Autor: Opina Babi

Jornalista | Social Media, 31 anos.

Tem escola passando vergonha no pós-Carnaval do Rio

A cara dessa escultura diz tudo!

O Carnaval do Rio de Janeiro é um espetáculo mundial, mas o que acontece depois da apuração, nos bastidores das escolas de samba, nem sempre está à altura da grandeza do desfile. O pós-Carnaval de 2025 tem sido marcado por notas covardes, desrespeito às tradições e uma falta de autocrítica absurda por parte de algumas agremiações.

O Papelão do Salgueiro

O Salgueiro, sob a presidência de André Vaz, iniciou sua saga pós-Carnaval com uma nota oficial atacando a todos, que mais confundiu do que esclareceu. Como se não bastasse, a escola tentou voltar atrás na própria declaração, deixando evidente a falta de convicção, vergonha e liderança. O pior, no entanto, veio quando André Vaz resolveu desrespeitar Portela e Mangueira, duas das maiores e mais respeitadas escolas de samba da história. A agremiação que já vinha em crise criativa há tempos, agora se complica ainda mais deixando de olhar para seus próprios erros e botando a culpa do merecido 7º lugar nos outros. O saudodo Myro Garcia jamais faria tal papel à frente do Salgueiro.

A Grande Rio e a Vergonha da “Verdadeira Campeã”

Se tem algo que a Grande Rio também não aprendeu foi a lidar com os próprios erros. O desfile teve falhas que custaram décimos valiosos, mas ao invés de olhar para dentro e aceitar que houve problemas, a escola resolveu desdenhar do resultado oficial. A confecção de uma camisa com os dizeres Verdadeira Campeã é um desrespeito à Beija-Flor, que foi a campeã legítima do Carnaval. O julgamento pode ser contestado em certos quesitos? Claro. Mas há maneiras dignas de fazê-lo. O que a Grande Rio faz é infantil e pouco condizente com uma escola que almeja respeito e credibilidade. Credibilidade essa que ela jogou fora desde a virada de mesa para não cair anos atrás, sem contar no montim contra a Viradouro no ano passado por conta da Comissão de Frente. Por sinal, a Beija-Flor nos últimos anos teve derrotas terríveis, mas olhou para si, se reformulou e voltou a topo. As concorrentes não fazem o mesmo?!

Foto: Twitter

Viradouro e a Polêmica Troca de Rainha de Bateria

Falando na escola de Niterói, a saída de Érika Januza do posto de rainha de bateria da Viradouro é mais um exemplo de que nem sempre o compromisso com a comunidade e a identidade da escola são levados em conta. Érika sempre demonstrou envolvimento e paixão pela agremiação, algo raro em tempos onde muitas rainhas são apenas figuras decorativas sem qualquer ligação real com suas escolas. Tirar uma representante querida pelo povo para colocar, sabe-se lá quem – há rumores de que seria a esposa de um cantor de axé que já desfila na escola – mostra que a Viradouro pode estar escolhendo o caminho errado na conexão com sua própria essência. Além disso, a vida pessoal do presidente da escola parece ter roubado até a atenção do enredo Malunguinho. Uma pena!

UPM e o Protesto Justo Contra a Despontuação

Enquanto algumas escolas fazem fiasco no pós-Carnaval, a Unidos de Padre Miguel age de maneira digna e coerente. A escola foi despontuada de forma injusta em quesitos determinantes, mesmo tendo feito um desfile claramente superior a outras que permaneceram no grupo especial. Diferente de Salgueiro e Grande Rio, que se perdem em desculpas esfarrapadas, a UPM levanta um protesto válido contra um julgamento questionável e vai atrás de seus direitos sem pisar em ninguém.

