Autor: Opina Babi

Jornalista | Social Media, 31 anos.

30 anos do consagrado álbum de Chitãozinho & Xororó

A dupla Chitãozinho & Xororó lançou em 1995 um álbum homônimo que respira e respeita o sertanejo, mesmo com suas inovações para a época. O projeto consolidou ainda mais a posição da dupla no cenário da música sertaneja como sendo a mais relevante de todos os tempos. Este trabalho destacou-se pela diversidade musical, mesclando letras românticas com canções para dançar e instrumentos do country-rock, refletindo-se na versatilidade de CH&X comprovada ao longo dos anos.

Naquele período em que esse álbum surgiu para o mercado, Chitãozinho & Xororó já faziam parte do projeto ‘Amigos’ e se consolidava como uma das mais importantes do cenário sertanejo, ao lado de Leandro & Leonardo, Zezé Di Camargo & Luciano e Gian & Giovani. Com uma carreira repleta de sucessos, a dupla continuava a inovar e emocionar o público, mantendo-se no topo das paradas e ajudando a moldar o sertanejo romântico que dominava os anos 90.

O álbum abre com a faixa “Vez Em Quando Vem Me Ver”, uma canção que captura a essência do sertanejo romântico e consolida a dupla de compositores Carlos Randall e Danimar como uma das mais talentosas daquela geração. O disco segue com “Um Homem Quando Ama”, que aprofunda temas de amor e dedicação às paixões, quando logo entra “Loira Gelada”. Ela traz uma energia contagiante para os bailes e festas, preparando o ouvinte para um clássico a seguir: “Página de Amigos”. Um dos maiores sucessos escrito pela parceria Rick e Alexandre, ela aborda de forma profunda o sofrimento amoroso e a relação de uma impossível amizade com quem se é apaixonado.

Ao longo do disco vemos outros arrebatadores sucessos como a “Feito Eu”, que apresenta uma melodia envolvente, e “Bailão De Peão”, que nunca pode faltar trazendo sua animação e celebrando as tradições das festas sertanejas. Essa, nem do repertório do ‘Amigos’ pode ficar de fora. Outras canção que chama atenção pelo arranjo é “Bandido é o Coração”, que se destaca também pela sua narrativa envolvente, enquanto “Cara A Cara, Frente A Frente” e “Chorei” mergulham nas emoções de confrontos e despedidas amorosas.

Esse trabalho de 1995 é uma demonstração da habilidade de Chitãozinho & Xororó em capturar as nuances das experiências humanas através da música. Ilustres músicos também fizeram parte desse emblemático álbum. A direção artística de Max Pierre ainda trouxe a produção musical de José Homero Bétio e César Augusto. O projeto marcou ainda o primeiro trabalho do produtor Luiz Carlos Maluly no sertanejo, que ficou responsável pela gerência artística. Os arranjos ficaram por conta de Julinho Teixeira, Maestro Martínez e Reinaldo Barriga.

As fotos do encarte foram feitas no Haras Nossa Senhora de Guadalupe, em Barretos. Aliás, Xororó tirou as fotos um dia antes de seu aniversário, para segundo ele, parecer mais novo na capa. Alguém avisa que ele está com a mesma cara desde 1990… Bom, o que vale é exaltar a importância desse disco, que permanece como um marco na discografia de Chitão e Xororó, evidenciando sua capacidade de inovar e impressionar os fãs mesmo com seus 30 anos de aniversário. O repertório que caiu como uma luva para a dupla, os consagraram mais uma vez e atualmente serve como escola para demais artistas.

O álbum completo – que recebeu Disco de Platina por mais de 900 mil cópias vendidas – e seus compositores estão nas faixas a seguir. Para ouvir clique aqui: CH&X (1995)

