Autor: Opina Babi

Jornalista | Social Media, 31 anos.

Grande Rio tem o melhor enredo do Carnaval 2025 e a melhor rainha de bateria

Foto: Instagram

A Acadêmicos do Grande Rio, renomada escola de Duque de Caxias, escolheu para o Carnaval de 2025 o enredo “Pororocas Parawaras: As Águas dos Meus Encantos nas Contas dos Curimbós”. Este tema propõe uma imersão nas águas místicas do Pará, explorando a rica cultura afro-amazônica da região. A escolha do enredo reflete a intenção da escola de destacar as tradições e histórias paraenses, muitas vezes subestimadas no cenário cultural brasileiro. É no momento, o enredo mais coerente do carnaval até pisar na avenida.

Historicamente, o Brasil tem direcionado seu olhar cultural e econômico para as regiões Sul e Sudeste, negligenciando as riquezas do Norte. No entanto, movimentos recentes indicam uma mudança nesse panorama, com o Pará emergindo como um polo de desenvolvimento e cultura. A Grande Rio, ao centrar seu desfile no Pará, contribui para essa mudança de perspectiva, reconhecendo a importância e a influência da região no contexto nacional.

O enredo da Grande Rio destaca elementos emblemáticos da cultura paraense, como as Pororocas Parawaras, fenômeno natural que simboliza a força e a beleza das águas amazônicas. Além disso, o desfile promete apresentar uma jornada mística que entrelaça palácios, pajelanças, incensos, igarapés e encantarias, proporcionando ao público uma experiência sensorial única que celebra as tradições e a espiritualidade do Pará. 

Um aspecto notável deste projeto é a escolha do samba-enredo, composto por artistas paraenses. A parceria vencedora inclui Mestre Damasceno, Ailson Picanço, Davison Jaime, Tay Coelho e Marcelo Moraes, todos oriundos de Belém. Essa decisão não apenas valoriza os talentos locais, mas também reforça a autenticidade e a profundidade cultural do enredo, conectando diretamente a comunidade paraense ao desfile carioca. 

A inclusão do Pará como tema central no Carnaval carioca representa um reconhecimento tardio, porém significativo, da riqueza cultural do Norte brasileiro. Ao trazer as histórias, músicas e danças paraenses para a Marquês de Sapucaí, a Grande Rio contribui para uma maior visibilidade e valorização das manifestações culturais nortistas, promovendo um intercâmbio cultural que enriquece todo o país.

À frente da bateria da Grande Rio, a atriz Paolla Oliveira retorna como rainha pelo quinto ano consecutivo. Conhecida por sua dedicação e carisma, Paolla tem participado ativamente dos ensaios e eventos preparatórios, sempre exibindo trajes que homenageiam a cultura paraense. Sua presença não só eleva o brilho do desfile, mas também demonstra o comprometimento da escola em celebrar e respeitar as tradições do Pará. A cada ensaio técnico ela está mais radiante.

Infelizmente, todo ano a atriz sofre também comentários absurdos sobre o corpo, que nada menos que de uma mulher de verdade. Além de defender sua escola, Paolla precisa se defender de ataques e também abordar pautas de liberdade para mulheres desfilarem com o corpo que quiserem, pois o melhor corpo para um carnaval é o corpo HUMANO.

Portanto, o enredo da Grande Rio assinado por Leonardo Bora e Gabriel Haddad para o Carnaval 2025, não apenas celebra a cultura do Pará, mas também simboliza uma mudança no olhar do Brasil para o Norte. Ao destacar as riquezas culturais e naturais da região, a escola promove uma reflexão sobre a diversidade e a unidade nacional, ressaltando que o futuro do país também se constrói com o reconhecimento e a valorização de todas as suas regiões.

Acabei de assistir Capitão América: Admirável Mundo Novo

Pintei o cabelo, fiz a unha, botei meu blazer de trabalho que uso nas corridas da Turismo Carretera e fui ver o primeiro filme de Sam Wilson como Capitão América. Me arrependi Definitivamente, não!

Capitão América: Admirável Mundo Novo” é uma adição marcante ao Universo Cinematográfico Marvel, consolidando Sam Wilson, interpretado por Anthony Mackie, como o novo líder dos Vingadores. O filme surpreende ao apresentar uma narrativa coerente e envolvente, que mantém o espectador atento do início ao fim.

