Categoria: Libertadores da América

Galvão estreia em alto estilo na Band e se torna melhor opção para as segundas

Foto: Arquivo Pessoal

A estreia de “Galvão e Amigos” na Band era um momento muito esperado desde sua contratação, e eu, claro, fui conferir. No começo, parecia que seria um monólogo do Galvão – e vamos combinar, isso não seria nenhuma surpresa. Mas, com o tempo, ele conseguiu dar espaço para os convidados, e aí o programa engrenou de vez. Com Mauro Naves, Falcão, Casagrande e o convidado especial, Ronaldo, na roda, a conversa fluiu como um bom papo de resenha futebolística deve ser. O melhor de tudo: Sem a bagunça e a barulheira que certos concorrentes oferecem.

Um dos pontos altos da noite foi a pancada na CBF e na seleção brasileira. Com razão, porque a fase é desastrosa e merece mesmo ser questionada. Mas não ficou só nisso. Ronaldo contou os segredos de sua candidatura à presidência da entidade não ter saído do papel. O programa soube equilibrar bem as críticas com boas lembranças do passado, aquelas histórias que fazem qualquer fã de futebol sorrir. Detalhe importante no decorrer da atração: Ele não citou o Ayrton Senna em nenhum momento aleatoriamente – um dia de paz para o piloto no céu.

Se compararmos com o antigo “Bem, Amigos”, a diferença é gritante. No Sportv, tinha gente que não agregava em nada, pelo contrário, atrapalhava o Galvão e deixava o programa mais arrastado do que deveria ser. Agora, na Band, com um time mais afiado e participativo, o formato ficou muito mais solto e divertido. Tem debate, tem conversa boa, tem alfinetadas, tem nostalgia e, principalmente, tem conteúdo de verdade.

Tenho minhas críticas ao Galvão, como muita gente tem. Às vezes ele exagera em certas coisas, se alonga demais, cita pessoas em vão, mas não dá para negar: quando o assunto é contar histórias e mediar debates, ele é imbatível. Nem vemos o tempo passar. E, gostem ou não, ele segue sendo o maior narrador em atividade no Brasil. A forma como ele conduz as discussões e traz emoção para qualquer assunto, seja como apresentador ou como a voz dos jogos, é um diferencial que ninguém mais tem.

Com essa estreia, “Galvão e Amigos” se firma como a melhor opção para as noites de segunda-feira. Tem carisma, tem informação e acima de tudo, tem aquele espírito de resenha que todo amante do futebol gosta de acompanhar após um fim de semana cheio de jogos. Se mantiver esse ritmo, Galvão vai voar sem concorrência no horário nobre da programação esportiva. Ah, e como todo programa bom de assistir, merecia mais tempo no ar. 1h30 vai ser pouco pela qualidade entregue e por sua sagacidade em falar. Esse é o dom que ele tem e que todo comunicador inveja.

Independiente e Racing fazem duelo acirrado no clássico de Avellaneda

Foto: Arquivo Pessoal

No último domingo o Estádio Libertadores de América recebeu o disputado clássico de Avellaneda. La Academia ficou no empate contra El Rojo. Com um gol de Martirena aos 20 minutos do primeiro tempo, o time de Costas abriu o placar, mas a equipe de Vaccari empatou na etapa complementar após muita insistência. Independiente e Racing ficaram no 1 a 1 pela 10ª rodada do Torneio Apertura.

A equipe de Julio Vaccari perdeu a chance de vencer um clássico como mandante depois de vários anos e, além disso, desperdiçou a liderança isolada do Grupo B. Aos 20 minutos do primeiro tempo, Juan Nardoni roubou a bola de Lautaro Millán e, na sequência, a bola sobrou para Maravilla Martínez. O atacante encontrou Maximiliano Salas, que cruzou da esquerda e o ala uruguaio apareceu na área, para marcar o 1 a 0 parcial para o Racing.

E quando parecia que o destino do clássico de Avellaneda favoreceria o visitante do dia, Álvaro Angulo apareceu para alívio dos torcedores do Independiente. O colombiano venceu a disputa com Gabriel Arias e, de cabeça, marcou o gol que decretou o 1 a 1 final no Libertadores da América. Rodrigo Rey salvou o Rojo no primeiro tempo, enquanto Arias fez o mesmo pela Acadé na segunda etapa. Sem dúvidas, na segunda metade da partida, o time da casa foi amplamente superior ao visitante, que começou o jogo de maneira mais confortável.

