Categoria: Famosos

Pablo do Arrocha se doeu ao ser comparado com Léo Magalhães e perder

Foto: Internet

Um vídeo antigo do Programa do Ratinho, publicado por Dudu Purcena, reacendeu uma velha discussão que parece mexer com o coração — e com o ego — de quem viveu o auge do arrocha romântico. No video, Ratinho perguntava a sua produtora Beth Guzzo, quem cantava mais alto, Léo Magalhães ou Pablo do Arrocha. Léo estava no programa e puxou a música “Porque Homem Não Chora”, sucesso gravado por ambos cantores. Claro que isso virou combustível para o público de Dudu opinar: afinal, quem canta melhor? Com timbres parecidos e repertórios cheios de agudos emocionados, a comparação é inevitável. Mas o problema é que, dessa vez, parece que Pablo não gostou de estar no mesmo nível de análise.

Dudu Purcena, ao comentar o vídeo, disse o que muita gente pensa: a voz de Léo Magalhães é mais agradável de ouvir. E a internet, claro, comprou a briga. Parte do público ficou do lado de Dudu — mas quem mais perdeu foi o próprio Pablo, que reagiu mal à comparação e, segundo fãs, começou a bloquear perfis que comentaram sobre o assunto, inclusive bloqueando o próprio influencer sertanejo. Uma postura difícil de entender para quem é um dos maiores nomes do gênero no Nordeste e que já deveria estar acima desse tipo de disputa.

O arrocha romântico sempre viveu de emoção, de sentir na pele e na garganta as dores do amor. Mas quando o artista confunde crítica com ataque, perde o encanto. Pablo é gigante, tem história, e não precisava se deixar levar por vaidades. Ainda mais quando Léo Magalhães, com seu jeito mineiro discreto, nem se envolveu na polêmica — preferindo celebrar duas décadas de carreira marcadas por humildade, romantismo e até curiosidades, como o início da fama na pirataria, quando seus CDs eram vendidos como “Eduardo Costa Ao Vivo”.

Enquanto Léo segue sendo a trilha sonora de casais apaixonados e corações partidos, Pablo parece ter se deixado dominar pelo orgulho. E no universo do arrocha, onde a sinceridade é alma da canção, talvez seja hora de lembrar: nenhum timbre é mais bonito do que a humildade.

Você precisa assistir “Caçador de Marajás”

Doc aborda momentos bizarros e icônicos de Fernando Collor, o ex-presidente playboy da ‘Casa da Dinda’ que colocou o Brasil numa presepada

Foto: Folha de SP

Assistir ao documentário Caçador de Marajás, disponível no Globoplay, é mergulhar numa das fases mais folclóricas e absurdas da política brasileira. A era Collor tinha de tudo: um presidente midiático, discursos messiânicos e uma estética de novela das oito. Fernando Collor de Mello surgiu como o salvador da pátria, o jovem moderninho que prometia “caçar os marajás” e acabar com a velha política. E o povo acreditou. Era o Brasil recém-saído da ditadura, carente de esperança e encantado com a imagem do político que parecia saído de uma capa de revista — bonito, articulado e, claro, muito playboy.

Mas o glamour virou tragédia nacional. Os bastidores da famosa Casa da Dinda — símbolo do luxo e do exagero — mostraram que o “caçador” acabou virando o próprio marajá. Dentro da mesma Casa da Dinda, Collor protagonizou uma das entrevistas mais icônicas da TV brasileira, concedida ao repórter Roberto Cabrini dias após seu impeachment. É ali que o personagem e o homem se misturam, num cenário de ostentação que resume o contraste entre o discurso popular e a realidade dos bastidores do poder. Cabrini, inclusive, é quem mergulha nas investigações sobre todo o período pós-impeachment, incluindo os mistérios que cercam a morte de PC Farias, figura central na derrocada do ex-presidente.