Portela: Emoção e Respeito no Lugar da Bagunça

A Portela foi uma das maiores vítimas do desrespeito no pós-Carnaval. Seu desfile foi carregado de emoção e sustentado pelo samba, o que garantiu sua presença no Desfile das Campeãs – algo que o Salgueiro não conseguiu. E a escola mostrou, na avenida, que lugar de história e tradição não se negocia. Diferente da bagunça que se instaurou em algumas coirmãs, a Águia de Madureira se manteve firme, provando que respeito e grandeza se conquistam com trabalho e não com notas confusas e ataques a outras agremiações. Por parte de um público nada querido, a escola sofreu ataques por ter conquistado lugar no G6. Mas pra tristeza dos haters, foi muito gratificante ver as gigantes Portela e Mangueira no lugar da fubanga Salgueiro nessa noite brilhante das melhores do Rio.

Mocidade: Uma Gigante Sem Rumo

A Mocidade Independente de Padre Miguel vive um dos momentos mais difíceis de sua trajetória. A escola está abandonada, sem direção clara dentro da Liesa e sem critério na escolha de enredos que possam recolocá-la entre as grandes. Para voltar a ser competitiva e respeitada, a Mocidade precisa agir rapidamente, reposicionar-se nos bastidores e escolher melhor os temas que levará para a avenida. Caso contrário, continuará sendo julgada de forma questionável e verá sua grandeza se esvair ainda mais.

Contudo, o que se viu após o Carnaval de 2025 foi um festival de imaturidade e falta de respeito por parte de algumas escolas que não souberam perder ou que tomaram decisões erradas nos bastidores. Enquanto Salgueiro, Grande Rio e Viradouro seguem patinando em erros, Portela e UPM mostram dignidade e respeito ao Carnaval. E a Mocidade? Precisa acordar antes que seja tarde.

O espetáculo na Sapucaí termina na Quarta-Feira de Cinzas, mas o comportamento das escolas depois da apuração pode dizer muito sobre quem realmente entende a grandiosidade do samba.

Portela cala críticos e volta nas Campeãs; Salgueiro fica fora do G6 e Castorzinho continua no Especial

Foto: Grande Rio

O Desfile das Campeãs no Carnaval do Rio de Janeiro de 2025 contará com as seis escolas mais bem colocadas na apuração, que voltarão à Marquês de Sapucaí no próximo sábado para celebrar seus desempenhos. Além da campeã Beija-Flor, a Grande Rio ficou com o merecido vice-campeonato, encantando a todos com um enredo vibrante sobre as Pororocas Parawaras. Para muitos a escola voltará ovacionada pelo espetáculo que mostrou na última noite dos desfiles.

Na terceira colocação, a Imperatriz Leopoldinense impressionou com um desfile que exaltou a cultura religiosa brasileira, repleto de referências históricas e artísticas. Tida cono uma das grandes favoritas neste ano, a Viradouro vinha forte na disputa pelo título, mas terminou em quarto lugar após um desfile alinhado apenas ao regulamento. Ainda assim, a escola de Niterói segue mostrando mais uma vez a força de sua comunidade e a qualidade de suas alegorias que melhoram a cada ano.

A Portela conquistou o quinto lugar ao emocionar o público com uma homenagem a Milton Nascimento, trazendo um desfile poético e de muita superação. O artista declarou que essa noite foi a mais feliz de sua vida e poderá viver a emoção de passar na avenida novamente no sábado das Campeãs. Já a Mangueira completou o G6 com um enredo carregado de identidade e tradição, garantindo seu espaço entre as melhores do ano com um samba cantado a plenos pulmões na Sapucaí. Esse pódio com as seis campeãs vai coroar um grande ano de ótimos enredos na safra que tivemos nesse carnaval.

Seguindo a classificação e ficando fora do G6, o Salgueiro acabou ficando sem “beliscar o 5º lugar” que vinha conquistando nos últimos anos. Prometendo fazer o desfile de sua vida – como em todos os anos – a escola não entregou nada demais na avenida, como sempre faz. A 7º colocação gerou frustração entre seus torcedores, que precisam parar de serem soberbos no pré-carnaval, vamos combinar. Talvez ficando fora das Campeãs a escola entenda que mudanças são necessárias em sua filosofia de trabalho.