1. Vez Em Quando Vem Me Ver – Carlos Randall / Danimar

2. Um Homem Quando Ama – vs. Maulívio Pereira / Darci Rossi

3. Loira Gelada – Maria da Paz / Nino

4. Página de Amigos – Rick / Alexandre

5. Doce Pecado – Carlos Randall / Danimar

6. Só Quem Amou Demais – Fátima Leão / Alexandre / Netto

7. Feito Eu – Rick / Alexandre

8. Bailão De Peão – Maria da Paz / Nino

9. Bandido É O Coração – César Augusto / Piska

10. Cara A Cara, Frente A Frente – Chitãozinho / César Augusto

11. Chorei – Olinto Muniz / Danimar 

12. Só Mais Uma Vez – Tivas / Carlos Randall

13. Parece Sonho – Darci Rossi / Xororó

14. Ciumento Demais – Xororó / César Augusto

Luca Brasi e Al Neri: Duas lendas do submundo Corleone

Quando pensamos na brilhante saga de O Poderoso Chefão, duas figuras se destacam entre os soldados que serviram à família Corleone: Luca Brasi e Al Neri. Cada um, à sua maneira, foi essencial para os bastidores do poder dos Corleone, mas com personalidades e funções bem diferentes. Este contraste é o que torna ambos fascinantes e indispensáveis para a narrativa da obra-prima de Mario Puzo no livro e Francis Ford Coppola no cinema.

O brabão, Luca Brasi, é uma figura mística dentro do universo de O Poderoso Chefão. Com uma reputação temida até mesmo pelos inimigos mais endurecidos, ele era o executor implacável de Vito Corleone. Brasi não era um homem de sutilezas ou carisma; sua força bruta e violência eram as ferramentas de um guerreiro temido. Ele era um “monstro” na mais pura definição, capaz de feitos tão brutais que até os aliados evitavam sua companhia.

Apesar de sua lealdade inquestionável, Brasi era uma figura à margem da família. Sua presença em eventos sociais, como o casamento de Connie, era rara, e seu papel estava restrito ao trabalho sujo. Isso não diminui sua importância, mas evidencia como sua personalidade feroz o tornava mais útil nas sombras. Ele não era o tipo de homem que se misturava; Luca era um leão de jaula, chamado apenas quando necessário.

Sua morte trágica — um assassinato calculado pela família Tattaglia — foi a prova de que, apesar de sua força, até mesmo Luca Brasi tinha fraquezas. O fim de Luca marcou uma mudança na história dos Corleone, pois sua ausência deixou um vácuo difícil de preencher na linha de frente da família.

Enquanto Brasi era o braço armado de Vito, Al Neri personificava a lealdade fria e calculista de Michael Corleone. Ex-policial com histórico violento, Neri foi recrutado porque representava algo que Michael precisava: um executor disciplinado, que pudesse operar com eficácia e discrição. Diferente de Luca, que inspirava medo pelo simples porte, Al Neri era um estrategista. Ele não se destacava pelo tamanho ou pelo olhar, mas por sua eficiência impiedosa.

Al Neri tornou-se um dos homens mais próximos de Michael, sempre presente em momentos críticos. Foi ele, afinal, o responsável por eliminar Fredo Corleone, um dos momentos mais dolorosos e decisivos da trilogia. Ao contrário de Luca, Al era uma figura que transitava pelo cotidiano da família Corleone, assumindo uma posição que combinava força bruta e lealdade calculada.

Diferenças de Personalidade e Propósito

A diferença entre Brasi e Neri vai além de suas funções: está na própria essência de quem eram. Brasi era um instrumento do medo, um símbolo de intimidação que operava fora dos círculos da família. Neri, por outro lado, era um confidente, alguém que Michael confiava até para as missões mais pessoais.

Enquanto Luca era quase uma força da natureza, alguém perigoso até para os próprios aliados, Al era um homem de controle e obediência. Essa distinção reflete também os estilos de liderança de Vito e Michael. Vito usava Luca como um aviso aos inimigos, uma carta selvagem que ninguém queria jogar contra. Michael, por outro lado, via em Al uma extensão de seu próprio cálculo e frieza.

Quem era o mais perigoso?

A resposta depende de como definimos o perigo. Se falamos de brutalidade e instinto, Luca Brasi era o mais perigoso, um homem que parecia feito para o caos. Mas se pensamos em quem poderia agir com precisão cirúrgica, sem hesitar, até contra membros da própria família, Al Neri é imbatível.

Ambos representam lados diferentes da força que sustentou a família Corleone. Enquanto Brasi era a tempestade, Neri era o bisturi. E é nessa dualidade que encontramos a genialidade de O Poderoso Chefão: cada peça tem um lugar, cada soldado tem um papel. Contudo, Luca Brasi e Al Neri são dois lados de uma moeda. A força bruta e a precisão letal que os moldaram como duas lendas da maior obra que o cinema já viu!