O Racing precisava da vitória mais do que nunca, considerando que está distante das primeiras posições no Grupo A. Já o Independiente começou a rodada como líder isolado do outro grupo, mas, com a vitória do Rosario Central e o empate de hoje, desperdiçou a chance de se manter no topo. O time de Vaccari chegou aos 21 pontos no Torneio Apertura, assim como o Canalla, deixando o River em terceiro na Zona B, com 19 pontos. Já a equipe de Gustavo Costas somou apenas 10 pontos, ficando na décima posição, embora ainda tenha um jogo pendente contra o Unión em Santa Fe.

Viver um Clássico de Avellaneda é uma experiência única e intensa, que começa muito antes do apito inicial. As ruas ao redor do estádio se enchem de torcedores, bandeiras e cânticos apaixonados, criando um ambiente de pura emoção. Nos arredores, barraquinhas vendem clássicos da culinária argentina, como choripán, empanadas e bondiola, enquanto os torcedores brindam com copos de fernet com cola, a bebida icônica que não pode faltar em dias de jogo. O clima é de rivalidade acirrada, mas também de celebração do futebol, com cada canto e cada gesto carregando décadas de história e paixão. Seja no Libertadores da América ou no Cilindro (no próximo semestre), estar em Avellaneda em dia de clássico é sentir o futebol em sua forma mais autêntica.

Agora as expectativas para Racing e Independiente estão focadas nas competições continentais de 2025, que são distintas. Após o sorteio realizado ontem, Racing Club, atual campeão da Copa Sul-Americana, enfrentará na fase de grupos da Copa Libertadores Colo-Colo (Chile), Fortaleza (Brasil) e Atlético Bucaramanga (Colômbia) no grupo E. O clube argentino busca repetir o sucesso recente e avançar às fases finais da competição. Já o Independiente, participante da Copa Sul-Americana, caiu no Grupo A ao lado de Guaraní (Paraguai), Nacional Potosí (Bolívia) e Boston River (Uruguai). O “Rey de Copas” almeja retomar seu protagonismo internacional e conquistar mais um título continental.

Filipe Luís caminha a passos largos para se tornar um dos melhores treinadores da América

Foto/Reprodução: @rsantosarantes

Filipe Luís, atual técnico do Flamengo, tem se consolidado rapidamente como um dos treinadores mais promissores do futebol sul-americano. Após encerrar sua carreira como jogador em novembro de 2023, ele assumiu o comando das categorias de base do Flamengo, conquistando a Copa Rio Sub-17 e a Copa Intercontinental Sub-20. Esses sucessos o levaram à posição de técnico interino do time principal em outubro de 2024, após a saída de Tite – livramento para o time!

Desde então, Filipe Luís acumulou uma série impressionante de títulos para um técnico estreante no profissional. Em seus 27 jogos como treinador do Flamengo, ele conquistou a Copa do Brasil, a Supercopa do Brasil e a Taça Guanabara, registrando apenas uma derrota nesse período. Neste domingo ele adicionou mais um troféu ao seu currículo ao vencer o Campeonato Carioca decidido no clássico contra o Fluminense, consolidando sua trajetória vitoriosa. Seu aproveitamento é de 79%.

A filosofia de jogo de Filipe Luís é marcada pela flexibilidade tática e pela valorização das laterais do campo. Ele costuma utilizar o esquema 4-2-3-1, alternando ocasionalmente para o 4-4-2 ou até mesmo o 3-4-3, dependendo das necessidades da partida. Sua experiência como lateral ofensivo reflete-se na importância que atribui aos laterais em suas equipes, incentivando-os a avançar e criar superioridade numérica no ataque.  

No meio-campo, Filipe preza por jogadores versáteis, capazes de realizar passes verticais precisos e de se adaptar às brechas deixadas pelo adversário. A transição rápida e o jogo direto são características marcantes de suas equipes, buscando explorar os espaços deixados pelo oponente após a perda da bola. Defensivamente, sua equipe é compacta e organizada, combinando pressão alta com a capacidade de se reorganizar no próprio campo.