Outro destaque da apuração foi a Mocidade Independente de Padre Miguel, que escapou do rebaixamento por pouco. Com um desempenho abaixo do esperado, a escola ficou na 11ª colocação, à frente apenas da vizinha Unidos de Padre Miguel, que acabou rebaixada para a Série Ouro de uma forma nada justa. O resultado acendeu um alerta para a escola de Padre Miguel, que precisará se reinventar para voltar a disputar as primeiras posições nos próximos carnavais. Apesar disso, sua permanência no Grupo Especial foi um alívio para sua comunidade, que agora terá a chance de se reestruturar e buscar um desempenho mais competitivo no ano que vem. Antes, a escola precisa acertar a renovação de contrato do indispensável Castorzinho. Estamos de olho…

Não mais, a Vila Isabel fez um desfile bem complicado em certos aspectos, mas que caberia entre as seis primeiras colocadas pela forma contagiante e criativas alegorias que apresentou. A Unidos da Tijuca teve um samba bem bonito que precisa ser mantido nessa qualidade para o ano que vem. A escola cresceu muito em relação aos últimos anos e está no caminho certo para voltar aos tempos de glória. Tuiuti, apesar do enredo importante, deveria ter sido rebaixada no lugar da UPM. Mas o juri não viu assim, vida que segue. Daqui alguns meses conheceremos os enredos de 2026 e toda essa brincadeira vai começar novamente.

Obrigada, Carnaval 2025. Você foi nota 10!

Beija-Flor derrota Grande Rio e conquista 15º título com bençãos de Laíla

Foto: Rio Carnaval

A Beija-Flor de Nilópolis conquistou hoje seu 15º título no Carnaval do Rio de Janeiro, com um desfile emocionante que homenageou Laíla, uma das figuras mais emblemáticas da história do samba. O enredo, intitulado “Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas”, celebrou a trajetória e o legado do diretor de carnaval que esteve à frente da escola em 13 de seus títulos anteriores e faleceu em 2021, vítima da COVID-19. Laíla não teve a despedida que merecia na escola, mas neste ano voltou para a avenida como merecia e foi coroado com a vitória.

O desfile também marcou a despedida do emblemático Neguinho da Beija-Flor, que, após 50 anos como intérprete oficial, se aposentou do carro de som da escola. Sua voz inconfundível embalou a agremiação em momentos históricos, e sua presença na avenida foi uma celebração à sua contribuição inestimável para o samba. Seu carro de som é um dos mais fortes da atualidade com cantores que passaram os últimos meses ensaiando com uma eficiência que poucos conseguem, junto ao parceiro de Neguinho, Betinho do Cavaco.

A comissão de frente foi o último quesito lido na apuração. A Beija-Flor apresentou uma coreografia que retratava a infância de Laíla, sua devoção aos orixás e sua ascensão no mundo do samba. As alegorias, ricas em detalhes e simbolismos, destacaram momentos marcantes de sua carreira, incluindo sua parceria com o carnavalesco Joãozinho Trinta. Um dos carros alegóricos mais impactantes trouxe uma reinterpretação do famoso “Cristo Mendigo” de 1989, com sósias de Laíla (Serginho Aguiar, um dos compositores do samba) e Joãozinho, relembrando a ousadia e a criatividade que marcaram aquela época.

A bateria, sob a liderança dos Mestres Rodney e Plínio, inovou ao incorporar elementos que remetiam às raízes afro-brasileiras de Laíla, trazendo uma batida envolvente que contagiou o público. As fantasias, luxuosas e cheias de simbolismo, refletiram a riqueza cultural e a espiritualidade presentes na vida do homenageado. Durante a apuração, a Beija-Flor manteve-se entre as favoritas, disputando ponto a ponto com a Grande Rio e a Imperatriz Leopoldinense.

