Vila Isabel e Beija-Flor saem na frente no quesito samba-enredo para o Carnaval 2026

Safra de bons enredos vem decepcionando nas escolhas dos sambas. Muita escola fará o povo dormir na avenida

Foto: Liesa

Os sambas-enredo para o Carnaval do Rio de Janeiro 2026 estão sendo anunciados, mas a safra vem decepcionando. Alguns sambas não empolgaram até então, com obras abaixo da média e que não corresponderam ao potencial dos enredos escolhidos. A sensação é de que as escolas não conseguiram transformar boas ideias em músicas que realmente traduzam emoção e força para a avenida. É um cenário fraco para o próximo ano, que preocupa quem espera 12 meses por um desfile marcado pela potência musical que sempre foi característica do carnaval carioca.

Nesse contexto, apenas duas escolas despontam de verdade: Vila Isabel e Beija-Flor de Nilópolis. Ambas largaram na frente no quesito samba-enredo, se destacando num mar de obras esquecíveis. Enquanto as demais ainda parecem buscar identidade e firmeza em suas escolhas erradas, essas duas escolas já mostraram consistência e entregaram sambas que caíram no gosto do público e ganharam corpo desde as primeiras apresentações.

O caso da Vila Isabel é especial: seu samba conquistou de imediato. Desde a primeira audição, ficou claro que a obra tinha alma, tinha força e tinha o povo do seu lado. É aquele samba que ecoa fora dos muros da quadra e se espalha naturalmente, algo raro nesta temporada. É o samba candidato a sair da bolha em 2026. Já a Beija-Flor, com sua conhecida competência, fez ajustes e junções que resultaram em um samba com cara de bicampeão. E só no primeiro ensaio com seus intérpretes que vão estrear na avenida sem Neguinho da Beija-Flor pela primeira vez, a escola já transmitiu a aura de quem briga por um bicampeonato — uma atmosfera que só a Beija-Flor consegue criar em seu terreiro de Laíla.

Diante desse quadro, a conclusão é inevitável: a Vila Isabel tem o samba do ano. É a obra mais vibrante, mais popular e mais comentada. É o samba que já nasce com status de favorito. Por enquanto, a Vila é a escola a ser batida no Carnaval de 2026, principalmente pela dupla de carnavalescos que comanda o enredo deste ano. A Beija-Flor corre logo atrás, com uma força que pode surpreender na avenida e um enredo cheio de energias positivas. As demais, infelizmente, ficam em dívida com o público, deixando a sensação de que poderiam ter entregue muito mais do que apresentaram.

Ne Zha 2: Ação, mística e emoção justificam a maior bilheteria do ano

Animação entra na briga com Demon Slayer pelo Oscar 2026 e coloca o Oriente como novo polo do cinema internacional

Foto: A2

É impossível sair de Ne Zha 2: O Renascer da Alma – sem a sensação de ter visto algo grandioso. A sequência do fenômeno de 2019 não só supera o primeiro filme, como coloca a animação chinesa em um patamar que antes parecia exclusivo da Pixar ou da DreamWorks. O filme é vibrante, cheio de ação, mas, acima de tudo, profundamente emocionante. É daquelas histórias que fazem você esquecer que está diante de uma “animação” — e isso justifica totalmente a liderança absoluta nas bilheterias mundiais em 2025.

O mais fascinante é como Ne Zha 2 consegue equilibrar espetáculo visual com densidade dramática. Cada batalha é explosiva, mas nunca gratuita; tudo tem um peso emocional que prende o espectador. Ne Zha e Ao Bing não são apenas heróis mitológicos: são personagens complexos, que lidam com dilemas universais como destino, amizade e sacrifício. Essa camada extra é o que separa um bom filme de uma obra memorável.

E se olharmos para o cenário internacional, o impacto é ainda maior. Ne Zha 2 não está apenas quebrando recordes de bilheteria, mas também derrubando a ideia de que só Hollywood sabe contar histórias globais. É um sopro de novidade em um ano em que as animações ocidentais não entregaram muito. E, cá entre nós, o Oscar nunca precisou tanto de um título fora da caixa como agora. Em uma temporada fraca para o gênero, a força e a originalidade dessa produção chinesa a tornam uma das candidatas mais fortes à estatueta. Claro que o concorrente à altura, Demon Slayer, estará colado ali.

