinha Preta é motivo de orgulho, e seu impacto é algo indescritível. Dos arranjos de guitarra que mais parecem uma banda de heavy metal ao marcante violão, a sonoridade da Calcinha é um legado irretocável na música nacional. O “Atemporal” é uma joia que reafirma a grandiosidade da banda e mantém viva a essência verdadeira do forró. Enquanto houver Calcinha Preta, haverá música que emociona, conecta e celebra a vida.

Para conferir o álbum completo em suas 27 faixas de muita história, recomendo a Deezer. Além do “Atemporal”, as melhores playlists de forró estão na plataforma: Ouça aqui!