No entanto, a escola de Nilópolis se destacou nos quesitos de samba-enredo, fantasia e evolução, garantindo a vitória com uma pequena margem somando seus 270 pontos. Este título reforça a posição da Beija-Flor como uma das maiores campeãs do Carnaval carioca, consolidando seu legado de inovação, resistência e paixão pelo samba. A homenagem a Laíla não apenas celebrou sua memória e seus feitos como o maior diretor de carnaval da Sapucaí, mas também ressaltou a importância de figuras que, nos bastidores, dedicam suas vidas à cultura popular brasileira.

A comunidade de Nilópolis e os amantes do samba celebram este triunfo, que ficará marcado na história como justiça a tudo que Laíla construiu em seu legado. A Beija-Flor voltará para o desfile das Campeãs como Neguinho sonhava em sua despedida, com o título na mão e reapresentando um de seus maiores desfiles na Marquês. Pra quem já viu a escola nilopolitana homenagear o Boni, lavou a alma mais uma vez com um enredo gigante para a lenda Laíla.

(Neguinho venceu ainda o Estandarte de Ouro como ‘Personalidade do Ano’ em sua despedida)

Última noite no Carnaval do Rio: Grande Rio crava favoritismo e deve levar título pra Caxias

Portela surpreende encerrando o Carnaval com linda homenagem a Milton Nascimento

Foto: Rio Carnaval

A inédita terceira noite de desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro presenteou o público com apresentações grandiosas e sambas que fizeram a Sapucaí tremer. Quatro escolas fecharam a festa com desfiles marcantes, cada uma apostando em suas forças para brigar por um lugar entre as campeãs.

Mocidade Independente: Fez um desfile de superação com aposta no futuro e emocionou na Sapucaí

A Mocidade Independente de Padre Miguel levou para a avenida um enredo futurista, explorando as possibilidades e desafios do amanhã. Com alegorias tecnológicas e um samba-enredo que cresceu na avenida, a escola apostou na criatividade para encantar o público. O destaque ficou para a comissão de frente, que trouxe um jogo de luzes e coreografias impactantes, além de alegorias muito nostálgicas. O mascote Castorzinho roubou atenção de todos na Sapucaí.

Paraíso do Tuiuti: Enredo crítico e necessário levantou a arquibancada, mas correu para não estourar tempo

O Paraíso do Tuiuti mais uma vez mostrou que sabe unir história e crítica social em um desfile marcante. Com um enredo que revisitou figuras da cultura popular e sua relação com o Brasil atual, a escola trouxe um visual rico e uma narrativa envolvente. O samba funcionou muito bem e garantiu um canto forte da comunidade, além de uma comissão de frente que surpreendeu com uma encenação teatral bem executada. O intérprete Pixulé foi um dos pontos fortes da escola.

Grande Rio: Desfile impactante cravou favoritismo da escola de Caxias

Uma das favoritas ao título, a Grande Rio entregou um desfile luxuoso e vibrante, com alegorias grandiosas e um samba-enredo que incendiou a Sapucaí. O trabalho de harmonia da escola foi um dos pontos altos, com componentes cantando forte do início ao fim. O enredo paraense bem amarrado e a aposta em efeitos visuais reforçam a Grande Rio como uma das candidatas ao campeonato. A bateria de Mestre Fafá deve gabaritar seu quesito, além de proporcionar uma grande despedida de Paolla Oliveira como rainha.

Portela: Força de sua tradição surpreendeu em homenagem com a grandeza de Milton Nascimento

A Portela mostrou mais uma vez porque é a maior campeã do Carnaval carioca. Com um desfile que equilibrou tradição e inovação, a azul e branco levou um enredo que exaltou sua própria história e emocionou o público. O conjunto visual foi um dos mais bonitos da noite, com uma ala das baianas deslumbrante e um último carro que sintetizou a grandeza da escola e da carreira de Milton Nascimento. Se ele foi barrado no Grammy, hoje conquistou uma pasarela toda para o ver brilhar e ser ovacionado.