No fim, Ne Zha 2 é mais que um sucesso: é um marco cultural. A prova de que a animação pode ser épica, poética e universal ao mesmo tempo. Se você gosta de cinema que emociona e impressiona, precisa ver. O Oriente está se conectando com o Ocidente cada vez mais pelo cinema. A liderança mundial não veio por acaso — veio porque a sequência de Ne Zha é, sem exagero, um dos filmes mais impactantes do ano.

Tiago Nunes quer repetir feito de Bauza com a LDU na Libertadores

Trabalho do técnico brasileiro tem pontos em conum com DT argentino, campeão da América em 2008 junto ao time equatoriano

Foto: LDU/@Libertadores

A LDU de Quito fez história em 2008, ao conquistar a América sob o comando de Edgardo “Patón” Bauza. A equipe equatoriana não apenas quebrou barreiras geográficas, como também provou a força de um projeto ousado, liderado por um treinador que sempre acreditou na escola menottista: futebol ofensivo, corajoso e de imposição. Naquela Libertadores, a LDU mostrou que não se intimidava diante de gigantes, vencendo o Fluminense em pleno Maracanã e entrando para a galeria dos campeões continentais de forma épica.

Quase duas décadas depois, a história parece se repetir. Ontem, a LDU voltou a viver uma noite mágica ao eliminar o São Paulo no Morumbi pela Libertadores, agora sob o comando do técnico brasileiro Tiago Nunes. A equipe já havia eliminado o Botafogo nas oitavas de final. Assim como Bauza, Nunes carrega a essência do pensamento menottista, que valoriza a construção de jogo, a busca pela posse de bola e a ideia de que atacar é o melhor caminho para se impor. Contra o Tricolor, a LDU mostrou maturidade, disciplina e, ao mesmo tempo, personalidade para segurar a pressão de mais de 50 mil torcedores e 26 finalizações do ataque moldado pelo técnico Hernán Crespo.

A conexão entre Bauza e Tiago Nunes vai além da coincidência de títulos ou classificações marcantes. Ambos representam uma linhagem de técnicos que priorizam o espetáculo sem abrir mão da competitividade. A LDU de Bauza encantava pela ousadia e coragem, enquanto a de Tiago Nunes impressiona pela organização e intensidade nas jogadas que decidem jogos. Dois estilos diferentes, mas unidos pela mesma raiz filosófica: a crença de que o futebol pode ser inteso, defensivo e vencedor ao mesmo tempo.

Se em 2008 a LDU surpreendeu o continente com sua conquista inédita, hoje ela se reafirma como protagonista do Equador. País este que quer a vaga definitiva de terceira força da América, já que seus vizinhos estão deixando esse posto passar. A camisa que Bauza ajudou a tornar histórica segue aprontando seus feitos, agora guiada pelas mãos de um brasileiro que bebe da mesma fonte futebolística sonhando em repetir o feito. E a América, mais uma vez, precisa olhar para Quito com respeito e admiração.

Foto: Clarín Deportes

Série sobre o legado de Chico Anysio, maior humorista do país, estreia no Globoplay

Foto/Reprodução: Globoplay

Desde sua origem humilde em Maranguape (Ceará), Chico Anysio construiu uma carreira que ultrapassou fronteiras do riso fácil para se tornar uma referência artística multifacetada. Ele criou centenas de personagens — com traços exagerados, mas sempre com alguma ponta de humanidade — que permitiam caricaturar tipos brasileiros, criticar vícios sociais, explorar linguagens do humor (rádio, TV, teatro) e fazer reflexões sutis sobre identidade, desigualdade, poder. Sua versatilidade impressiona: ator, roteirista, cronista, radialista, ator de cinema e sempre reinventando formatos. É quase impossível contar a história do humor no Brasil sem passar por Chico: ele marcou o desenho do humor de massa, ajudou a formar plateias — gerar risadas, empatia, reconhecimento — e abriu espaço para que humoristas posteriores caminhassem sobre terreno fértil. Foi o primeiro a fazer stand-up quando esse termo nem era usado ainda.