O elenco é um dos pontos altos da produção. Anthony Mackie entrega uma performance sólida como Capitão América, trazendo profundidade e carisma ao personagem, o que já tinhamos visto na série ‘Falcão e o Soldado Invernal’. Harrison Ford, assumindo o papel do Presidente Thaddeus “Thunderbolt” Ross, adiciona a melhor experiência ao filme se tornando o Hulk Vermelho. Enquanto Giancarlo Esposito brilha como o enigmático vilão Sidewinder, trazendo sua já conhecida intensidade para o papel.

Danny Ramirez é outro craque no filme que traz muito carisma e nos deixa aflitos na poltrona sendo o novo Falcão, Joaquin Torres. Mas vilão mesmo é o personagem de Tim Blake Nelson, o insuportável Samuel Sterns, como nos quadrinhos. Para os amantes de ação, o filme é um prato cheio. As sequências de combate são bem coreografadas e emocionantes, garantindo adrenalina e entretenimento de alta qualidade. E em meio aos desafios que o Capitão enfrenta, também tem reencontros que deixa nosso coração acelerado.

No entanto, um ponto que pode gerar discussões é o novo traje do Capitão América. Alguns espectadores podem sentir que o design do uniforme busca ocultar a identidade racial de Sam Wilson, possivelmente para atender a mercados internacionais específicos. Essa escolha estética pode ser vista como uma tentativa de neutralidade, mas também levanta questões sobre representatividade e autenticidade cultural.

Em suma, “Capitão América: Admirável Mundo Novo” é uma obra que equilibra ação intensa com uma narrativa significativa, se destacando pelas atuações notáveis de seu elenco estrelar. Apesar de algumas escolhas questionáveis no traje, o filme solidifica a posição de Sam Wilson como uma figura central no futuro do MCU. E lebram das críticas ao CGI e roteiro do filme? Esqueçam todas. Vá se divertir e dar o ponta-pé inicial nas produções da Marvel neste ano!

Léo Magalhães: 20 anos de história e um legado inconfundível

Foto: Vander Salarini (@vandersalarini)

O cantor do topete mais bem cuidado do sertanejo, Léo Magalhães, chega a um momento especial da carreira em 2025. Ele gravou nesta quarta-feira (12) o novo DVD, celebrando os 20 anos de sua grande trajetória na música. Um caminho que começou no Nordeste e conquistou o Brasil inteiro, fez seu nome ser sinônimo de respeito e credibilidade no meio sertanejo. Algo que foi conquistado com muito trabalho, talento e uma voz que, mesmo carregando influências, se tornou única e inconfundível. Provável que esse seja seu maior legado até aqui.

Desde seu início, Léo teve como referência a escola de cantores como Zezé Di Camargo e Eduardo Costa, mas nunca foi uma cópia de nenhum deles. Sua voz tem uma identidade própria, um timbre marcante que o destacou mesmo em um mercado onde muitas vozes pareciam seguir um padrão com o estouro de Jorge & Mateus na época. Mas nem sempre esse reconhecimento foi imediato. No começo, seu sucesso caminhava lado a lado com os teclados e regravações de Zezé di Camargo & Luciano em seu primeiro DVD, gravado em São Luís, Maranhão. O estado, junto à Bahia, foram os primeiros a abraçarem sua carreira.

Em uma realidade que afetava os artistas de forma curiosa, era comum que discos de Léo Magalhães fossem vendidos com a capa de Eduardo Costa e vice-versa. Isso acontecia porque o público via semelhanças no estilo dos dois e, muitas vezes, nem sabiam exatamente quem estavam ouvindo. Mas com o tempo, o mercado se ajustou. Léo conquistou seu espaço com uma identidade própria após direcionar sua carreira de forma nacional. Assim como Eduardo Costa, que no início dos anos 2000 era vendido nos camelôs como “Zezé di Camargo Acústico”, mas também passou a ser reconhecido pelo próprio estilo. Outra coincidência na carreira de Léo e Eduardo é a música “Primeiro de Abril”, composta por Carlos Randall, Joel Marques e Serginho Pinheiro. Eles gravaram ela praticamente no mesmo ano. Quem ligava o rádio tinha a chance de reviver aquela fase, em que os dois artistas eram os mais vendidos do mercado informal e em seguida colheram o sucesso nos palcos. Inclusive, teremos o reencontro deles em um feat nesse novo projeto dos ‘20 anos de História’.