Essa solidez defensiva é fruto de sua vivência sob o comando de técnicos como Diego Simeone e José Mourinho, que valorizam a disciplina tática e a estrutura defensiva sólida. A influência de Jorge Jesus, que teve uma passagem marcante pelo Flamengo, também é evidente no trabalho de Filipe Luís. A mentalidade vencedora e a intensidade nos treinos são características que ele incorporou em sua metodologia. Filipe Luís enfatiza a importância de “ganhar, ganhar e ganhar”, refletindo a filosofia de Jesus. Ele seria um menottista com resquícios de Marcelo Gallardo olhando seu perfil na escola de treinadores argentinos.

Com essa combinação de experiências e uma filosofia de jogo bem definida, Filipe Luís tem tudo para se tornar um dos melhores treinadores do continente em um futuro próximo, caminhando a passos largos para isso. Vale lembrar ainda da influência que ele recebe pela convivência e admiração que tem com Zico, o que o faz ser mais privilegiado em uma visão de jogo única. Seu início de carreira promissor e sua capacidade de implementar um estilo de jogo eficaz e atrativo o colocam em destaque no cenário futebolístico da América. Ele é fora da curva e isso faz dele um técnico diferente dos demais dentro e fora de campo. O “Filipismo” é realidade!

Foto/Reprodução: GE

Alguém está bem feliz com a derrota do Corinthians: O SBT

Foto: Miguel Schincariol / AFP

O Corinthians se esforçou para derrotar o Barcelona de Guayaquil na Neo Química Arena, mas foi desclassificado da Libertadores da América por ter perdido o jogo de ida por 3 a 0. O placar na altitude pesou e favoreceu o time equatoriano, que vai para a fase de grupos da competição. Mesmo com a dura derrota, o alvinegro paulista não se despede de competições internacionais em 2025, apesar da queda precoce na Libertadores.

O Timão não teve a temporada a perder internacionalmente. O clube vai entrar direto na fase de grupos da Sulamericana, competição que no ano passado quase chegou nas mãos do Corinthians que alcançou às semi-finais. A vaga no torneio do segundo escalão da América do Sul é uma espécie de prêmio de consolação aos times que batem na trave e não avançam à fase de grupos da Libertadores. Uma forma de manter também clubes de tradição competitivos no continente, enquanto outras vagas são ocupadas por times de menor expressão na Liberta – Simón Bolívar chora.

A Sulamericana terá mais um ano de transmissão no SBT, emissora que deve ter torcido em seus bastidores nessa noite contra o time de Itaquera. O motivo, claro, para ter a garantia de audiência no meio da semana com o Corinthians jogando pela competição. No ano anterior, o SBT teve muitas alegrias no Ibope graças ao time atuando em sua telinha na Sula. Em algumas ocasiões chegou a liderar a guerra pela audiência em cima das novelas chatíssimas da Globo. Nesse horário nobre e sem opção, até quem não era “Gaviões da Fiel” ficava ligado na emissora de Silvio Santos.

O Corinthians inicia a Copa Sulamericana com expectativas elevadas, especialmente após a contratação de jogadores de renome internacional. Além de Memphis, outros membros do elenco estrelado têm se destacado nesse início de ano. O meia argentino Rodrigo Garro, com sua visão de jogo e capacidade de articulação, tem sido peça-chave na criação de jogadas ofensivas. O atacante Yuri Alberto, após um início de temporada abaixo do esperado quando chegou ao clube, reencontrou seu faro de gol e terminou o ano como vice-artilheiro da equipe.

Com esses craques, o Corinthians busca conquistar o título que escapou no ano passado, almejando consolidar-se novamente como uma das principais forças do futebol sul-americano. Por enquanto, no próximo fim de semana o time tem o desafio de encarar a primeira final do Paulistão. Este transmitido com sucesso pela Record, vai ter novamente o clássico contra o Palmeiras na decisão do título.

Em suma, SBT e Record tem mostrado mais uma vez que podem ser potências no esporte, derrubando o monopólio da Globo e conquistando um público que estava afastado por algum motivo de ambas as TV’s.