Favoritas ao título: Depois das três noites de desfiles, Beija-Flor e Grande Rio despontam como as grandes favoritas ao campeonato. A apuração promete ser emocionante. Grande Rio no entanto desfilou com aura de campeã, o que faltou para outras escolas que fizeram excelentes desfiles como Viradouro e Imperatriz.

Nem tudo são rosas na apuração: Mancha Verde e Tucuruvi não mereciam rebaixamento

Foto: Reprodução/Instagram

O Carnaval de São Paulo de 2025 trouxe resultados que surpreenderam e geraram debates acalorados entre os amantes do samba. O mérito do título da Rosas de Ouro foi celebrado com mais alegria do que deveria, justamente pelo restante do julgamento não fazer nenhum sentido. Dentre as decisões mais controversas, destacam-se os rebaixamentos das escolas Acadêmicos do Tucuruvi e Mancha Verde, que não mereciam tal destino. Inclusive, a Tucuruvi era favorita ao título junto com Rosas e Gaviões da Fiel.

A Acadêmicos do Tucuruvi, conhecida por sua tradição e desfiles consistentes, apresentou um enredo que encantou o público e a crítica. Sua performance foi elogiada pela criatividade e pela qualidade técnica, o que torna seu rebaixamento uma decisão difícil de compreender. A escola entrou e saiu da avenida ovacionada, fazendo um desfile com a temática que o Salgueiro, por exemplo, teve no ano passado no Rio e não conseguiu entregar o que a Tucuruvi entregou.

A Mancha Verde, vencedora dos carnavais de 2019 e 2022, também foi surpreendentemente rebaixada. A escola trouxe para o Anhembi um desfile rico em diversos quesitos, mantendo o alto nível que a consagrou nos últimos anos. No enquanto, para muitos a escola passou fria na avenida. Nem por isso ela deveria ter sido tão penalizada, pois tiveram escolas bem piores que ela. Seu afastamento do Grupo Especial deixou muitos perplexos, considerando sua trajetória recente de sucesso.

Por outro lado, o retorno do Camisa Verde e Branco ao Desfile das Campeãs também gerou discussões. Embora seja uma escola de grande importância histórica, alguns acreditam que sua apresentação não foi suficiente para garantir tal posição, levantando questionamentos sobre os critérios de avaliação adotados. Vale lembrar que a escola passou por diversas dificuldades neste ano e muitos integrantes desfilaram chorando, imaginando que a Camisa estava se despedindo da elite do Carnaval paulistano.

Já a ausência da Dragões da Real no Desfile das Campeãs foi outra surpresa. A escola, que nos anos anteriores vinha alcançando posições de destaque e brigando por títulos, apresentou um desfile que, na opinião de muitos, merecia estar entre os melhores. A escola era também cotada para o título. Sua exclusão do grupo das campeãs foi recebida com desapontamento por parte de seus seguidores. Apesar de que, seu enredo e seu samba foram considerados abstratos em um desfile que não empolgou tanto quanto nos anos anteriores.

Por fim, a colocação da Império de Casa Verde também foi alvo de críticas. Conhecida por desfiles grandiosos e bem executados, a escola não alcançou a posição que muitos acreditavam ser justa, considerando a qualidade de sua apresentação. O que pode ter pesado no julgamento foi o enredo confuso que a Casa Verde apresentou. Mas ela foi superior a Colorado do Brás, por exemplo, que ficou à sua frente.

Contudo, esses resultados ressaltam a subjetividade presente nas avaliações e a complexidade do julgamento em desfiles de escolas de samba. As divergências entre público, crítica e jurados são naturais, mas é essencial que haja transparência e critérios claros para que o espetáculo continue a evoluir e encantar a todos.

Voltam nas campeãs: Rosas de Ouro, Tatuapé, Gaviões da Fiel, Mocidade Alegre e Camisa Verde & Branco.