O grande ponto de virada na carreira de Léo veio em 2009, quando ele gravou seu segundo DVD ao vivo. Foi o primeiro nos moldes sertanejos, feito em Goiânia, com a produção do renomado Maestro Pinocchio. A capital goiana conhecida como o coração do sertanejo, foi o cenário perfeito para essa consagração. Léo estava chegando em Goiás para o seu primeiro show na região. Foi quando Pinocchio o conheceu e disse: “Olha, se você for cantar numa casa lotada só com esse teclado você não volta mais.” Ele precisava de estrutura, uma banda, arranjos e tudo que pudesse explorar melhor o talento que tinha para mostrar. Na noite da gravação, a casa de shows ficou lotada e o Brasil, enfim, passou a conhecer a voz pela qual o Nordeste já havia se encantado. Esse projeto elevou Léo a outro patamar, trazendo sucessos que se espalharam pelo país e consolidando seu nome entre os grandes da música romântica.

Foi a partir daí que o meio sertanejo passou a olhar para ele com outros olhos, e o público passou a reconhecer de fato aquela voz que tantas vezes havia sido confundida, pertencia a um artista que tinha luz própria. Navegando assumidamente pelo sertanejo 90, Léo foi um tesouro encontrado, para a geração que consumia o sertanejo universitário, ouvir o romantismo que ele carregava com tanto conhecimento desse nicho do gênero. Léo é o artista moderno que transita pelo clássico com propriedade. Canções renomadas como “O cara Errado”, “Primeiro de Abril”; “Fala Comigo (Alô)”, “Cd’s e Livros”, “Onde Anda Meu Amor”; fazem parte do repertório consolidado que o artista tem nesses anos de sucesso e provam suas qualidades.

Hoje, com duas décadas de trajetória, Léo Magalhães se firma como um dos grandes nomes dessa vertente do sertanejo somando sucessos na sua brilhante carreira. Seu respeito foi conquistado não só pelo talento, mas pela consistência. Ele não foi um fenômeno passageiro que muitos achavam que seria cantando apenas a “Locutor” – escrita por Bruno Caliman. Léo se tornou um artista muito enfático em cada passo que deu e construiu uma base sólida de fãs que o acompanham por onde for.

Sua voz segue sendo uma de suas marcas registradas e sua história prova que, com dedicação, é possível sair do improvável para se tornar uma referência de qualidade no acirrado mercado musical. Nesses 20 anos de carreira, Léo Magalhães merece todo o sucesso que conquistou por ter plantado com elegância algo que foi contra a maré desde seu auge. Ele já demonstrou que não é apenas mais um entre tantos. Como artista ele continuará sendo reverenciado, pela verdade que carrega e pelo romantismo que atravessa o tempo a cada geração. Seus trabalhos ainda representam a “escola” de Piska, Zezé, Fátima Leão e Randall. “Escola” que ainda é referência de como fazer boa música sem fórmulas vazias, mas sim, com muito sentimento nas letras interpretadas pela voz icônica de Léo.

(Video gravado no projeto “20 anos de História”, por Vander Salarini, praticamente meu correspondente no DVD do Léo!)

O que se sabe sobre o DVD de João Carreiro & Capataz gravado em Cuiabá?

Foto: Reprodução

O sertanejo na sua vertente raiz e bruta teve muitos representantes ao longo dos anos, mas poucos conseguiram cravar seu nome como João Carreiro & Capataz. Com uma pegada rústica, letras autênticas e uma sonoridade que mesclava a raiz do sertanejo com o peso diferenciado na viola junto às guitarras, fizeram da dupla a maior de seu nicho no mercado musical. Desde o início, João Carreiro se destacava por sua voz inconfundível, pela habilidade na viola e suas composições intensas, enquanto Capataz complementava com sua segunda voz marcante e talento no violão, além das presenças de palco que ambos dominavam como ninguém naquela geração. Juntos, eles trouxeram um som que fugia do modismo e se consolidaram como referência no gênero.

