Sempre acompanhei o trabalho de Zé Mineiro, fundador da empresa goiana Friboi, que foi pioneiro ao levar a produção de carne de qualidade para Brasília em sua construção. E uma de suas filhas, Valere Batista é uma das maiores pecuaristas do Brasil, ao lado do filho Aguinaldo, comandam a Nelore Paranã. A marca é o maior criatório da raça nelore selecionada nos últimos anos, superando a Rima Agropecuária que ocupou esse posto durante anos na raça nelore de elite.
Toda família de seu Zé Mineiro é muito reservada. No entanto, esse ano, Joesley Batista surpreendeu a todos – inclusive a esposa e jornalista Ticiana Villas Boas – ao começar a compartilhar seu dia a dia no instagram. Joesley é um empresário conhecido por sua atuação no setor de alimentos e agronegócio, especialmente na J&F Investimentos, holding que controla empresas como a JBS S.A., uma das maiores processadoras de carne do mundo. Ao longo de sua carreira, Joesley desempenhou um papel fundamental na expansão e consolidação da JBS no mercado global.
Nos últimos meses ele tem buscado se aproximar do público e compartilhar aspectos de sua vida pessoal e profissional por meio das redes sociais. Desde janeiro, Joesley passou a manter um perfil ativo no Instagram, onde compartilha frases motivacionais que fazem parte de sua trajetória, registros de visitas a unidades da JBS, a outras empresas de seu grupo e momentos com sua família. Essa iniciativa reflete uma tendência entre líderes empresariais do agronegócio que utilizam plataformas digitais para humanizar sua imagem e estabelecer uma comunicação mais direta com diferentes públicos.
Ao compartilhar sua rotina e bastidores da vida no setor que atua nas redes sociais, Joesley Batista busca não apenas fortalecer a imagem de suas empresas, mas também inspirar e engajar uma audiência mais ampla, destacando sua trajetória e os princípios que nortearam seu sucesso empresarial. Muitos acionistas do mercado financeiro gostam de conhecer melhor aqueles que gerem parte das ações de sua carteira de investimentos – eu inclusive. Ter Joesley entre nós, instagrammers ativos, deixando a vida low profile de lado é interessante.
Foto: Joesley ao lado da mãe, Dona Flora, que se formou em mais uma faculdade – Teologia – aos 88 anos.
“Vingadores: Doomsday”, programado para estrear em 1º de maio de 2026, promete ser um marco no Universo Cinematográfico da Marvel (MCU), reunindo um elenco estelar que combina rostos familiares e novas adições. Entre os retornos notáveis estão Chris Hemsworth como Thor, Anthony Mackie como Capitão América e Tom Hiddleston brilhando em seu papel como Loki. Surpreendentemente, Robert Downey Jr. retorna ao MCU, desta vez interpretando o icônico vilão Doutor Destino.
Além disso, o filme contará com a participação de Patrick Stewart e Ian McKellen, reprisando seus papéis como Professor X e Magneto, respectivamente, integrando os X-Men ao enredo. Novos membros do elenco incluem Vanessa Kirby como Sue Storm e Pedro Pascal como Reed Richards, do Quarteto Fantástico. Com o elenco estrelado, a Marvel entra em um momento decisivo, e “Vingadores: Doomsday” precisa ser um grande acerto para reacender o entusiasmo dos fãs. Além dos 27 nomes já anunciados, outros tão bons quanto ainda podem surgir nos próximos meses.
A ausência do Doutor Estranho, interpretado por Benedict Cumberbatch, chamou a atenção da crítica. Cumberbatch revelou que seu personagem não aparecerá em “Vingadores: Doomsday” devido a mudanças na narrativa após a saída de Jonathan Majors, que originalmente interpretaria Kang. O ator mencionou que o Doutor Estranho “não se alinha com esta parte da história”, mas garantiu que o personagem terá um papel significativo em “Vingadores: Guerras Secretas”, previsto para 2027.
Sem o ‘Mago Supremo’ até o momento, o roteiro levanta questões sobre como a trama lidará com as ameaças multiversais. No entanto, a inclusão de Loki, o deus mor da atualidade, sugere que o filme explorará as complexidades das linhas do tempo e do multiverso sob uma nova perspectiva. Loki tem sido a figura central nas narrativas relacionadas ao multiverso, especialmente após os eventos da série “Loki”, onde ele desempenhou um papel crucial na compreensão e manipulação das realidades alternativas.
