Riquinho: O gênio do pagode que partiu cedo demais

O pagode dos anos 90 foi marcado por uma geração de talentosos compositores e intérpretes que ajudaram a consolidar o gênero no Brasil. Entre esses nomes, um dos mais brilhantes foi Riquinho, compositor de grande sensibilidade e criatividade, responsável por sucessos que embalaram e ainda embalam rodas de samba e pagodes por todo o país. Infelizmente, sua carreira foi interrompida precocemente, aos 24 anos. Mas ele deixou uma marca que é lembrada por poucos, mas reconhecida em qualquer repertório do pagode romântico.

Desde muito jovem, Riquinho demonstrou talento para a música. Sua habilidade para compor letras envolventes e melodias marcantes fez com que ele se destacasse rapidamente no meio musical. Seu nome passou a ser sinônimo de qualidade e inovação no pagode, um estilo que vivia um verdadeiro auge nos anos 90. Sua mãe, dona Edna, conta que ele vivia com pressa de tudo. Parece que ele sentia que teria um propósito importante na vida, mas ao mesmo tempo, rápido como uma estrela cadente.

Com influências que iam do samba raiz ao pagode romântico, suas composições traziam letras que falavam de amor, desilusões e a alegria da vida boêmia, conquistando uma legião de fãs e sendo gravadas por diversos grupos e artistas do gênero. Seu faro para grandes hits o tornou um dos compositores mais requisitados da época, ao lado de um dos principais parceiros de composição, André Renato.

“Alô Som” e o sucesso nas composições

Riquinho teve uma forte ligação com o grupo Alô Som, um dos grandes nomes do pagode romântico nos anos 90. Suas composições ajudaram a consolidar o grupo no cenário musical, tornando-se verdadeiros hinos do gênero. O Alô Som, assim como outros grupos da época, soube interpretar com maestria as canções de Riquinho, transformando-as em sucessos que marcaram época. Muitas bandas beberam dessa fonte nos anos seguintes, fazendo sucesso regravando parte desse repertório.

Além do Alô Som, as músicas de Riquinho foram gravadas por diversos artistas de renome do pagode, garantindo que seu talento fosse reconhecido e sua obra se perpetuasse mesmo após sua partida. Uma das mais especiais foi a “Nosso Grito”, com o Fundo de Quintal. Suas letras, muitas vezes carregadas de emoção e histórias do cotidiano, bateram no carisma do público, tornando-se inconfundíveis.

(Riquinho à esquerda, ao lado do compositor Lincoln de Lima)

Sucessos como “Não pedi pra me Apaixonar”, “A gente já não Rola”, “Supera”, “Ainda gosto de Você”, “Pela Vida Inteira”, “Você me Maltrata”, “E agora”, “Até Encontrar”, “Pra Sempre”, “Não tive a Intenção”, “Pago pra Ver”, “Cadê Você”; marcam a história do pagode até hoje. Mesmo tendo tantos compositores bons na caneta, muitos dizem que igual ao Riquinho ninguém de sua geração chegou perto do que ele fazia.

Infelizmente, a trajetória promissora de Riquinho foi interrompida de forma trágica em 2000. O compositor faleceu vítima de um acidente de carro, com apenas 24 anos, deixando o mundo do pagode órfão de um de seus maiores talentos que estava saindo dos bastidores para ganhar os palcos. Sua morte precoce gerou grande comoção no meio musical e entre os fãs, que reconheciam nele um artista singular, capaz de traduzir sentimentos em melodias inesquecíveis.

Mesmo com uma carreira curta, Riquinho deixou um legado que segue vivo até hoje em cada esquina. Suas músicas continuam sendo lembradas, regravadas e cantadas por novas gerações de pagodeiros, mantendo seu nome presente na história da música brasileira. E sua mensagem, mesmo após tantos anos de sua partida, ainda é muito atual.

O talento de Riquinho foi um daqueles que surgem raramente. Seu dom para a composição fez com que ele deixasse uma marca indelével no pagode, um estilo que continua evoluindo, mas que sempre terá nele uma de suas referências mais importantes. Ele tão jovem conseguiu trazer maturidade ao pagode nos anos 2000, que deu sequência aos dourados anos 90 do gênero.

Há um tempo atrás, pouco acervo se tinha da história de Riquinho. Mas sua mãe deu uma linda entrevista para o canal de Leandro Brito, que a visitou na casa onde Riquinho compôs seus maiores sucessos. Confere aqui e se emocione tanto quanto todos nós que assistimos: História de Riquinho por Edna Só!