A caminhada da dupla começou a ganhar força entre 2008 e 2009, período em que lançaram hits que caíram no gosto popular, como a “Bruto, Rústico e Sistemático”, trilha da novela de temática rural, Paraíso. As músicas de JC&C representavam bem o estilo que os diferenciava de outras duplas, trazendo letras que falavam da vida no campo, das dificuldades e do orgulho de ser caipira. Aos poucos, eles foram conquistando espaço, participando de programas de TV, grandes eventos sertanejos e lotando shows por onde passavam. Ganham força principalmente no interior do país, com a galera jovem que não queria saber de “Chora me Liga” ou arrocha. Na época, o sertanejo universitário dominava as rádios, mas João Carreiro & Capataz se mantinham firmes na proposta de um som mais raiz com a sonoridade rockeira, conquistando um público fiel que ansiava por esse tipo de música.

O grande momento da carreira veio em 2010, com a gravação do primeiro DVD da dupla, João Carreiro & Capataz – Xique Bacanizado ‘Ao Vivo em Maringá’, produzido por Zé Renato Mioto. Esse trabalho foi um marco, reunindo os maiores sucessos do duo até então e mostrando a força da dupla no palco. O DVD trouxe um repertório de respeito como “Oi Nóis Travéis”, “Campo Grande / Cuiabá” e “Faculdade da Pinga”, consolidando João Carreiro & Capataz como os principais representantes do sertanejo bruto. Eles abriram as porteiras para os demais que vieram em seguida nessa vertente do gênero. Com um show vibrante e um público apaixonado, o registro de Maringá capturou a essência do que a dupla representava: autenticidade, energia e uma entrega total à música sertaneja com direito a regravação de Ronaldo Viola (Desatino) e Pena Branca & Xavantinho (Cio da Terra).

Após o sucesso do primeiro DVD, a expectativa para um novo projeto só aumentava. A dupla surpreendeu a todos com o disco “Lado A Lado B”, em 2012. Um disco em estúdio com simplesmente 40 faixas se tornou o maior legado de João Carreiro & Capataz até hoje. Um álbum elogiado, digno de prêmios e que impressionou pelas composições de João nas modas românticas. Foi com base nesse repertório do “Lado A Lado B”, que no dia 5 de julho de 2013, João Carreiro & Capataz subiram ao palco, em Cuiabá, para gravar o que seria o segundo DVD da carreira. Como sabemos, ele acabou de tornando o último projeto da dupla. O DVD tinha como abertura nada menos que o sucesso “Volta pro meu Coração”, música também marcada pela despedida de João Carreiro no ano passado por dizer no refrão “doeu demais ver você partir…”.

O show contou com uma produção grandiosa e um repertório que prometia consolidar de vez a dupla no topo do sertanejo bruto. No entanto, esse DVD nunca chegou ao público. Apenas aqueles que estavam presentes no evento tiveram o privilégio de assistir à gravação, já que, por razões nunca completamente explicadas, o material nunca foi lançado oficialmente. Segundo Marcão Blognejo em seu blog na época, aquele DVD tinha tudo para ser o projeto mais bonito da dupla até ali, pela estrutura utilizada, pelos figurinos de João, Capataz e banda, além do grande momento que eles viviam na carreira mais do que promissora. O cancelamento desse projeto foi um golpe duro para os fãs, principalmente porque João Carreiro & Capataz estavam “na cara do gol” para se tornarem a principal dupla do segmento, como disse o próprio Marcão em uma entrevista.

No entanto, pouco tempo depois veio a separação. Foi no início de 2014 que a parceria da dupla chegou ao fim, mesmo sem um fim anunciado oficionalmente, deixando uma enorme lacuna no sertanejo bruto. Como se sabe, foi após alguns meses que João Carreiro decidiu não subir mais aos palcos para tratar uma forte depressão. Após se recuperar, seguiu carreira solo, mas enfrentou dificuldades de saúde que impactaram seu trabalho. Nos últimos ano foi que ele voltou a se dedicar de maneira mais íntegra a música e vivia uma fase incrível na sua carreira tendo o próprio escritório. Capataz, por sua vez, formou uma nova dupla ainda naquele ano de 2014. Seu primeiro show junto a Gustavo, atual Carreiro, foi em Barretos. Carreiro & Capataz conseguiram rapidamente se reposicionarem no mercado, contando com amigos talentos como Matogrosso & Mathias, Marcos & Belutti e Gusttavo Lima. Recentemente lançaram o DVD “Essência Bruta”, com produção de Zé Renato Mioto, que fez parte da carreira de Capataz desde o início do sucesso.