Agora, uma ausência super sentida é a de Dogpool. Como assim a protagonista de “Deadpool & Wolverine” não vai encarar o Doutor Destino? Brincadeira à parte, os nomes de Ryan Reynolds e Hugh Jackman também são sondados para estarem presente na trama, já que o filme de 2024 dos dois parceiros foi fenômeno de bilheteria e agora eles fazen oficialmente parte do MCU. MAS DEVERIAM LEVAR A DOGPOOL TAMBÉM, NEM QUE FOSSE PRA COMER SHAWARMA NO PÓS-CRÉDITO.
Foto: Variety
Além disso, a introdução do Doutor Destino como principal antagonista adiciona uma camada de profundidade a história que vai se desenrolar. Conhecido por sua inteligência estratégica e domínio de tecnologias avançadas, Dr. Destino representa uma ameaça formidável que não depende necessariamente de elementos místicos, permitindo que a narrativa se concentre em conflitos de poder, ciência e domínio interdimensional. Não espero menos do que un encontro dele com o Homem Aranha adolescente da voz fina dizendo com sotaque carioca: SENHOR STARK SENHOR STARK – Victor von Doom respondendo: SENHOR STARK É O CARALHO! AQUI É DOUTOR DESTINO PORRA!! (diálogo inspirado em Cidade de Deus…).
Enfim, o que importa é que com essa combinação de personagens icônicos e a promessa de uma história envolvente, “Vingadores: Doomsday” tem o potencial de expandir ainda mais os horizontes do MCU, explorando novas dinâmicas e preparando o terreno para futuros confrontos épicos. Após uma recepção mista de algumas produções recentes, a Marvel tem o desafio de entregar uma narrativa coesa e impactante. O sucesso de “Doomsday” será crucial não apenas para estabelecer um novo rumo para a franquia, mas também para pavimentar o caminho até “Guerras Secretas”, que promete ser um dos maiores eventos da história do cinema de super-heróis.
Carlos Salvador Bilardo e a Seleção Argentina sempre estiveram profundamente entrelaçados, em uma relação de devoção, obsessão e glória. Como treinador, ele marcou época ao levar a Albiceleste ao título da Copa do Mundo de 1986, comandando Diego Maradona e um grupo de jogadores que ficaram eternizados na história do futebol. Mais do que um estrategista, Bilardo personificava uma filosofia de jogo e de vida, pautada pela busca incessante por vitórias que deu origem a “Escola Bilardista”. Seu estilo, muitas vezes polêmico, dividia opiniões, mas ninguém jamais questionou sua paixão e entrega pela camisa celeste e branca.
Mesmo após deixar o comando técnico da Seleção, Bilardo nunca se afastou da entidade. Trabalhou como dirigente, comentarista e seguiu sendo uma referência para treinadores e jogadores que vieram depois, principalmente para Alejandro Sabella, vice-campeão do Mundo em 2014 – bilardista como ele. Seu nome se tornou sinônimo de futebol argentino, sendo lembrado tanto pelo sucesso quanto pelo seu jeito peculiar de ver o jogo. Para muitos, Bilardo era mais do que um técnico vitorioso: era um pensador do futebol, um mestre que enxergava além das quatro linhas e sabia como transformar grupos em equipes vencedoras.
Nos últimos anos, Bilardo tem travado uma batalha contra uma doença degenerativa, que o afastou do protagonismo, mas não do amor pelo futebol e pela Seleção. Carlitos como o chamam seus familiares, teve idas e voltas no hospital. Desde o final de 2018 a época da pandemia, “El Doctor” precisou redobrar os cuidados com a saúde em longas internações que teve. Mesmo diante das dificuldades, ele nunca deixou de acompanhar a Albiceleste e seu clube Estudiantes de La Plata, sempre que pode, assistindo aos jogos pela televisão, com o mesmo brilho nos olhos de quem dedicou a vida ao esporte. Ver a Argentina em campo continua sendo um dos momentos que mais lhe trazem alegria, um elo inquebrável com a história que ele ajudou a construir.
Foto: TyC Sports
Na semana passada, Bilardo completou mais um ano de vida, 87 carnavais muito bem vividos. Embora sua saúde não seja mais a mesma, o carinho que recebe de jogadores, torcedores e admiradores demonstra o quanto ele é querido e respeitado. Sua influência segue viva, não apenas nos bastidores do futebol porteño, mas também no coração dos argentinos que reconhecem sua importância na construção do DNA vencedor da Seleção. Para cantar o “feliz cumpleaños” ele recebeu a visita de seis campeões mundiais de 1986 comandados por ele. E claro, sua imagem com o bolo rodou o país e ficamos imensamente felizes em ver um registro seu inédito.