Embora tenha partido cedo demais, sua música segue viva, provando que grandes artistas nunca são esquecidos. O pagode deve muito a Riquinho, e seu legado continua a emocionar e embalar aqueles que apreciam um bom samba e a poesia de suas letras. Que ele seja mais celebrado por nossa geração e outras futuras, sendo eterno com suas obras.

Após 2ª temporada sem conclusão, Round 6 tem data para final da trama

A segunda temporada de “Round 6” estreou em 26 de dezembro de 2024, dando continuidade à história de Gi-hun e aprofundando os mistérios dos jogos mortais. Com sete episódios, a temporada foi bem recebida pelo público, acumulando 68 milhões de visualizações e mais de 487 milhões de horas assistidas em 93 países. A narrativa trouxe novas dinâmicas e desafios, mantendo os espectadores engajados e ansiosos pelo desfecho da trama.

A recepção crítica também foi positiva, destacando o desenvolvimento dos personagens e a complexidade da trama. A série continuou a explorar temas como desigualdade social e moralidade, elementos que contribuíram para seu sucesso global. Os fãs elogiaram a capacidade da série de surpreender e provocar reflexões profundas, consolidando “Round 6” como um fenômeno cultural. Ao mesmo tempo, ficou sem conclusão, deixando toda resolução da trama para daqui alguns meses.

A terceira e última temporada de “Round 6” foi anunciada para estrear em 27 de junho de 2025, conforme divulgação da Netflix Coreia. O criador da série, Hwang Dong-hyuk, revelou que Gi-hun enfrentará uma crise emocional e psicológica após os acontecimentos da 2ª temporada. A narrativa promete aprofundar os dilemas morais do protagonista, questionando se ele desistirá ou persistirá em sua missão de expor os responsáveis pelos jogos. Ou se irá se tornar um deles…

Além de Gi-hun, personagens importantes retornarão, como o Líder e o detetive Hwang Jun-ho. A temporada final buscará resolver os mistérios deixados em aberto, oferecendo um encerramento satisfatório para a jornada dos personagens. Espera-se que a série mantenha sua abordagem crítica, explorando as pressões sociais e os dilemas éticos enfrentados pelos participantes dos jogos.

Com a proximidade da data de lançamento, que antes era especulada para somente o fim do ano, a expectativa dos fãs aumenta para descobrir como “Round 6” concluirá sua envolvente história. A série que se tornou um marco na cultura pop, rompendo a bolha asiática ao ser sucesso no mundo todo, promete um desfecho emocionante e reflexivo com os temas que a tornaram um éxito mundial. Estamos prontos!

Christian Fittipaldi fará função de Toto Wolff ao assumir Scuderia Bandeiras na Stock Car

A Scuderia Bandeiras, equipe de Átila Abreu que estreia no grid da Stock Car a partir da temporada 2025, anunciou nesta semana uma contratação de peso para o comando da equipe: Christian Fittipaldi. Ele será o chefe do time, fazendo uma função de Toto Wolff. Ou como ele disse durante o Pelas Pistas, prefere o xará, Christian Horner. A escolha do ex-piloto traz não apenas experiência, mas também uma visão estratégica diferenciada para a equipe, que chega à categoria com dois carros Mitsubishi e dois Chevrolet, tendo no elenco de pilotos Átila Abreu, Enzo Elias, Nelsinho Piquet e Vicente Orige.

Christian Fittipaldi tem um currículo impressionante na carreira. Filho do ex-piloto Wilson Fittipaldi e sobrinho do bicampeão da Fórmula 1, Emerson Fittipaldi, ele fez carreira no automobilismo internacional, passando por categorias como a Fórmula 1, IndyCar e Endurance. Nessa trajetória, a gente teve a chance de vê-lo várias vezes com “aquele cabelo” como diz o amigo Tony Kanaan quando tirava o capacete.

Na Fórmula 1, Christian correu entre 1992 e 1994 pelas equipes Minardi e Footwork. Apesar de pilotar carros pouco competitivos, mostrou talento e determinação, conquistando pontos importantes e deixando uma boa impressão no grid. Nos anos que esteve por lá, conviveu com o amigo Rubens Barrichello e com Ayrton Senna. Inclusive, os três tiveram um famoso jantar que terminou no carro alugado de Rubens todo batido por Ayrton na porta do restaurante.

Após sua passagem pela F1, Christian migrou para os Estados Unidos, onde brilhou na IndyCar, vencendo corridas e tornando-se um dos brasileiros mais respeitados da categoria. No endurance, Christian construiu um legado ainda mais forte, com três títulos no IMSA WeatherTech SportsCar Championship e vitórias em provas icônicas como as 24 Horas de Daytona, consolidando-se como um dos grandes nomes das corridas de longa duração.