Série Documental de Belo desconstrói persona e exalta o artista

Em dezembro do ano passado conhecemos a série documental “Belo: Perto Demais da Luz”. Uma produção em quatro episódios que mergulha na vida pessoal e profissional de Marcelo Pires Vieira, conhecido por todos como Belo. A série, fruto de uma parceria entre o Globoplay e a AfroReggae Audiovisual, oferece uma visão abrangente da trajetória do cantor, desde sua infância até os dias atuais, destacando momentos de glória e adversidades que marcaram sua carreira. Com polêmicas, amores, brigas, amizades no meio artístico e casos policiais, a série é melhor do que muita novela já feita. Até porque, tudo ali foi uma dura realidade vivida pelo artista, com momentos de glórias após quedas sofridas.

O documentário inicia com uma breve retrospectiva desde a infância humilde no bairro de Chácara Inglesa, na zona sul de São Paulo até as influências que moldaram seu interesse pela música. Imagens de arquivo e depoimentos de familiares e amigos próximos enriquecem a narrativa, proporcionando ao espectador uma compreensão profunda das raízes do artista. A produção utiliza técnicas inovadoras de realidade virtual para recriar cenários significativos da vida de Belo, oferecendo uma experiência imersiva e nostálgica. Logo o documental segue para seus tempos de músico, quando começa a frequentar rodas de samba e inicia sua trajetória com o grupo Soweto.

Um ponto alto da série é a abordagem da formação e a ascensão do grupo Soweto, que projetou Belo ao estrelato nos anos 1990. A turnê comemorativa de 30 anos do Soweto é amplamente destacada desde o início até o último episódio, com bastidores que revelam a dinâmica entre os membros que fizeram parte do reencontro do grupo em 2024 e a relação com os fãs. Depoimentos de colegas consagrados, como Alcione, Chrigor, Ludmilla, Péricles e Dudu Nobre, enriquecem a narrativa do artista que ele é, oferecendo perspectivas diversas sobre o impacto do grupo e da carreira solo de Belo no cenário musical brasileiro.

A parceria com o renomado produtor musical, Wilson Prateado, é outro aspecto relevante explorado no documentário. Prateado foi fundamental na definição da sonoridade que caracterizou o trabalho de Belo, contribuindo para a consolidação de sua carreira solo após a saída do Soweto e seu momento pós-prisão. Foi no estúdio de Prateado que Belo fazia trabalhos durante o dia ainda no regime semi-aberto. Mesmo com sua prisão, Belo esteve com mais de 13 músicas no TOP 50 das rádios na época, em meado dos anos 2000. Os fãs ligavam nas rádios para pedirem as músicas do cantor, gesto que se repetia especialmente no Rio de Janeiro, várias vezes ao dia.

Belo ao lado de Prateado (Foto: Instagram)

A parceria de Belo com Prateado resultou em sucessos que até hoje ressoam entre os admiradores do pagode romântico, como “Reinventar” e “Pra ver o sol brilhar”. Essa música, inclusive, Prateado fez para Belo e dizia pra ele assim que ganhou liberdade novamente: “Olha pro sol, você é gigante!”. Ainda no documental, é Prateado quem melhor define a voz de Belo: “No plano superior tem música. E sem tem música, os anjos cantam. O Belo tem o timbre da voz dos anjos. Ele é uma parada de lá convivendo entre a gente!”. Recentemente no cruzeiro do cantor, Prateado estava presente – atualmente ele integra a direção musical e o baixo na banda de Thiaguinho. Belo subiu ao palco e fez uma grande referência ao produtor, a quem tem muita gratidão por tudo que viveram juntos.

O documentário não se esquiva de abordar os momentos conturbados da vida de Belo, incluindo sua prisão, como já citada. Além disso, os desafios pessoais e financeiros que se seguiram dali em diante. Em um dos episódios mais emocionantes, é retratado o momento em que Belo, durante um show no Allianz Parque, emocionou-se ao interpretar a música “Reinventar”, poucos dias após anunciar sua separação com Gracyanne Barbosa. A cena captura a vulnerabilidade do artista e sua conexão profunda com o público, evidenciando a capacidade da música de traduzir emoções complexas.

A produção também destaca a resiliência de Belo diante das adversidades. Após cumprir sua pena, o cantor enfrentou desafios para reconstruir sua carreira e imagem pública. Depoimentos de figuras importantes como seu empresário e amigos próximos, oferecem uma visão íntima de sua jornada de redenção e busca por recomeços. O que senti falta um pouquinho foi de aprofundar um pouco mais na história de seu DVD em Salvador, o melhor trabalho de Belo ao vivo até hoje. Após cantar “Derê”, ele se emociona com o público gritando seu nome. Aquele álbum foi a prova de que Belo havia voltado a ser o maior artista do pagode nacional, mesmo passando por tudo que quase enterrou sua carreira. Ali ele se consolidava como o grande artista, dando a grande volta por cima.