A vitória da Argentina sobre o Brasil no Clássico desta noite disputado no épico Monumental de Núñez é, sem dúvidas, um presente de aniversário atrasado para Bilardo. 4 vs 1 para a felicidade dos bilardistas e de seu mentor. Um presente que ele certamente recebeu com emoção, vibrando como nos velhos tempos assistindo pela TV em seu sofá azul. Diz o irmão de Bilardo, Jorge, que ele está encantado com essa nova geração, a geração que devolveu a Copa do Mundo ao país depois de 36 anos. Ver a Albiceleste campeã novamente, triunfando nos grandes jogos e consolidando sua força no cenário mundial, é algo que o eterno treinador mais do que ninguém merecia presenciar. O melhor é que ele assiste tudo pela TyC Sports, melhor emissora argentina – sem clubismo.
O tricampeonato da Argentina conquistado no Qatar em 2022 e as vitórias recentes da equipe, são a prova de que o legado de Bilardo segue vivo. Sua influência ultrapassa o tempo e continua inspirando aqueles que vestem a camisa celeste e branca, até mesmo Lionel Scaloni, que teve como um de seus mentores o Sabella. A Seleção de hoje carrega sua mentalidade vencedora, sua fome de glória e superação que nunca foram perdidas, mas agora é recompensada por títulos. E, enquanto houver futebol, Carlos Bilardo será lembrado como um dos grandes responsáveis por transformar a Argentina em uma potência mundial. Sem esquecer, claro, de uma mãozinha do Maradona nisso tudo.
Duas mulheres e 24 filhos estão na disputa pelo espólio do mais antigo membro da cúpula dos bicheiros cariocas;
Foto/Reprodução: O Globo
O espólio do nosso querido bicheiro Piruinha se tornou um dos casos mais comentados do submundo do jogo do bicho. Figura controversa e carismática, Piruinha construiu um império em apostas, maquininhas caça-níqueis, financiamentos obscuros e influência nos bastidores da política carioca e do Carnaval. Com sua morte, uma disputa feroz por sua fortuna veio à tona, envolvendo herdeiros, uma porrada de filhos, aliados de confiança e figuras que emergiram das sombras reivindicando parte do patrimônio. O caso rapidamente virou um enredo digno de novela policial, do jeito que o boêmio gostava.
A principal questão girava em torno da real extensão de sua riqueza. Oficiais estimavam que Piruinha movimentava milhões, mas seus bens registrados eram modestos, incluindo algumas casas e uma frota de carros de luxo. No entanto, os boatos indicavam que o grosso do dinheiro estava oculto em contas no exterior, cofres secretos e investimentos feitos em nomes de laranjas. O bicheiro que parecia ser o mais simples e pregava a paz nos episódios de “Vale o Escrito”, do Globoplay, era low-profile em relação a sua verdadeira fortuna. A busca por esses valores mobilizou tanto autoridades quanto antigos associados, cada um tentando se beneficiar da herança do contraventor.
No embate para provar a união estável com o bicheiro José Caruzzo Escafura, nome oficial de Piruinha, que morreu em janeiro aos 95 anos, duas mulheres disputam o posto de “viúva” do contraventor. Há dezenas de fotos, contrato extrajudicial, carteirinha de visitação em presídio e até imagens da própria série “Vale o Escrito” usados como provas. Desde a morte do bicheiro, Rosilene Leonardo e Edclea das Neves, ambas de 60 anos, pediram ao juízo da 1ª Vara de Família da Regional Barra da Tijuca, por meio de seus advogados, para se habilitarem à herança de Piruinha, junto aos 24 filhos do falecido. Detalhes de todo início desse processo você confere na matéria de Vera Araújo em sua coluna no O Globo.
Recentemente, investigações trouxeram à tona detalhes obscuros sobre os negócios de Piruinha. Documentos vazados indicavam pagamentos a policiais e políticos, além de ligações com empresas fantasmas usadas para lavar dinheiro. O desenrolar do caso revelou não apenas a extensão de sua fortuna oculta, mas também o alcance da corrupção sustentada por seu império. No meio disso tudo, as autoridades tiveram dificuldades para confiscar bens, já que muitos simplesmente “desapareceram” antes mesmo que pudessem ser registrados oficialmente.
Piruinha sempre foi uma figura à parte no jogo do bicho. Diferente dos demais bicheiros, ele tinha um carisma único, um jeito conciliador que o destacava dentro da cúpula. Nos últimos anos, em meio à disputa pelo espólio de Maninho, ele tentou intervir como uma ponte mediadora, especialmente na briga entre a família Garcia e Bernardo Bello. Não era apenas um articulador, mas alguém que compreendia o peso das rivalidades e buscava evitar que o jogo saísse do controle.