Foto: Reprodução / Interlagos, 1993

Agora, Christian assume um novo papel no automobilismo: o de chefe de equipe. Com sua vasta experiência dentro e fora das pistas, ele terá a missão de liderar um time promissor na Stock Car, uma das categorias mais competitivas do mundo. Com Átila, Enzo Elias, Nelsinho e Vicente, a Scuderia Bandeiras entra na disputa com um elenco forte e diversificado, que terá tempo para se moldar até sua estreia em maio.

Átila Abreu, além de dono da equipe, é um dos pilotos mais experientes do grid e busca consolidar sua trajetória com o novo time. Enzo Elias, jovem talento vindo do Porsche Cup Brasil, representa a renovação e o futuro da categoria. Nelsinho Piquet, campeão da Fórmula E e ex-Fórmula 1, traz seu estilo agressivo e competitivo para a equipe (essa que deve ser o melhor time para o qual ele irá correr na Stock até agora). Já Vicente Orige, campeão da Copa HB20 e piloto de sucesso em categorias de turismo, completa o quarteto com sua habilidade e consistência.

Com dois carros Mitsubishi e dois Chevrolet, a equipe terá o desafio de desenvolver ambos os modelos e buscar resultados desde o começo da temporada, para chegar ao fim do ano com chances de títulos. Com Christian Fittipaldi no comando, a expectativa é que a Scuderia Bandeiras chegue com força e brigue entre os times de ponta da Stock Car.

Além dos autódromos: O sucesso do podcast Pelas Pistas

Mesmo assumindo a chefia da equipe, Christian continuará ativo no mundo do automobilismo de outra forma: como um dos apresentadores do podcast Pelas Pistas, ao lado de Nelsinho Piquet e Thiago Alves. Exibido toda terça-feira a noite, o programa já se tornou o melhor podcast de automobilismo do Brasil, trazendo análises detalhadas, bastidores exclusivos e debates de alto nível sobre o mundo das corridas. O canal chegou aos 100 mil inscritos recentemente.

(Meme do Tony imitando o Christian durante o podcast ‘Pelas Pistas’)

Com a estreia de Christian ao comando da Scuderia Bandeiras, o podcast ganha ainda mais conteúdo de primeira mão sobre os bastidores da Stock Car. Por anos, os fãs da velocidade buscaram por um podcast que tinha algo realmente interessante e diferente para mostrar. A criação do Pelas Pistas foi um grande presente nesse meio dos podcast’s, em especial no ramo do automobilismo. Desde então, todas as terças se tornaram os melhores dias da semana pelas conversas que vemos entre Thiago, Christian e Nelsinho.

A temporada 2025 promete ser histórica para a Stock, principal categoria do automobilismo nacional. Com a chegada Christian Fittipaldi no comando da Scuderia Bandeiras, o campeonato ganha ainda mais competitividade e prestígio. As corridas brasileiras seguem vivendo grandes momentos, e os fãs podem esperar um espetáculo dentro e fora das pistas.

Matías Canapino: A nova estrela da Turismo Carretera

Com apenas 24 anos, Matías Canapino fará sua estreia na Turismo Carretera em grande estilo, pilotando um Chevrolet Camaro novinho em folha que será construído pela equipe RUS Med Team. E olha só: ele chega carregando um legado enorme, com uma história cheia de emoção e significado.

Para quem não conhece, Matías é natural de Arrecifes, a cidade que respira velocidade e já deu ao mundo do automobilismo vários talentos incríveis. Ele subiu para a TC por mérito esportivo, o que por si só já é um feito gigante, e teve a oportunidade de escolher com qual marca faria sua estreia. Depois de algumas idas e vindas, foi autorizado pela ACTC a começar sua jornada com a Chevrolet – uma marca que está no DNA dos Canapino.

Mas atenção: essa autorização é só para 2025. No ano seguinte, ele terá que pilotar por uma marca que não seja Ford ou Chevrolet, seguindo as regras do campeonato. Então, a gente já sabe: 2025 promete ser especial e simbólico para Matías, que quer deixar sua marca logo no primeiro ano.

Assunto de família

Falar de Matías é impossível sem lembrar do irmão dele, Agustín Canapino, um dos maiores nomes do automobilismo argentino. E, claro, do pai deles, Alberto Canapino, uma verdadeira lenda, responsável por construir carros que dominaram as pistas por décadas.