Confira a classificação final do Grupo Especial de São Paulo:

Rosas de Ouro brilhou no amanhecer do Anhembi e leva título após 15 anos

Foto: Carnavalize

A Roseira está em festa! Após 15 anos de espera, a Sociedade Rosas de Ouro voltou ao topo do Carnaval paulistano, conquistando seu oitavo título com um desfile impecável e emocionante. A escola apostou alto, literalmente, com um enredo que mergulhava no universo das apostas e dos jogos. Pelo jeito, a jogada se mostrou certeira. Desde os primeiros minutos na avenida, a Rosas deixou claro que estava na disputa para vencer.

Com um desfile luxuoso e uma narrativa envolvente, a escola explorou o fascínio dos jogos ao longo da história, passando por cassinos glamourosos, cartas de tarô e até superstições populares que fazem parte do imaginário coletivo. O desenvolvimento do enredo foi um verdadeiro jogo de mestre, equilibrando criatividade e grandiosidade em alegorias e fantasias que impressionaram o público e os jurados.

No quesito Evolução, a Rosas de Ouro apostou na ousadia, no canto da comunidade e ganhou justamente com as últimas notas lidas na Evolução. O desfile fluiu com perfeição, sem buracos ou correria, mostrando um conjunto harmônico e bem ensaiado. A bateria, sob o comando de Mestre Rafa, deu um verdadeiro show. Com bossas criativas, um andamento pulsante e uma conexão incrível com o samba, o “Ritmo Puro” foi um dos pontos altos do desfile, provando que a Roseira tem uma das melhores baterias do Carnaval de São Paulo. A bateria teve ainda um motivo maior para ter feito sua performance impecável, em homenagem ao diretor Bitão, que faleceu em janeiro. Ele com certeza estava ali presente com seus companheiros ritmistas de alguma forma.

Carlos Júnior, intérprete da escola, também brilhou como nunca. Com sua voz potente e carisma de sobra, ele conduziu o samba-enredo com maestria, fazendo a arquibancada cantar do início ao fim. Sua voz fez o samba ganhar o tom emotivo que precisava para conquistar o favoritismo ao título. A sintonia entre o carro de som e a bateria foi perfeita, garantindo uma apresentação envolvente e cheia de energia. Quando a Rosas passou, não teve quem ficasse parado e emocionado com tantas lembranças que a escola levou para a avenida, como no carro dos brinquedos e desenhos animados da infância de todos nós.

Se nas casas de apostas a Rosas não era a grande favorita antes dos desfiles, na avenida ela virou o jogo e surpreendeu até os mais céticos. Algumas concorrentes chegaram fortes na disputa, mas, quando a última nota foi lida na apuração, não havia dúvidas: a Roseira merecia essa taça. As comunidades da Brasilândia e da Freguesia do Ó explodiram de emoção ao ver o título finalmente voltar para casa.

A conquista de 2025 entra para a história da escola e do Carnaval de São Paulo. Desde 2010, quando levou o título com o enredo sobre o Cacau e o Chocolate, a Rosas de Ouro vinha batendo na trave, sempre entre as grandes, mas sem conseguir alcançar o topo. Passou por altos e baixos nos últimos anos. Agora, depois de 15 anos de espera, a agremiação mostra que soube se reinventar sem perder sua identidade e mostrando a essência de ser Roseira desfilando no amanhecer do Anhembi com o azul e rosa. Como diz o samba de 2009, ela pintou nossos corações com suas cores.

A Roseira apostou, jogou, deu seu all win e venceu com todos os méritos o Carnaval 2025. E, se o Carnaval é um jogo de emoção, arte e paixão, a Rosas de Ouro mostrou que sabe jogar como ninguém. O troféu está em ótimas mãos e a festa está só começando para a escola comanda pela presidente Angelina Basílio. Parabéns, Rosas de Ouro!