(Collor e Cabrini na piscina da Casa da Dinda)

Um dos grandes méritos do especial é a trilha sonora. O som da virada dos anos 80 pros 90 embala o caos político com hits que marcaram a época. A abertura ao som de “Pense em Mim”, de Leandro & Leonardo — faixa do disco Talismã, o mais vendido da história do sertanejo e com a música mais tocada da época — é um golpe de genialidade. É impossível não rir e, ao mesmo tempo, não lamentar. Como esquecer do Confisco da Poupança que deixou milhares de brasileiros em desespero?!

Maratonar Caçador de Marajás é essencial, principalmente num ano que antecede eleições. O documentário nos obriga a encarar o passado e entender como figuras carismáticas e discursos moralistas podem mascarar grandes armadilhas. O Brasil é um país de memória curta, mas é justamente lembrando Collor — e tudo o que veio com ele — que o eleitor pode aprender a não cair nas mesmas promessas de novo (tentar aprender, porque já caiu). No fim das contas, rir da tragédia não basta: é preciso não repeti-la.

Batalha do Marketing Digital: Primo Rico tentará superar Thiago Finch na Black Friday

Correndo por fora, Daiane Cavallcante – que aparece comendo bolacha em suas promos – também está na briga pelo recorde

Foto: Instagram @thiagofinch

Está aberta a grande batalha no marketing digital brasileiro. De um lado, o império Finch, liderado pelo próprio “He-Man do mercado”, Thiago Finch, que no ano de 2023 cravou um recorde histórico: R$128 milhões em um único lançamento. Do outro, a nova aliança formada por Thiago Nigro, Bruno Perini, Érico Rocha e Leandro Ladeira — o que muita gente já apelidou de “Quarteto Fantástico” do momento. Quatro cabeças pensantes, quatro gigantes do ensino online, quatro egos em busca de um troféu: superar o reinado de Finch na Black Friday das vendas.

Enquanto o público se divide, uma figura vem roubando a cena nos bastidores: Daiane Cavallcante, a “Mulher-Maravilha” desse confronto. Sem superprodução, sem explosão de anúncios, ela aparece tranquila, comendo bolacha em seus vídeos de divulgação — e é justamente essa simplicidade que tem conquistado o público. Daiane promete um evento na segunda semana de novembro, nas mesmas datas em que Thiago Finch também prepara seu mega espetáculo digital. O duelo promete ser quente, e a internet, claro, já escolhe seus lados como se fosse final de Copa do Mundo.

Foto: Instagram @daianecavallcante

De um lado, os fiéis seguidores de Finch aguardam ansiosamente por mais uma revolução de copy, estética e gatilhos que o transformaram em fenômeno da internet. Sabem que passei um tempo sem acompanhá-lo e por um momento pensei que ele tinha realizado o sonho de ser um grande ator de Hollywood. Por que? O ator que fará o live-action de He-Man é a cara dele… Mas ele segue seu reinado no marketing digital.

Do outro lado, os curiosos querem entender o que o time de Primo Rico e companhia tem de tão especial nesta oferta de 2025, “recheada” de conteúdo — e, ao mesmo tempo, tão arriscada por sua complexidade. Érico Rocha, o mago dos lançamentos, tenta organizar a tropa, mas a impressão é que o público pode se perder no meio de tantas promessas, bônus e estratégias.

No fim, o que está em jogo não é só quem vende mais — é quem domina a atenção do público em um mercado saturado de fórmulas mágicas, promessas vazias e frases de efeito. O público agora quer produtividade de verdade para conseguir mudar seus destinos e viver do digital como seus mentores favoritos. Thiago Finch chega com seu carisma e seus números imbatíveis. Daiane Cavallcante, com autenticidade e uma narrativa que foge do padrão. E o “Quarteto Fantástico”, com uma superprodução de peso e capital intelectual.

Quem leva essa? O He-Man com sua espada de super vendas, a Mulher-Maravilha com sua personalidade humilde; ou o Quarteto Fantástico com seus poderes combinados? O campo de batalha digital está armado — e o público, como sempre, vai decidir o vencedor.