João Carreiro também deixou projetos solos que se tornaram diamantes para o sertanejo. Um dos álbuns mais marcantes foi o “Brutos de Verdade”, em parceria com Jads & Jadson, dupla referência para o segmento. Mas o legado João Carreiro ao lado de Capataz permaneceu insubstituível para os fãs. Em janeiro de 2024, a notícia da morte de João pegou a todos de surpresa. O cantor faleceu aos 41 anos – quase na mesma idade do ídolo Ronaldo Viola (42); após complicações em uma cirurgia no coração que em tese era muito simples. João acabou deixando precocemente uma legião de admiradores órfãos de sua música e de sua presença marcante. Citando novamente Marcão Blognejo, o público e o sertanejo em si só terá noção da falta que João está fazendo daqui uns anos. Sinceramente, nesse primeiro ano já sentimos muito a ausência dele nesse meio que o tinha como referência máxima, mas não o valorizou como deveria.

A perda de João Carreiro trouxe de volta à tona a questão do DVD ao vivo de Cuiabá: Será que algum dia esse material verá a luz do dia? Os fãs terão a chance de assistir ao último grande registro da dupla no auge? Essas perguntas seguem sem resposta, e enquanto isso, resta apenas assistir ao DVD de Maringá e lembrar com carinho da trajetória de João Carreiro & Capataz. Por enquanto, pode-se afirmar que esse material ainda existe e está guardado, desmistificando de que teria sido deletado ou sumido por alguém. O que consegui saber de uma fonte, que na época fazia parte da produção da dupla na estrada, é que atualmente para esse DVD sair necessita-se de muitos pontos. A família de João autorizaria esse DVD ser lançado? Capataz também estaria de acordo? Em que canal esse DVD seria disponibilizado, no de João Carreiro & Capataz? No de João Carreiro solo? Ou no de Carreiro & Capataz? E se chutando o balde, alguém com esse material em mãos colocasse ‘clandestinamente’ na internet para os fãs terem o merecido acesso?

O legado da dupla continua vivo nas vozes da atual geração que tenta ser “bruta”. Mais vivo ainda nas canções que marcaram época na vida do público. João Carreiro & Capataz não foram apenas uma dupla sertaneja; foram a essência de um segmento, de forma pioneira, trazendo uma identidade única em um cenário cada vez mais dominado pelo comercial ao longo dos anos. A história deles pode ter sido interrompida antes do esperado, mas a memória e a saudade permanecem intactas. Quem sabe, em um belo dia o tal DVD engavetado de Cuiabá finalmente seja liberado, permitindo que o público reviva esse momento inesquecível. Até porque, o sonho de revermos a formação dessa dupla, nem que fosse fazendo as pazes por um momento em alguma mesa tomando cerveja, não é mais possível. Resta aos fãs seguir celebrando a música e a autenticidade de João Carreiro e de Capataz, com a nostalgia que seus trabalhos carregam.

Confira abaixo o setlist do DVD gravado em Cuiabá. A matéria finaliza com a música “Xique Bacanizado”, que deu nome ao DVD de Maringá.

  1. Volta pro meu Coração 
  2. Oi nóis travêis 
  3. Ela é muito boa/ Tá bagunçado, mas tem gerência/ Campo Grande Cuiabá/ Judiação 
  4. Prefácio 
  5. Audácia Pura (inspirada em um samba da Portela)
  6. Lampião/ Cada um com seus problemas/ Do jeito que eu penso/ Não toca em minha vitrola Lágrimas de Crocodilo/ Prefiro os Tubarões 
  7. Disgramô o Goiás
  8. Preta / Papel Branco 
  9. Viola e Cantador / Casinha Verde / Maldade de um falso amor / Se é amor não tem nada que apague
  10. Primeiro brinquedo
  11. O que essa moça fez aqui?
  12. É pra cabá (Pequi do Goiás)
  13. Sete Sentidos 
  14. Melhor do Brasil / O que será que nóis não tem / Mangueira 
  15. Cadê?
  16. Cêmo porque cêmo 
  17. Bom Demais – Faculdade da Pinga/ Xique Bacanizado 
  18. Tudo em nome do poder 
  19. Tributo a Raul Seixas: Aluga-se / Trem das Sete / Rock das Aranhas