Belo: Perto Demais da Luz” é uma obra que oferece uma visão multifacetada da vida de um dos artistas mais emblemáticos da música brasileira. Um cara que canta e encanta dos pagodes clássicos, ao samba com Neguinho da Beija-Flor até os sambas-enredo do carnaval. Ao mesclar momentos de triunfo e queda, o documentário proporciona uma compreensão profunda das complexidades que permeiam a trajetória de Belo, celebrando suas conquistas e reconhecendo os desafios que enfrentou ao longo de sua jornada. A série documental humanizou o artista, que com seus erros e acertos na vida, se mostra mais um de nós, seres humanos. A diferença é que ele é um fenômeno, pelo talento, pela voz absoluta, pela persona e pelo artista que se tornou ao passar pela lama e pelo topo do mundo.

“Viver Sertanejo” é excelente, mas precisa de ajustes

Foto: Giu Pera

O programa Viver Sertanejo, apresentado pelo cantor Daniel, é uma das melhores surpresas das manhãs de domingo na TV. Com um cenário aconchegante e intimista, a produção é uma celebração à música sertaneja e aos artistas que ajudaram a construir sua história. A cada episódio, o cantor Daniel já recebeu grandes nomes do gênero, como Chitãozinho & Xororó, Gian & Giovani, Lourenço & Lourival, entre muitos outros. Eu mesma já espero pelo programa com minha dupla favorita, Rick & Renner. Além disso, o Viver Sertanejo abre espaço para compositores que embora sejam menos conhecidos pelo público, possuem uma importância gigantesca para o sertanejo, como foi o caso de Zé Henrique e Fátima Leão, uma das maiores compositoras do Brasil.

Daniel, sempre carismático e acolhedor, conduz as conversas com muita propriedade, relembrando histórias de bastidores, sucessos marcantes e momentos que definiram o sertanejo. Não é sua primeira experiência apresentando um programa. Na época em que Xuxa esteve de licença maternidade, ele assumiu o comando do “Planeta Xuxa” em um domingo no ano de 1998. Agora, no Viver Sertanejo, Daniel conecta gerações e reforça o valor do movimento sertanejo que está profundamente enraizado na cultura brasileira.

No entanto, apesar de todas essas qualidades, o programa esbarra em alguns problemas que comprometem parte de sua proposta. O tempo de duração e alguns convidados não permitem a conversa se aprofundar em assuntos mais interessantes para o público. Com pouco mais de 50 minutos de programa e muitos convidados em cada edição, o ritmo acaba ficando apressado. Tudo está atropelado, não justificando a presença de certos convidados. Muitas vezes o convidado de renome está contando algo bem legal, mas é interrompido por um artista que começou esses dias e nem tem assunto para agregar no programa. Nem um bom roteiro salva essas coisas.

A sensação é de que as conversas não fluem como poderiam e histórias riquíssimas acabam sendo atropeladas. Um exemplo muito comentado por internautas no dia em que foi ao ar é o episódio da participação de Fátima Leão, compositora de sucessos como “Dormir na Praça” e “Alô”. Apesar de sua relevância e do enorme repertório que ela tem, não houve tempo suficiente para que ela contasse suas histórias e sequer cantar o maior sucesso dela, justamente a “Dormir na Praça”, que chegou a ser gravada. No entanto, a música foi cortada na edição no episódio, cheio de gente para falar. Caberia naquele programa somente ela junto com Zé Henrique & Gabriel, por exemplo. Que fizessem outro episódio com Tierry, Grelo e Day & Lara, dando até para colocar mais um compositor relevante da atual geração.

A crítica, portanto, não é ao conteúdo ou à ideia do programa, que é maravilhosa e tem funcionado de certa forma, mas sim à execução, que poderia ser ajustada. Quem não ficou sentindo falta de boas histórias que Rionegro & Solimões no domingo passado? Inclusive, aquela famosa história em que um fã encontrou o Rionegro sozinho em um hotel e perguntou: “Cadê aquele altão que canta com você?”. Ao invés disso, foi preciso aguentar Luan Pereira com uma conversa sem pé, nem cabeça. Já aquele episódio dos Menotti com Lourenço & Lourival, mesmo com ambas às duplas sendo de diferentes gerações, funcionou porque eles realmente possuem uma ligação. Carregam história de sobra pra contar conhecendo um a carreira do outro.

