Categoria: Carnaval

Faltam 2 títulos para Mocidade Alegre se igualar a Vai-Vai como maior campeã do Carnaval

Pela fase ruim da escola da Bela Vista, Mocidade tem a faca e o queijo na mão para alcançar marca

Foto: O Globo

A Mocidade Alegre escreveu mais um capítulo dourado em sua trajetória ao conquistar o 13º título no carnaval paulistano. Uma vitória construída com maturidade, comunidade e, principalmente, identidade. A Morada do Samba, que tem uma gestão exemplar de Solange Bichara, mostrou que tradição e inovação podem caminhar juntas quando há planejamento e amor pela escola. O Anhembi viu uma campeã segura, vibrante e consciente do que estava apresentando em cada quesito.

O enredo em homenagem a Léa Garcia foi um acerto histórico. Reverenciar uma artista gigante, símbolo de resistência e talento, elevou o desfile a um patamar cultural raro. A narrativa foi sensível, potente e emocionante, conduzindo o público por momentos de luta, arte e representatividade. Não foi apenas um desfile bonito: foi um manifesto em forma de samba, daqueles que justificam um título.

A bateria da Mocidade Alegre merece um capítulo à parte. Precisa, cadenciada e ao mesmo tempo explosiva, ela foi o coração pulsante da escola na avenida. Comandada por Mestre Sombra, sustentou o samba com firmeza, levantou arquibancada e mostrou por que a Mocidade costuma ser temida nesse quesito. Houve variações bem executadas, bossas inteligentes e uma sintonia impecável com o restante do desfile — ingrediente essencial para a conquista.

Com o 13º campeonato, a Mocidade se aproxima perigosamente da marca histórica da Vai-Vai, maior campeã do Anhembi com 15 conquistas. Os dois últimos títulos da Vai-Vai foram com enredos musicais: Maestro João Carlos Martins (2011) e Elis Regina (2015). Faltam apenas dois títulos para a Morada conseguir a igualdade. Enquanto isso, a tradicional escola da Bela Vista vive uma fase turbulenta, distante do brilho de outras décadas.

Se o cenário atual se mantiver, a hegemonia que parecia intocável pode, enfim, ser ameaçada. O carnaval de São Paulo ganha não apenas uma campeã, mas uma disputa histórica que promete esquentar os próximos anos. A missão na avenida do Carnaval paulistano há muito tempo se repete e deve permanecer, que é de quem consegue vencer a Mocidade Alegre.

Ninguém quer ver Pretinho da Serrinha no meio da bateria com imagem de Tecpix, nem ouvir rádio de Harmonia na transmissão do Carnaval

Só queremos ver os desfiles!

Foto: Marco Eusébio

A transmissão do carnaval pela TV Globo conseguiu a proeza de tirar o telespectador do clima da avenida em pleno 2026. Em São Paulo, a decisão de deixar os apresentadores fora do Sambódromo do Anhembi simplesmente não faz sentido. Carnaval é calor, é vibração, é suor, é reação ao vivo. Quando o apresentador não sente o chão tremer com a bateria, a transmissão perde pulso. Fica fria, distante, protocolar. Para quem acompanha escola por escola, que espera o ano inteiro por aquele desfile, essa escolha foi um banho de água fria logo na largada.

No Rio de Janeiro, o problema foi ainda mais grave. A cobertura no Sambódromo da Marquês de Sapucaí virou um festival de interrupções desnecessárias. Em pleno desfile, a transmissão foi cortada diversas vezes para ouvirmos o rádio do diretor de Harmonia. Carnaval não é corrida de Formula 1 para acompanharmos comunicação interna de equipe. Além de ser um áudio difícil de entender, quebra totalmente o ritmo do espetáculo. A emoção da evolução, da bateria entrando no recuo, da comissão de frente executando um efeito, tudo isso perde força quando o foco sai da escola para algo que nem agrega informação clara.