Sem invenções mirabolantes de diva pop, Kendrick Lamar leva rap de verdade ao Super Bowl

Foto: Reuters

A apresentação de Kendrick Lamar no show do intervalo do Super Bowl LIX foi um marco histórico para o rap. Como o primeiro rapper solo a liderar o evento mais assistido da TV mundialmente, Lamar entregou uma performance poderosa que destacou a essência do rap, sem os excessos frequentemente associados aos shows pop. Ele precisou apenas de seu talento e de uma abertura incrível feita por Samuel L. Jackson, que dessa vez não precisou aparecer numa cena pós-crédito como nos filmes da Marvel.

O setlist de Kendrick foi uma jornada através de sua carreira, iniciando com “Bodies” e “Squabble Up”, passando por mega sucessos como “HUMBLE.” e “DNA.”, e incluindo colaborações com SZA em “Luther” e “All the Stars”. A apresentação culminou com “Not Like Us”, música que lhe rendeu cinco prêmios Grammys na semana anterior, incluindo ‘Gravação do Ano’ e ‘Canção do Ano’. Se a plateia do Grammy cantou junto no domingo passado, o estádio em peso ajudou a enterrar Drake de vez entoando a diss.

A escolha de Lamar por uma produção minimalista ressaltou a autenticidade do rap. Sem trocas de roupa extravagantes ou cenários elaborados, ele manteve o foco na música e na mensagem, reafirmando sua posição como um verdadeiro representante do gênero. A presença de Samuel L. Jackson, vestido como Tio Sam, adicionou uma camada de crítica social, enquanto Serena Williams, conterrânea dele de Compton, fez uma aparição especial durante “Not Like Us”. Para quem não sabe, ela é ex-namorada de Drake. Dizem que ele não a superou até hoje… 

Mas falando do que realmente interessa, a ascensão do rap ao palco do Super Bowl simboliza uma vitória monumental para um gênero que enfrentou décadas de preconceito e adversidade. Originado nas esquinas das cidades americanas, o rap frequentemente esteve associado a narrativas de violência e marginalização. Seu público sofreu mais do que qualquer outro de gêneros musicais, por puro preconceito. Sabemos que muito sangue foi derramado dentro e fora da cena do rap, inclusive entre os rappers no auge da guerra entre gângsters. Ver Kendrick Lamar, um artista que personifica a essência do rap, ser protagonista do maior evento esportivo dos Estados Unidos é uma prova do impacto cultural e da aceitação que os rappers conquistaram.

Com seus 22 Grammys ao longo de sua carreira, Kendrick continua a redefinir os “limites” do rap. Sua performance no Super Bowl não foi apenas um espetáculo musical, mas também uma declaração poderosa sobre a jornada e a resiliência do hip-hop. Ao evitar o glamour excessivo e focar na autenticidade, Lamar mostrou ao mundo o verdadeiro espírito do rap. Seu pai musical, Dr. Dre provou mais uma vez que seu feeling para revelar grandes estrelas do rap segue mais apurado que nunca. Inclusive, o show de Lamar já era esperado pela grande entregra que teria graças a sua participação no “Dre Day” em 2022, no Super Bowl liderado pelo seu produtor musical.

Em um cenário onde muitos artistas buscam apelo comercial através de produções grandiosas em um intervalo de futebol americano, Kendrick Lamar optou por uma abordagem que honrou as raízes do rap, das ruas e seu povo. Sua performance no Super Bowl LIX será lembrada como um momento decisivo que celebrou a profundidade, a história e a importância cultural do hip-hop na sociedade contemporânea. Sua forma de se expressar, sua ironia e seu jeito irreverente em mandar recados diretos foi o que fez valer o show.