Foto: Instagram @primorico

Três Graças: Enfim a novela do ano chegou

Foto: Globoplay

Desde o primeiro capítulo, “Três Graças” mostrou que Aguinaldo Silva continua sendo um dos mestres da teledramaturgia brasileira. Logo na estreia, o autor deixou claro que sabe conduzir uma boa história — com ritmo, mistério, diálogos afiados e personagens que já nasceram marcantes. É o tipo de trama que prende o público desde a primeira cena, com uma trilha sonora que caiu como uma luva – especialmente na abertura com a “Clareou”, composta por Rodrigo Leite e Serginho Meriti.

Já o elenco é simplesmente impecável. Cada ator parece ter sido escolhido a dedo, e a química entre eles salta aos olhos. Há uma harmonia de talento e presença que faz o telespectador acreditar em cada gesto, em cada emoção. Dá pra sentir que o elenco está entregue, confiante no texto e na direção. Desde Dira Paes a Grazi Massafera, Marcos Palmeira, Arlete Salles; e com a estreia de Belo nas novelas, o elenco é primoroso como não se via há tempos.

A novela está tratando de muitos temas importantes, mas um se destaca como o mais sério e necessário de ser abordado: a falsificação de remédios. Um assunto grave, com repercussões reais na vida de milhares de pessoas de baixa renda, e que ganha na trama um olhar humano e ao mesmo tempo eletrizante no roteiro. É uma mistura perfeita entre crítica social e puro entretenimento — marca registrada de Aguinaldo Silva. E cá entre nós, poucas coisas me enojam tanto na corrupção como mexer com a saúde das pessoas. Isso vai desde o hospital público sem condições de atendimento a falsificação de remédios essenciais.

Três Graças” é uma novela com um enredo sólido, que não se perde em exageros ou tramas paralelas sem propósito. Não enfia publi a todo custo como a novela anterior. É envolvente, bem escrita e visualmente linda. Ela é realista e atinge o povo de verdade. Tudo indica que, enfim, veio aí um grande sucesso do horário nobre — do tipo que o público sentia falta e a TV brasileira precisava resgatar. Depois de tanta coisa mal feita nesse horário, a emissora acertou a mão de vez para entregar um novelão. O público agradece!

Vila Isabel e Beija-Flor saem na frente no quesito samba-enredo para o Carnaval 2026

Safra de bons enredos vem decepcionando nas escolhas dos sambas. Muita escola fará o povo dormir na avenida

Foto: Liesa

Os sambas-enredo para o Carnaval do Rio de Janeiro 2026 estão sendo anunciados, mas a safra vem decepcionando. Alguns sambas não empolgaram até então, com obras abaixo da média e que não corresponderam ao potencial dos enredos escolhidos. A sensação é de que as escolas não conseguiram transformar boas ideias em músicas que realmente traduzam emoção e força para a avenida. É um cenário fraco para o próximo ano, que preocupa quem espera 12 meses por um desfile marcado pela potência musical que sempre foi característica do carnaval carioca.

Nesse contexto, apenas duas escolas despontam de verdade: Vila Isabel e Beija-Flor de Nilópolis. Ambas largaram na frente no quesito samba-enredo, se destacando num mar de obras esquecíveis. Enquanto as demais ainda parecem buscar identidade e firmeza em suas escolhas erradas, essas duas escolas já mostraram consistência e entregaram sambas que caíram no gosto do público e ganharam corpo desde as primeiras apresentações.

O caso da Vila Isabel é especial: seu samba conquistou de imediato. Desde a primeira audição, ficou claro que a obra tinha alma, tinha força e tinha o povo do seu lado. É aquele samba que ecoa fora dos muros da quadra e se espalha naturalmente, algo raro nesta temporada. É o samba candidato a sair da bolha em 2026. Já a Beija-Flor, com sua conhecida competência, fez ajustes e junções que resultaram em um samba com cara de bicampeão. E só no primeiro ensaio com seus intérpretes que vão estrear na avenida sem Neguinho da Beija-Flor pela primeira vez, a escola já transmitiu a aura de quem briga por um bicampeonato — uma atmosfera que só a Beija-Flor consegue criar em seu terreiro de Laíla.