E como se não bastasse, colocaram Pretinho da Serrinha no meio das baterias com uma câmera de qualidade duvidosa pior que Tecpix, invadindo o espaço e interferindo até no quesito. Ele é ótimo músico, entende de ritmo como poucos, mas o comentário poderia ser feito no estúdio. No meio da pista, com imagem ruim e enquadramento confuso, virou mais distração do que contribuição. Enquanto isso, a transmissão insistia em planos longos apenas na bateria, acelerando a percepção do desfile e ignorando alas e alegorias. Não esperamos um ano inteiro para ver segundos de um carro alegórico ou um detalhe rápido de fantasia que levou meses para ser produzido.

E aí vem outro ponto que beira o inexplicável: Mariana Gross, uma das maiores jornalistas especializadas em carnaval, fica praticamente avulsa, restrita ao esquenta e à entrada das escolas. Ela tem repertório, história e leitura crítica para conduzir a transmissão inteira. Qual a dificuldade de centralizar a apresentação em quem realmente entende do assunto? No fim das contas, para quem ama carnaval e acompanha pela TV, foi mais um ano de frustração. A avenida entrega espetáculo. Falta a transmissão entender que o público quer ver a escola inteira — e não apenas recortes desconexos.

Só um enredo sobre Castor de Andrade salva a Mocidade

É hora de arriscar no tudo ou nada fazendo o enredo da vida e voltar a ter um nome forte na bancada da Liesa

Foto: Mocidade Independente

Mais um ano difícil para a Mocidade Independente de Padre Miguel. O 11º lugar no Carnaval deste ano pesa — e pesa muito. Não foi um desastre visual, não foi um desfile feio, não foi um vexame plástico. Pelo contrário: estava bonito, estava colorido, organizado dentro do possível. Mas Carnaval não se ganha apenas com estética. E esse 11º lugar escancara que está faltando algo que não se compra em barracão: alma. E dói ainda mais quando a gente olha para o resultado e vê a escola atrás da Portela, que, sinceramente, não apresentou algo superior a ponto de justificar a diferença na apuração.

A sensação que fica é que a Mocidade vem correta demais, comportada demais, genérica demais. Parece que falta aquela identidade forte, aquela personalidade que nos tempos áureos fazia a escola entrar na avenida com arrogância de campeã. O enredo de Rita Lee até tinha conceito, mas soava forçado, distante da essência da comunidade. Era bonito? Era. Mas embalou? Não. O samba era difícil, a arquibancada não comprou a ideia, e o desfile passou quase como um intervalo enquanto o público aguardava a avalanche que viria depois com Beija-Flor e outras protagonistas da noite.

A Mocidade precisa reencontrar a própria história. E não tem símbolo maior dessa identidade do que Castor de Andrade. Polêmico? Sem dúvida. Mas foi sob sua liderança que a escola viveu seus tempos mais gloriosos. Um enredo sobre Castor — assumido, sem medo, trazendo também o mascote Castorzinho como símbolo dessa reconstrução — poderia devolver à escola aquilo que está faltando: personalidade. Não é sobre exaltar ilegalidade, é sobre contar a própria história, sobre assumir quem foi e o que representou para a comunidade de Padre Miguel.

Porque do jeito que está, a Mocidade parece desfilar sem pulsação. Falta emoção, falta arrebatamento, falta aquele momento de arrepio que faz o Sambódromo levantar. O 11º lugar mostra que apenas “estar bonito” não basta. Se não houver uma virada de identidade, 2026 corre o risco de ser mais um ano para esquecer. A Mocidade não precisa de mais um enredo técnico; precisa de alma. E alma ela já teve — basta ter coragem de resgatar. Além disso, precisa ainda voltar a ter um presidente de nome forte para defendê-la na Liesa. No mais, vai plantar e colher bons frutos nesse caminho.

Carnaval RJ: Como esperado, Beija-Flor e Viradouro vão disputar o título

Unidos da Tijuca foi tecnicamente bem. Mocidade sem Castorzinho fez desfile colorido. Difícil a vida das quatro escolas que desfilam nessa terça

Foto: Arquivo Pessoal

A segunda noite de desfiles na Marquês de Sapucaí foi, sem exagero, a mais impactante do Carnaval até aqui. Se na primeira noite houve equilíbrio, desta vez houve confronto direto de gigantes. Beija-Flor de Nilópolis e Unidos do Viradouro deixaram claro que o título passa por elas. Foi uma noite de emoções fortes, arquibancadas pulsando e a sensação de que assistimos a dois desfiles com cara de campeãs.