Seu legado, de certa forma, transcende o próprio jogo. Ele simbolizava o prazer de viver, a ideia de que no fim das contas, nada se leva desta vida — apenas a vida que se leva. E ele soube viver, com o samba que gostava, com alegria que partilhava, bebida boa e diversão com muita mulher, como ele mesmo declarava. Além do mais, sua morte não foi nenhuma emboscada com tiros na porta de academia ou explosão num carro. Piruinha se foi porque era sua hora. Concluir a jornada no jogo do bicho assim é para poucos!
No filme “Vitória”, a milícia também dá seu jeito de agir e estrelar o longa como típica vilã que é no dia a dia, além da ficção. Com o personagem Major Messias (Márcio Ricciardi), que opera como uma engrenagem invisível dentro do sistema, os milicianos garantem que os interesses do crime organizado sejam protegidos sob o manto da legalidade. Disfarçados de agentes da lei que combatem a violência urbana, os homens de Messias no batalhão da região onde vive Dona Nina (Fernanda Montenegro), estabelecem um império de terror e silêncio. Eles não apenas controlam comunidades inteiras com coerção e assassinatos seletivos, mas também se infiltram em órgãos oficiais para garantir que investigações contra traficantes aliados nunca avancem.
Dessa forma, eles transformam a própria estrutura policial em um escudo para criminosos, enquanto eliminam qualquer oposição com métodos brutais. A influência da milícia no filme pode ser vista principalmente quando Dona Nina vai fazer suas primeiras denúncias após ter seu apartamento atingido por tiros em uma noite de confronto no morro vizinho. Os policiais fazem corpo mole e exigem provas para que as coisas avancem para ela. Mas vemos também em suas gravações pela janela, os mesmos policiais do batalhão recebendo propina dos traficantes para que tudo ali continue como está. Até que numa bela tarde, o Major Messias vai buscar dinheiro e trocar armas de alto calibre com os traficantes que dominam a comunidade ao lado do prédio da senhora, em Copacabana.
Nesse momento do filme, sempre que um investigador independente ameaça expor o envolvimento de oficiais com o crime, Major Messias e seus homens entram em ação, utilizando desde a falsificação de provas até a intimidação direta. Quando necessário, assassinatos são encenados como confrontos legítimos, apagando qualquer rastro de suas operações ilícitas. Dessa maneira, a impunidade é mantida, e qualquer tentativa de investigação esbarra na própria estrutura corrompida da polícia.
Falando em intimidação, uma das cenas mais tensas do filme é quando Major Messias vai até o apartamento de Dona Nina dar um chega pra lá nela. Olha, onde já se viu hein, Major?? Vai mexer com alguém do seu tamanho, porra. Nada de pior acontece naquele momento porque o jornalista Flávio Godoy (Alan Rocha), chega para livrar Dona Nina do pior que o Major poderia fazer. Naquela hora, inclusive, ele estava trajado como um característico miliciano, tipo um Zé do Caroço em um dia comum. Ao assistir a atuação de Ricciardi como Major, nos lembramos de um outro personagem que poderia até ser super amigo de Messias: o Rocha de “Tropa de Elite”.
Vivido por Sandro Rocha, o Major que não tem tanta relevância no primeiro filme do Tropa, rouba a cena e o protagonismo para si no segundo longa. O que assemelha Rocha de Messias é o papel que fazem como milicianos, além das roupas cafonas que ambos usam para tocar o terror nas regiões que comandam. A diferença entre eles é que de alguma forma, Rocha mexeu com gente de igual pra igual, enquanto Messias foi bater de frente com uma idosa. No fim, Major Messias teve o que mereceu. Mas até achava digno ele ter a mesma conclusão de Rocha. Não acharíamos de todo ruim… Aliás, se você que está lendo ainda não foi conferir “Vitória” nos cinemas: VÁ LOGO, TÁ FAZENDO O QUÊ AQUI?!
Sem spoilers, mas à medida que a trama avança, fica evidente que a corrupção na alta cúpula da polícia não é um problema isolado, e sim, um sistema interligado em que todos os envolvidos tiram algum benefício. Major Messias é retratado como alguém que, apesar da farda e do discurso de ordem, não se diferencia dos traficantes que diz combater. O longa mostra como essa dualidade entre lei e crime se dissolve quando a própria polícia se torna o braço armado do poder paralelo. Não há heróis na estrutura corrompida, apenas aqueles que aprenderam a jogar o jogo e os que tentam sobreviver a ele.