Talvez reduzir o número de convidados por edição ou ampliar a duração do programa fosse o ideal. Dá pra cortar alguns minutos daquele chatíssimo Auto Esporte para dar mais espaço na grade da manhã dominical. Assim, os artistas teriam mais espaço para se expressar e o público poderia mergulhar mais a fundo nas conversas entre os ídolos que fizeram e fazem parte de sua vida. Dava para descobrirmos mais histórias inéditas, coisas que movimentam os bastidores ou detalhes de discos que mudaram a carreira de cada artista.

O Viver Sertanejo tem tudo para ser um marco na TV brasileira, mas precisa desses ajustes de separar geração com geração para alcançar todo o seu potencial. Nem sempre um episódio com um artista renomado agrada porque no meio tem um recente. O programa pode funcionar muito bem com artistas dessa atual geração se encontrando entre si. Talvez será possível ver essa melhoria nos próximos programas que serão gravados, já que agora os episódios são fixos nas manhãs da Globo.

Com mais tempo e menos pressa, Daniel e seus convidados poderiam proporcionar uma experiência ainda mais rica e emocionante para os telespectadores. Afinal, a música sertaneja não merece ser contada às pressas – ela merece ser vivida como o próprio nome Viver Sertanejo propõe. Sem contar que tem sido ótimo acordar aos domingos e tomar aquele café, ouvindo uma prosa boa na fazenda de Daniel com os maiores nomes do gênero mais popular do país.

Riquinho: O gênio do pagode que partiu cedo demais

O pagode dos anos 90 foi marcado por uma geração de talentosos compositores e intérpretes que ajudaram a consolidar o gênero no Brasil. Entre esses nomes, um dos mais brilhantes foi Riquinho, compositor de grande sensibilidade e criatividade, responsável por sucessos que embalaram e ainda embalam rodas de samba e pagodes por todo o país. Infelizmente, sua carreira foi interrompida precocemente, aos 24 anos. Mas ele deixou uma marca que é lembrada por poucos, mas reconhecida em qualquer repertório do pagode romântico.

Desde muito jovem, Riquinho demonstrou talento para a música. Sua habilidade para compor letras envolventes e melodias marcantes fez com que ele se destacasse rapidamente no meio musical. Seu nome passou a ser sinônimo de qualidade e inovação no pagode, um estilo que vivia um verdadeiro auge nos anos 90. Sua mãe, dona Edna, conta que ele vivia com pressa de tudo. Parece que ele sentia que teria um propósito importante na vida, mas ao mesmo tempo, rápido como uma estrela cadente.

Com influências que iam do samba raiz ao pagode romântico, suas composições traziam letras que falavam de amor, desilusões e a alegria da vida boêmia, conquistando uma legião de fãs e sendo gravadas por diversos grupos e artistas do gênero. Seu faro para grandes hits o tornou um dos compositores mais requisitados da época, ao lado de um dos principais parceiros de composição, André Renato.

“Alô Som” e o sucesso nas composições

Riquinho teve uma forte ligação com o grupo Alô Som, um dos grandes nomes do pagode romântico nos anos 90. Suas composições ajudaram a consolidar o grupo no cenário musical, tornando-se verdadeiros hinos do gênero. O Alô Som, assim como outros grupos da época, soube interpretar com maestria as canções de Riquinho, transformando-as em sucessos que marcaram época. Muitas bandas beberam dessa fonte nos anos seguintes, fazendo sucesso regravando parte desse repertório.

Além do Alô Som, as músicas de Riquinho foram gravadas por diversos artistas de renome do pagode, garantindo que seu talento fosse reconhecido e sua obra se perpetuasse mesmo após sua partida. Uma das mais especiais foi a “Nosso Grito”, com o Fundo de Quintal. Suas letras, muitas vezes carregadas de emoção e histórias do cotidiano, bateram no carisma do público, tornando-se inconfundíveis.