Alberto faleceu em 2021, mas o impacto dele continua vivo em tudo o que Matías e Agustín fazem. E tem um detalhe que emociona: o carro que Matías pilotou na TC Pista foi o último que Alberto construiu. Com esse mesmo Chevrolet, Agustín conquistou seu 4º título na Turismo Carretera, lá em 2019. Agora, é Matías quem dá continuidade a essa história, carregando o nome da família para a categoria mais importante do automobilismo argentino.

Matías chega ao TC com um currículo sólido. Em suas quatro temporadas no TC Pista, disputou 60 corridas e acumulou conquistas que mostram o quanto ele é promissor:

• 2 vitórias em finais,

• 6 vitórias em séries,

• 3 pole positions,

• 6 pódios e

• 1 volta mais rápida.

Em 2024, ele terminou o campeonato do TC Pista em 5º lugar e ainda se classificou para a Copa de Prata, conquistando uma vitória. Não é pouca coisa!

Preparação para 2025

A estreia de Matías na Turismo Carretera já tem data marcada: dia 16 de fevereiro, na primeira etapa do campeonato, em Viedma. A equipe RUS Med Team, liderada por Mauro Medina, está correndo contra o relógio para preparar o Chevrolet Camaro NG (nova geração) que será usado pelo piloto. A construção do carro começou no dia 16 de dezembro e, como não poderia ser diferente, o motor terá a assinatura de Lucas Alonso – o mesmo responsável pelos motores do irmão Agustín.

O que mais encanta na história de Matías Canapino é ver como ele equilibra o peso de um legado tão importante com a vontade de criar sua própria trajetória. Ele não é apenas “o irmão de Agustín” ou “o filho de Alberto” – Matías está construindo sua identidade nas pistas com muita dedicação e talento.

Então, se você é fã de automobilismo e adora boas histórias, fique de olho nessa nova fase dos Canapino. A estreia de Matías na Carretera promete ser um evento emocionante – não só para ele, mas para todos que acompanham o esporte e entendem o que essa família representa para o automobilismo argentino.

Turismo Carretera terá primeira largada em Viedma

Se tem um jeito bom de começar uma temporada da Turismo Carretera, é com corrida em Viedma. O autódromo da cidade, conhecido como Autódromo Ciudad de Viedma, é daqueles que fazem qualquer fã de automobilismo sorrir à toa. A pista é bonita, bem cuidada e sempre entrega boas disputas. Não à toa, está entre as favoritas de muitos pilotos e torcedores.

A largada da temporada por lá é sempre um evento à parte. O calor da Patagônia argentina nessa época do ano deixa tudo ainda mais intenso – tanto dentro da pista, com os motores roncando forte, quanto fora dela, onde o público faz a festa. Quem já foi sabe: Viedma recebe os fãs da Turismo Carretera de braços abertos.

E para quem vai acompanhar a etapa e quer aproveitar um pouco da cidade, tem coisa boa pra fazer. O rio Negro, que corta Viedma, é um ótimo lugar para dar uma pausa na correria e curtir uma vista bonita. Quem gosta de praia pode dar um pulo em El Cóndor, que tem aquelas paisagens que parecem ter saído de cartão-postal. Já os apaixonados por comida podem experimentar bons assados e empanadas pelos restaurantes locais.

Se a ideia é curtir o fim de semana inteiro, dá até para atravessar a ponte e conhecer Carmen de Patagones, que tem aquele charme de cidade histórica e um clima bem tranquilo. No fim das contas, Viedma é o pacote completo: corrida boa, ambiente incrível e opções para aproveitar a viagem. Um ótimo lugar para dar a largada em mais uma temporada da Turismo Carretera.

A temporada 2025 do Turismo Carretera promete ser emocionante, com o retorno de pilotos de destaque como Matías Rossi e Luis José “Josito” Di Palma. Rossi, campeão de 2014, volta à categoria com a equipe Pradecon Racing, enquanto Di Palma competirá com um Chevrolet Camaro do RUS MED Team. Além deles, novos talentos como Hernán Palazzo e Jeremías Olmedo ascendem à categoria principal, aumentando a competitividade do grid. 

As disputas entre as tradicionais marcas Ford, Chevrolet, Dodge e Torino continuam a ser o centro das atenções, com a adição da Toyota e seu modelo Camry, que estreou recentemente na categoria. A diversidade de fabricantes e modelos promete corridas acirradas e imprevisíveis, mantendo os fãs ansiosos para ver quem se destacará nesta temporada. 

“Conclave” é favoritaço ao Oscar?