No desfecho de “Vitória”, as provas contundentes contra Messias vêm à tona. O filme até oferece um final confortante para seu enredo, que aconteceu na vida real como relatada na obra escrita pelo jornalista Fábio Gusmão vivida por Joana da Paz. Mas seu final na telona ainda causa uma reflexão amarga sobre como a corrupção não se limita aos criminosos visíveis nas ruas. Ela está entranhada nos corredores do poder, sustentada por aqueles que deveriam combatê-la. A milícia hoje tem uma nova estrutura, bem mais avançada que há de 20 anos. Saímos da sala de cinema exaustos e mexidos com a história que “Dona Vitória” viveu e é muito bem retratada em cena. Também saímos com um ranço enorme de Major Messias, que ao contrário de Rocha, não nos faz rir em nenhum momento com suas escrúpulas atitudes. Por essas e outras, ele deixa o miliciano de Rio das Pedras no chinelo.
Tem gente indo em podcast rezar na madrugada, mas não vai contar sua própria história em programas que valorizam a música que cantam;
(Foto: Batista Lima no Nordecast, uma das melhores entrevistas do forró nos últimos tempos)
O cenário dos podcast’s no Brasil cresceu absurdamente da pandemia pra cá, se tornando um dos principais meios para artistas contarem suas histórias e se aproximarem do público. No entanto, no sertanejo, tem acontecido algo curioso: vários cantores evitam os podcasts do próprio segmento. Quando surge um convite para falar sobre a carreira, sobre a cena sertaneja ou até relembrar histórias dos bastidores, muitos simplesmente não vão. Enrolam, dão desculpas e, quando aceitam, desmarcam em cima da hora. Mas esses mesmos artistas não têm problema nenhum em aparecer em podcast’s de outros nichos, onde a pauta quase nunca envolve música sertaneja e o entrevistador nem ouve seus projetos para saber do que está falando.
É comum ver cantores sertanejos indo em podcast’s de nicho até mesmo religioso, de comédia, de desenvolvimento pessoal ou até de futebol – FUTEBOL. Eles falam sobre fé, sobre crescimento profissional, sobre desafios da vida, mas evitam contar sua trajetória no sertanejo quando têm a chance de fazer isso em um espaço que realmente entende do assunto. Parece que falar sobre a própria história no meio onde construíram suas carreiras virou algo desconfortável para alguns. E quando são perguntados de alguns assuntos da carreira, evitam se aprofundar com medo de cancelamento na internet, dependendo do motivo.
Enquanto isso, no forró, a situação é completamente diferente. Os artistas do gênero não só participam de todos os podcast’s relevantes do Nordeste como também falam tudo o que pensam, sem rodeios. Em algumas entrevistas, eles chegam a olhar diretamente para a câmera e mandar recado para outras pessoas do meio, sem medo da repercussão. Eles entendem a importância de fortalecer a própria cena e manter o público engajado, sem fugir de conversas difíceis ou polêmicas. Recentemente, no mesmo podcast citado acima, um ex-empresário do cantoe Felipão, do Forró Moral, descascou o cantor ao ser entrevistado. Passou uns dias, o artista foi em um podcast concorrente e o respondeu. Quem ganhou com isso? O público, os envolvidos na discussão, os dois podcast’s e o segmento que teve assunto para falar a semana toda.
Outro exemplo legal de uma boa entrevista foi justamente a de Batista Lima, ex-vocalista da Banda Limão Com Mel. O cantor falou de absolutamente tudo o que foi perguntado e até desabafou em certos momentos. Não teve medo de falar de valores financeiros, polêmicas, composições dele, bastidores da banda e da carreira solo. Foi uma aula que ele deu aos colegas de profissão no quesito de como dar uma entrevista sincera. Já no sertanejo, os artistas parecem pisar em ovos o tempo todo. Seja cantor, produtor, empresário ou compositor. Quando dão entrevistas, são extremamente cuidadosos com as palavras, evitam tocar em determinados assuntos e, muitas vezes, preferem se esconder atrás de assessorias e contratos publicitários. Poucos se arriscam a ser autênticos e falar com sinceridade sobre os bastidores do gênero, as dificuldades da carreira ou até sobre a própria visão do mercado sertanejo.
A grande questão é: por que esse medo por parte dos sertanejos? Por que os próprios artistas do meio não valorizam os espaços feitos para falar sobre o gênero? Será que é receio de perguntas difíceis? Medo de criar desavenças? Ou simplesmente falta de interesse, preguiça? Enquanto isso, os fãs ficam sem ouvir as verdadeiras histórias de seus ídolos nos podcast’s que mais entendem do assunto, enquanto veem esses mesmos artistas falando sobre tudo – menos sobre sertanejo – em outros lugares. Todos do sertanejo saem perdendo com essa postura. Até quando?