No âmbito da televisão, Chico Anysio foi um dos pioneiros em construir estruturas de programas de humor em que os personagens eram centrais, mais do que as tramas propriamente ditas. Programas como Chico Anysio Show, Escolinha do Professor Raimundo, especiais de humor e quadros humorísticos diversos, permitiram que seu criador explorasse estereótipos regionais, sociais, de classe, expandindo o que se podia fazer em linguagem televisiva. Ele também foi importante na inovação de formatos — por exemplo no uso de videotape, de gravações externas, de personagens que “viviam” fora dos limites de cada programa, entrando em entrevistas, participações, crossovers — e tudo isso ajudou a moldar como o humor era entendido e consumido pela TV brasileira.

A série documental Chico Anysio: Um Homem à Procura de um Personagem, que estreou no Globoplay em cinco episódios, oferece uma visão renovada desse legado — não só celebratória, mas também crítica e humana. Dirigida e roteirizada por Bruno Mazzeo, filho de Chico, ela recua no tempo: infância no Ceará, primeiros passos no rádio, a chegada ao Rio, os desafios que ele enfrentou, os sucessos que consolidaram sua reputação. Segundo Bruno, “a série não é uma ‘homenagem’, um ‘especial’, mas um mergulho não só na obra, mas na alma de Chico Anysio.”  Ele diz também que esse documento lhe parece “o mais especial dos meus trabalhos”, “um filho juntando o quebra-cabeças da vida do pai”.  Ela mostra Chico como Francisco, com falhas, inseguranças, dificuldades pessoais, relações familiares complexas — não apenas o humorista eterno, mas também o homem por trás das máscaras. 

O que isso significa para o entretenimento brasileiro? Primeiro, que revisitar sua trajetória contribui para revalorizar o humor clássico, compreender de onde vieram muitas das nossas formas atuais — stand up, esquetes, comédia de personagens, sátira social. Segundo, permite uma reflexão sobre os limites do humor, sobre o que era aceitável em diferentes épocas, e como Chico soube adaptar-se, avançar, provocar — até despontar como ponto de referência para humoristas de hoje. Ter Bruno Mazzeo à frente desse projeto traz uma camada afetiva e de intimidade, uma memória de família que também serve como memória cultural. A série oferece ao público mais jovem o contato com vivências que talvez não conhecessem; para quem já era fã, a possibilidade de enxergar além do personagem, de entender decisões, contradições, sacrifícios. Em suma: a obra reforça que Chico Anysio não foi apenas um comediante de todas as classes e de muitas vozes, mas alguém cujo trabalho ajudou a moldar o Brasil que ri — e, nesse rir, se reconheceu em seu legado.

FIFA lança os mascotes da Copa do Mundo 2026

Um mais feio que o outro. Era melhor levarem o Castorzinho!

Foto: Mocidade Independente de Padre Miguel

A FIFA surpreendeu hoje (25) ao apresentar os três mascotes oficiais da Copa do Mundo de 2026. Pela primeira vez na história, cada país-sede terá seu próprio representante, refletindo a diversidade cultural da América do Norte. O Canadá chega com Maple, os Estados Unidos com Clutch, e o México com Zayu. Juntos, eles formam uma equipe de personagens que prometem conquistar os torcedores de todas as idades.

Maple é a cara do Canadá: inspirado na tradicional folha de bordo, ele simboliza resiliência e criatividade. Não à toa, foi escalado como goleiro, aquele que segura as pontas e transmite segurança. No entanto eu preferia o Carcaju estilo Wolverine.

Do outro lado, Clutch, a águia-careca norte-americana, surge como camisa 10, o cérebro do time. Representa liderança, coragem e o espírito de união, atributos que combinam perfeitamente com a cultura dos Estados Unidos. Bem blasé igual aos americanos quando o assunto é soccer.

Já o México trouxe força e garra para o campo com Zayu, um jaguar antropomórfico escolhido para ser o atacante, o número 9. Ele carrega não apenas a imponência do animal, mas também a celebração da tradição e da herança cultural mexicana. Tem a alma do hino “Mexicanos al grito de guerra”… A cada traço, o mascote mostra a energia vibrante do país e o jeito apaixonado de viver o futebol.