(Riquinho à esquerda, ao lado do compositor Lincoln de Lima)

Sucessos como “Não pedi pra me Apaixonar”, “A gente já não Rola”, “Supera”, “Ainda gosto de Você”, “Pela Vida Inteira”, “Você me Maltrata”, “E agora”, “Até Encontrar”, “Pra Sempre”, “Não tive a Intenção”, “Pago pra Ver”, “Cadê Você”; marcam a história do pagode até hoje. Mesmo tendo tantos compositores bons na caneta, muitos dizem que igual ao Riquinho ninguém de sua geração chegou perto do que ele fazia.

Infelizmente, a trajetória promissora de Riquinho foi interrompida de forma trágica em 2000. O compositor faleceu vítima de um acidente de carro, com apenas 24 anos, deixando o mundo do pagode órfão de um de seus maiores talentos que estava saindo dos bastidores para ganhar os palcos. Sua morte precoce gerou grande comoção no meio musical e entre os fãs, que reconheciam nele um artista singular, capaz de traduzir sentimentos em melodias inesquecíveis.

Mesmo com uma carreira curta, Riquinho deixou um legado que segue vivo até hoje em cada esquina. Suas músicas continuam sendo lembradas, regravadas e cantadas por novas gerações de pagodeiros, mantendo seu nome presente na história da música brasileira. E sua mensagem, mesmo após tantos anos de sua partida, ainda é muito atual.

O talento de Riquinho foi um daqueles que surgem raramente. Seu dom para a composição fez com que ele deixasse uma marca indelével no pagode, um estilo que continua evoluindo, mas que sempre terá nele uma de suas referências mais importantes. Ele tão jovem conseguiu trazer maturidade ao pagode nos anos 2000, que deu sequência aos dourados anos 90 do gênero.

Há um tempo atrás, pouco acervo se tinha da história de Riquinho. Mas sua mãe deu uma linda entrevista para o canal de Leandro Brito, que a visitou na casa onde Riquinho compôs seus maiores sucessos. Confere aqui e se emocione tanto quanto todos nós que assistimos: História de Riquinho por Edna Só!

Embora tenha partido cedo demais, sua música segue viva, provando que grandes artistas nunca são esquecidos. O pagode deve muito a Riquinho, e seu legado continua a emocionar e embalar aqueles que apreciam um bom samba e a poesia de suas letras. Que ele seja mais celebrado por nossa geração e outras futuras, sendo eterno com suas obras.

Após 2ª temporada sem conclusão, Round 6 tem data para final da trama

A segunda temporada de “Round 6” estreou em 26 de dezembro de 2024, dando continuidade à história de Gi-hun e aprofundando os mistérios dos jogos mortais. Com sete episódios, a temporada foi bem recebida pelo público, acumulando 68 milhões de visualizações e mais de 487 milhões de horas assistidas em 93 países. A narrativa trouxe novas dinâmicas e desafios, mantendo os espectadores engajados e ansiosos pelo desfecho da trama.

A recepção crítica também foi positiva, destacando o desenvolvimento dos personagens e a complexidade da trama. A série continuou a explorar temas como desigualdade social e moralidade, elementos que contribuíram para seu sucesso global. Os fãs elogiaram a capacidade da série de surpreender e provocar reflexões profundas, consolidando “Round 6” como um fenômeno cultural. Ao mesmo tempo, ficou sem conclusão, deixando toda resolução da trama para daqui alguns meses.

A terceira e última temporada de “Round 6” foi anunciada para estrear em 27 de junho de 2025, conforme divulgação da Netflix Coreia. O criador da série, Hwang Dong-hyuk, revelou que Gi-hun enfrentará uma crise emocional e psicológica após os acontecimentos da 2ª temporada. A narrativa promete aprofundar os dilemas morais do protagonista, questionando se ele desistirá ou persistirá em sua missão de expor os responsáveis pelos jogos. Ou se irá se tornar um deles…

Além de Gi-hun, personagens importantes retornarão, como o Líder e o detetive Hwang Jun-ho. A temporada final buscará resolver os mistérios deixados em aberto, oferecendo um encerramento satisfatório para a jornada dos personagens. Espera-se que a série mantenha sua abordagem crítica, explorando as pressões sociais e os dilemas éticos enfrentados pelos participantes dos jogos.

Com a proximidade da data de lançamento, que antes era especulada para somente o fim do ano, a expectativa dos fãs aumenta para descobrir como “Round 6” concluirá sua envolvente história. A série que se tornou um marco na cultura pop, rompendo a bolha asiática ao ser sucesso no mundo todo, promete um desfecho emocionante e reflexivo com os temas que a tornaram um éxito mundial. Estamos prontos!