A Mocidade Independente de Padre Miguel desfilou dentro do seu contexto atual, vivendo uma fase delicada, sem patrono e enfrentando dificuldades estruturais. Ainda assim, a escola conseguiu fazer um desfile digno, colorido e vibrante, homenageando Rita Lee com respeito e identidade. Foi um desfile emocionalmente honesto, talvez não brigando pelo título, mas importante para resgatar autoestima. A Mocidade não vinha entregando algo visualmente tão bonito há algum tempo, e isso precisa ser reconhecido.

A Unidos da Tijuca fez um desfile extremamente técnico, correto, bem acabado e totalmente dentro do regulamento para homenagear Carolina Maria de Jesus. Evolução limpa, harmonia segura e alegorias bem resolvidas. O problema? Veio depois de uma verdadeira avalanche causada por Beija-Flor e Viradouro. E no Carnaval, emoção também pesa. A Tijuca fez tudo certo, mas o impacto foi inevitavelmente menor diante do que já tinha passado pela avenida.

Agora, o que a Beija-Flor fez foi transformar a Sapucaí em um verdadeiro “Bem-Bé”. A escola não apenas desfilou: ela arrebatou. É a grande favorita ao título, sem dúvida. Mas do lado, brigando palmo a palmo, está a Viradouro, que homenageou Cissa e surpreendeu muita gente que criticou o enredo no pré-carnaval. As duas são, com folga, as favoritas. É difícil imaginar que Paraíso do Tuiuti, Acadêmicos do Salgueiro, Acadêmicos do Grande Rio ou Unidos de Vila Isabel, que desfilam na terça-feira, consigam tirar o título desse duelo que já está desenhado entre Viradouro e Beija-Flor. O campeonato, hoje, tem duas donas.

Carnaval RJ: Imperatriz desfila sozinha na primeira noite do Especial

Portela e Mangueira tentaram, mas tiveram muitas dificuldades na evolução. Niterói cumpriu tabela. Duas favoritas desfilam nesta segunda

Foto: Arquivo Pessoal

A primeira noite de desfiles na Marquês de Sapucaí começou cercada de expectativa, mas terminou com uma sensação agridoce. Tecnicamente correta, visualmente bonita, mas com pouca explosão de emoção. Faltou aquele momento de arrepio coletivo, de avenida pulsando junto, de escola varrendo o chão com autoridade. Em meio a apresentações competentes, apenas uma agremiação conseguiu transformar expectativa em grandeza: a Imperatriz Leopoldinense.

A Imperatriz fez, sim, um grande desfile. O enredo sobre Ney Matogrosso aconteceu — e aconteceu de verdade. Era um risco? Talvez. Mas a escola soube traduzir a ousadia, a teatralidade e a potência do artista em alegorias impactantes e uma narrativa clara. O samba, que vinha sendo questionado por alguns, foi cantado por todos na Sapucaí. Quando a arquibancada compra a ideia, a energia muda. E mudou. Foi o único momento da noite em que se sentiu algo próximo de arrebatamento.

A Acadêmicos de Niterói conseguiu desenvolver bem seu enredo. Houve leitura, houve coerência e organização. Mas faltou aquele diferencial, aquele detalhe que faz o desfile sair da prateleira do “bom” e entrar no campo do memorável. Foi correto, foi digno, mas não foi espetacular. Em noite de Grupo Especial, isso pesa.

Portela decepcionou. A águia passou, mas sem voar alto. Faltou impacto visual, faltou emoção e, principalmente, faltou aquela assinatura que costuma transformar a escola em protagonista. No carro de som, o saudoso Gilsinho fez muita falta. A Estação Primeira de Mangueira foi protocolar demais. Fez o dever de casa, cumpriu roteiro, mas não incendiou a avenida. Carnaval é risco, é entrega, é algo além da técnica.

Agora, a régua sobe. Nesta segunda-feira desfilam duas favoritas declaradas: a Unidos do Viradouro e a Beija-Flor de Nilópolis. Se a primeira noite foi de contenção e apenas um grande momento, a segunda promete disputa de verdade. Porque, até aqui, só a Imperatriz mostrou que quer título com força de campeã. O resto ainda precisa provar na avenida.