Poderia ter sido a onça-pintada o mascote do Brasil 2014? Sim. Mas enfiaram aquele Fuleco na nossa vez… Mais do que simples mascotes, Maple, Clutch e Zayu são símbolos de uma Copa histórica. Eles marcam um torneio que não pertence apenas a um país, mas a três nações que decidiram dividir palco e emoção.

A Copa do Mundo de 2026 promete ser grandiosa (literalmente) dentro e fora de campo — e os mascotes já são a prova disso: cada um com sua personalidade, mas unidos pelo mesmo objetivo, o de contagiar o planeta com a magia do futebol. Poderiam ser mais bonitinhos? Sim! Mas já bastam aqueles mascotes da Conmebol que são horrorosos na Libertadores. E o Canarinho Pistola, hein… Saturou também. Mas enfim!

Foto: FIFA WCup

Enfim uma novela de verdade: Vem aí “Três Graças”

Vilão que falsifica remédios para população de baixa renda vai movimentar a trama; Belo estreia no horário nobre como ator

Foto: Globoplay

A novela Três Graças, escrita pelo vencedor do Emmy, Aguinaldo Silva; chegará trazendo um enredo envolvente e cheio de camadas, daqueles que não apenas entretêm, mas também levantam discussões importantes. Em sua chamada de estreia, vimos que a trama central acompanha três gerações de mulheres — Lígia (Dira Paes), Gerluce (Sophie Charlotte) e Joélly (Alana Cabral) — que compartilham o mesmo destino de engravidar na adolescência e enfrentar a maternidade sem apoio paterno. Essa herança familiar permeia toda a narrativa, enquanto a comunidade fictícia de Chacrinha, em São Paulo, serve de palco para histórias de luta, afeto e resistência.

Mas se o núcleo familiar emociona, é no lado sombrio da novela que o público encontra um dos arcos mais fortes: o esquema de medicamentos falsificados. O vilão Santiago Ferette, interpretado com maestria por Murilo Benício, é um empresário da saúde que se apresenta como benfeitor, mas esconde um crime repulsivo. Em sua fundação, remédios destinados à população carente são substituídos por placebos, condenando pacientes à morte. É um tema pesado, mas necessário, que a novela não tem medo de expor.

Dentro dessa trama, um nome surpreendeu na escalação: Belo. O cantor faz sua estreia em novelas interpretando Misael, um homem marcado pela dor de perder a esposa Viviane justamente por conta dos remédios falsificados. O papel, que inicialmente seria pequeno, ganhou destaque após sua confirmação no elenco, e já mostra que a aposta valeu a pena. Belo entrega emoção e intensidade, revelando um talento dramático que surpreende. O cantor já mostrou potencial na série “Arcanjo Renegado” e agora pode despontar nas tramas de vez com sua interpretação.

Sua participação, inclusive, dá ainda mais peso à crítica social da novela. Misael não é apenas uma vítima: ele representa todos aqueles que sofrem com um sistema de saúde corrompido pela ganância. O embate indireto entre seu personagem e o poderoso vilão de Murilo Benício promete momentos eletrizantes, em que dor e indignação se transformam em luta por justiça. É o tipo de conflito que prende o espectador e amplia a relevância da trama. Outra nuance na trama será o personagem de Enrique Díaz, interpretando um pastor corrupto.

Três Graças já começou com o pé direito. Ao mesmo tempo em que emociona somente com sua primeira chamada, mostrando a saga das mulheres da família Maria das Graças, também denuncia um esquema criminoso atual e plausível, sem medo de incomodar. O público ganha um vilão à altura com Murilo Benício e uma revelação surpreendente com Belo, que mostra que pode ir muito além da música. O teaser potente chegou colocando a novela no radar das mais comentadas do ano e desperta expectativa para seus primeiros capítulos.

Se essa novela com o elenco e a história que tem não emplacar, podem desistir e colocar “O Rei do Gado” de reprise no horário nobre!

Fotos: Globoplay