Diante desse quadro, a conclusão é inevitável: a Vila Isabel tem o samba do ano. É a obra mais vibrante, mais popular e mais comentada. É o samba que já nasce com status de favorito. Por enquanto, a Vila é a escola a ser batida no Carnaval de 2026, principalmente pela dupla de carnavalescos que comanda o enredo deste ano. A Beija-Flor corre logo atrás, com uma força que pode surpreender na avenida e um enredo cheio de energias positivas. As demais, infelizmente, ficam em dívida com o público, deixando a sensação de que poderiam ter entregue muito mais do que apresentaram.

Série sobre o legado de Chico Anysio, maior humorista do país, estreia no Globoplay

Foto/Reprodução: Globoplay

Desde sua origem humilde em Maranguape (Ceará), Chico Anysio construiu uma carreira que ultrapassou fronteiras do riso fácil para se tornar uma referência artística multifacetada. Ele criou centenas de personagens — com traços exagerados, mas sempre com alguma ponta de humanidade — que permitiam caricaturar tipos brasileiros, criticar vícios sociais, explorar linguagens do humor (rádio, TV, teatro) e fazer reflexões sutis sobre identidade, desigualdade, poder. Sua versatilidade impressiona: ator, roteirista, cronista, radialista, ator de cinema e sempre reinventando formatos. É quase impossível contar a história do humor no Brasil sem passar por Chico: ele marcou o desenho do humor de massa, ajudou a formar plateias — gerar risadas, empatia, reconhecimento — e abriu espaço para que humoristas posteriores caminhassem sobre terreno fértil. Foi o primeiro a fazer stand-up quando esse termo nem era usado ainda.

No âmbito da televisão, Chico Anysio foi um dos pioneiros em construir estruturas de programas de humor em que os personagens eram centrais, mais do que as tramas propriamente ditas. Programas como Chico Anysio Show, Escolinha do Professor Raimundo, especiais de humor e quadros humorísticos diversos, permitiram que seu criador explorasse estereótipos regionais, sociais, de classe, expandindo o que se podia fazer em linguagem televisiva. Ele também foi importante na inovação de formatos — por exemplo no uso de videotape, de gravações externas, de personagens que “viviam” fora dos limites de cada programa, entrando em entrevistas, participações, crossovers — e tudo isso ajudou a moldar como o humor era entendido e consumido pela TV brasileira.

A série documental Chico Anysio: Um Homem à Procura de um Personagem, que estreou no Globoplay em cinco episódios, oferece uma visão renovada desse legado — não só celebratória, mas também crítica e humana. Dirigida e roteirizada por Bruno Mazzeo, filho de Chico, ela recua no tempo: infância no Ceará, primeiros passos no rádio, a chegada ao Rio, os desafios que ele enfrentou, os sucessos que consolidaram sua reputação. Segundo Bruno, “a série não é uma ‘homenagem’, um ‘especial’, mas um mergulho não só na obra, mas na alma de Chico Anysio.”  Ele diz também que esse documento lhe parece “o mais especial dos meus trabalhos”, “um filho juntando o quebra-cabeças da vida do pai”.  Ela mostra Chico como Francisco, com falhas, inseguranças, dificuldades pessoais, relações familiares complexas — não apenas o humorista eterno, mas também o homem por trás das máscaras. 

O que isso significa para o entretenimento brasileiro? Primeiro, que revisitar sua trajetória contribui para revalorizar o humor clássico, compreender de onde vieram muitas das nossas formas atuais — stand up, esquetes, comédia de personagens, sátira social. Segundo, permite uma reflexão sobre os limites do humor, sobre o que era aceitável em diferentes épocas, e como Chico soube adaptar-se, avançar, provocar — até despontar como ponto de referência para humoristas de hoje. Ter Bruno Mazzeo à frente desse projeto traz uma camada afetiva e de intimidade, uma memória de família que também serve como memória cultural. A série oferece ao público mais jovem o contato com vivências que talvez não conhecessem; para quem já era fã, a possibilidade de enxergar além do personagem, de entender decisões, contradições, sacrifícios. Em suma: a obra reforça que Chico Anysio não foi apenas um comediante de todas as classes e de muitas vozes, mas alguém cujo trabalho ajudou a moldar o Brasil que ri — e, nesse rir, se reconheceu em seu legado.