A presença do rap de verdade no Super Bowl é mais do que entretenimento. E isso incomoda a muitos. Essa presença é uma validação de um movimento cultural que influenciou gerações e segue cada vez mais forte na sociedade. Kendrick Lamar, com sua autenticidade e talento inegável, proporcionou uma performance que será lembrada como um marco na história do gênero que tanto sofreu para chegar ao topo. Aliás, mais difícil do que chegar lá, é se manter. O rap consegue isso com voz, talento e muita luta, precisando se provar mais do que as divas pop – que são exaltadas por qualquer performance meia boca cheias de efeitos mirabolantes.

Confira a apresentação de Kendrick Lamar em seu segundo SB: Halftime Show Super Bowl LIX !

Casas de apostas entram de vez no Carnaval, inclusive como enredo

Foto: Instagram

A presença das casas de apostas no Carnaval tem se intensificado nos últimos anos, refletindo uma tendência de integração entre o universo das apostas e as manifestações culturais do país. Um exemplo marcante dessa sinergia é o enredo da escola de samba Rosas de Ouro para o Carnaval de 2025, intitulado “Rosas de Ouro em uma Grande Jogada”, que aborda o universo dos jogos, apostas e cassinos. A tradicional escola de samba de São Paulo lançou oficialmente seu samba-enredo para o Carnaval de 2025, explorando a temática dos jogos e apostas.

O enredo busca mostrar a história, o glamour e os detalhes do universo das apostas esportivas, cassinos e pôquer, destacando a integração desse segmento com a sociedade, promovendo entretenimento, lazer, empregos e oportunidades de negócios. Já o samba-enredo, composto por Aquiles da Vila, Fabiano Sorriso, Salgado Luz, Leandro Flecha, Fábio Gonçalves, Fabian Juarez, Marcos Vinicius, Daniel, Biel e Wagner Forte; traz versos que evocam a emoção e a busca pela vitória presentes no mundo dos jogos.

A Rosas de Ouro pretende conquistar seu oitavo título na história desfilando no sábado de Carnaval, dia 1º de março. O samba é bom e a escola quer sair do jejum desde o último título que aconteceu em 2010. Na época, a escola fez um enredo sobre a história do cacau, com patrocínio da Cacau Show. Para muitos, o enredo patrocinado deste ano não foi bem visto. Parece ser algo muito arriscado para ser julgado nota a nota no Carnaval Paulistano. No entanto, é uma realidade que precisa ser entendida daqui em diante entre a realidade das escolas.

Paralelamente, no Rio de Janeiro, a Superbet firmou uma parceria significativa ao adquirir os naming rights do Campeonato Carioca de 2025, que passou a ser denominado “Super Carioca”. A marca estará presente em diversas propriedades da competição, como backdrops, áreas de entrevistas, pórticos, banners e placas. O contrato inicial é de um ano, e os valores não foram divulgados.

O presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ), Rubens Lopes, destacou a relevância dessa parceria, afirmando que não se trata apenas de um patrocínio, mas de uma “super parceria” entre o Campeonato Carioca e a Superbet, ressaltando o caráter atraente e nacional da competição. Alexandre Fonseca, CEO da Superbet Brasil, também expressou entusiasmo, enfatizando a atratividade nacional do futebol carioca e a paixão dos torcedores pelos quatro grandes clubes do estado. 

Esses movimentos evidenciam uma tendência crescente de envolvimento das casas de apostas em eventos culturais e esportivos no Brasil. Esse assunto ganhou ainda mais força, agora com a presença da Superbet no Carnaval do Rio de Janeiro. A entrada das bets de vez no Carnaval, antes terreno único do jogo-do-bicho, mostra que as casas de apostas querem ir além de ser marca patrocionadora. Assinando um enredo como o da Rosas de Ouro, essa atitude reflete uma estratégia de marketing que busca associar as marcas ao entretenimento e à cultura popular, ampliando sua visibilidade e alcance junto aos brasileiros.

No entanto, essa integração também levanta debates sobre a influência das apostas no contexto cultural e esportivo, ressaltando a importância de uma abordagem responsável e ética por parte das empresas envolvidas. À medida que as apostas se tornam mais presentes no cotidiano dos brasileiros, é fundamental que haja uma regulamentação adequada. E também que iniciativas de conscientização sejam feitas, para garantir que essa relação seja benéfica para todos os envolvidos, incluindo o público das apostas.