Conclave” é uma obra de suspense dirigida por Edward Berger, baseada no romance homônimo de Robert Harris. A trama se desenrola após a morte inesperada do Papa, quando o Cardeal Lawrence, interpretado por Ralph Fiennes, é encarregado de organizar o conclave para eleger o novo líder da Igreja Católica. À medida que as intrigas políticas dentro do Vaticano se intensificam, Lawrence descobre segredos ocultos que podem mudar o rumo da eleição papal.

O elenco é composto por atores renomados, incluindo Stanley Tucci (eterno diretor da Runway de Miranda Priestly), John Lithgow, Isabella Rossellini e Lucian Msamati, que entregam performances marcantes, enriquecendo a narrativa com profundidade e complexidade que esse filme carrega. Fiennes, como protagonista, transmite uma dualidade fascinante: ao mesmo tempo em que mantém a compostura e a devoção esperadas de um cardeal, sua expressão revela um homem atormentado por dúvidas e dilemas éticos. Tucci e Lithgow, por sua vez, brilham em papéis que adicionam camadas à disputa política dentro da Santa Sé.

A direção de Edward Berger é precisa e envolvente. Ele consegue transformar um cenário essencialmente estático — as paredes solenes do Vaticano — em um palco de tensão crescente, onde cada olhar e cada palavra dita (ou não dita) carrega um peso significativo. A maneira como Berger conduz o suspense é digna de comparação com clássicos do gênero, tornando a experiência cinematográfica eletrizante, mesmo sem recorrer a exageros dramáticos.

Um dos grandes trunfos do filme é sua fotografia, que impressiona ao capturar tanto a grandiosidade da Basílica de São Pedro quanto a claustrofobia dos aposentos onde os cardeais deliberam. A iluminação sutil, muitas vezes evocando a luz de velas e reflexos dourados, reforça o clima solene e misterioso da narrativa. Cada enquadramento parece uma pintura renascentista, remetendo às obras de Caravaggio e Rembrandt, o que amplifica a sensação de que estamos testemunhando um evento histórico de magnitude épica. Surpreendentemente, a fotografia de “Conclave” não foi indicada ao Oscar, uma omissão difícil de justificar, considerando seu impacto visual e a riqueza estética que adiciona à trama.

Desde sua estreia no Festival de Telluride, “Conclave” tem sido aclamado pela crítica. Além disso, foi reconhecido pelo National Board of Review como um dos Top 10 Filmes do ano e recebeu o prêmio de Melhor Elenco. A produção oferece uma visão intrigante dos bastidores do Vaticano, explorando temas de poder, fé e moralidade, mantendo o espectador envolvido do início ao fim.

É um filme que não apenas entretém, mas também faz refletir sobre as complexidades das instituições e a natureza humana. Durante uma entrevista realizada no fim do ano passado para o site Hammer To Nail, Berger compartilhou detalhes do processo criativo de “Conclave”, revelando de onde saiu a ideia de adaptar a trama:

“A ideia para a adaptação surgiu de uma conversa que tive com Tessa Ross, a produtora; eu a conheci talvez sete anos atrás. E decidimos, ‘OK, vamos tentar encontrar o filme certo juntos.’ Ela tinha me enviado algumas coisas que eu achava que não eram certas – ou que eu não era certo para elas. E então, ela me ligou um dia e disse: ‘Eu tenho essa ideia e esse livro que é opcional.” E eu disse, “Sim, quem vai escrever o roteiro?” E ela disse: ‘Peter Straughan’”, contou Berger.

“E eu disse: ‘Peter Straughan é o melhor escritor do mundo.’ Porque o que ele faz é criar um tipo maravilhoso de enredo, como uma história de virar a página com muitas reviravoltas. Mas também, sempre há algo mais profundo por baixo, um motivo do porquê estamos fazendo o filme; uma alma para o filme, como um arco interno. Neste caso, é o arco interno de dúvida do personagem de Ralph Fiennes. Você conhece aquele sentimento de ser oprimido pela dúvida e se sentir liberto por ela. Isso me fez querer fazer o filme, seu discurso sobre a dúvida, basicamente.”, completa.

Portanto, “Conclave” surpreende ao entregar uma narrativa envolvente, atuações excepcionais e uma fotografia de tirar o fôlego até seu final arrebatador. Com sua abordagem única e execução impecável, é um forte candidato ao Oscar, merecendo o reconhecimento em diversas categorias e principalmente na de Melhor Filme. Até porque, ele se mostra o grande favorito da lista no momento e tem pontos parecidos com o vencedor de 2016, SpotlightSegredos Revelados.